quinta-feira, 20 de junho de 2013

ACUPUNTURA DE CHAKRA

GABRIEL STUX, M.D. / Tradução: Paulo Pedro P.R. Costa

Alex Grey - sacred mirrors

Acupuntura de Chakra é uma expansão como também uma complementação da prática de acupuntura chinesa tradicional. Tem a possibilidade de aprofundar acupuntura clássica incluindo o sistema indiano de chakra, um sistema de sete centros principais de energia.

Os chakras da medicina indiana são centros de energia. Sete principais centros de energia se localizam na linha média do corpo, do perineum para o crânio (ver ilustrações). Além destes, há algumas dúzias de centros de energia menores de importância secundários que na maioria dos casos também correspondem com o local de pontos de acupuntura. Os chakras, de modo semelhante aos Órgãos Chineses, possuem funções específicas.

O objetivo do tratamento na acupuntura chinesa tradicional é harmonizar o fluxo de Qi dissolvendo os bloqueios e estagnações nos canais e órgãos. Condições de excesso ou deficiência são equilibradas e assim a regularidade da função dos órgãos é alcançada harmonizando Yin e Yang. Estes conceitos são a base de acupuntura tradicional chinesa.

Acupuntura de Chakra estende a aplicação tradicional de acupuntura por incluir o sistema indiano de chakra para diagnose como também tratamento. Em acupuntura de chakra, aparte dos pontos de acupuntura selecionados conforme a tradição chinesa, pontos de chakra adicionais são agulhados na área dos sete centros de energia. Assim o chakras são ativados e o fluxo de energia é estimulado. Isto é chamado " abertura do chakras ".

O ponto de chakra mais freqüentemente usados é o VG 20 - Baihui situado no centro do chakra coronário o 7º chakra, e extraordinariamente 6 - Sishencong cercando o retangularmente o Baihui. Outros pontos de chakra importantes são o ponto extra 1 - Yintang e VG 15 - Yamen para o 6º chakra, VC 17 Shanzhong e VG 11 (Shendao para o 4º chakra, o chakra de coração.

Além de agulhar os pontos chakra, " a focalização da atenção consciente ", (awareness conscious) i.e. a atenção do paciente para a respectiva região do chakra, é importante para a eficácia do tratamento. Após os pontos de acupuntura serem agulhados com a técnica habitual, ao paciente é pedido dirigir sua consciência para o chakra pertinente [por exemplo, para o centro de energia da coronário onde os pontos VG 20 (Baihui) e o ponto extra 6 (Sishencong) se foram agulhados].

Depois de pouco tempo os pacientes sentem uma sensação de formigamento leve ou de um fluxo discreto nesta área. O terapeuta, junto com o paciente, também focaliza sua atenção nesta região. Ele solicita repetidamente para o paciente abrir esta área e deixar que a energia flua de cima para baixo (flow from above and downwards). Assim a abertura do chakra como também o fluxo de energia vital (life force) no centro de energia coronário é intensificado.

Quando o fluxo através de um centro de energia é claramente perceptível ao paciente, a pessoa procede ao próximo centro de energia (por exemplo para o chakra do coração no meio do tórax), Aqui os pontos VC 17 (Shanzhong) e VC 15 (Jiuwei) devem ser agulhados. Ao paciente é solicitado então a respiração nesta área, segurar a consciência dele lá, e abrir o chakra de coração até que ele sente uma sensação de grandeza (wideness), densidade (carga / charge) e fluxo neste chakra.

No começo do tratamento de acupuntura de chakra é importante focalizar em 2-3 chakras (por exemplo coronário (crown) e o centro energético do coração (the heart energy centers)). Como o coração é o 4º chakra, situado no meio do sete chakras, sobre e abaixo dele estão três chakras. Assim o chakra de coração, por causa de sua posição central, tem uma importante função harmonizando para a energia inteira do corpo.

Também a qualidade da energia curativa do coração harmoniza os outros centros de energia. Depois de algumas poucas sessões de tratamento, quando o fluxo de energia em 2-3 chakras está bem estabelecido, a pessoa procede a chakras adicional, especialmente na região onde se localiza a doença (illness) do paciente. Não é recomendado começar com a região transtornada, mas abrir e ativar o chakras inicialmente os principais (o coronário e o do coração) estimular a manifestação quantidade (carga /charge) e o fluxo de energia na totalidade do sistema energético.

O primeiro passo é abrir os centros de energia e promover o fluxo de energia vital (life force - força de vida) neles, estabelecendo sua forte manifestação (carga / charge), simultaneamente despertando a consciência do paciente assim para os centros de energia vitalizando-os. O segundo passo é focalizar os bloqueios e estagnações que causam as doenças e os dissolver. Além de agulhar a área do bloqueio, novas diretrizes e métodos de "medicina vibracional (energy medicine), tal como a Arte (Técnica) de Libertação da Consciência (ART - Awareness Release Technique) de introduzido por Robert T. Jaffe.


DESPERTAR (ART - Awareness Release Technique) EM QUATRO PASSOS:

1. Consciência é focalizada pela paciente sobre seu problema, dor, região ansiogênica ou de tensão (nervousness) (i.e. o bloqueio de energia). Ele está comunicando seu problema ao terapeuta.

2. Identificação. O segundo passo é uma identificação mais precisa do problema. O terapeuta pede para o paciente que focalize mais profundamente sobre a região do bloqueio para visualizar e descrever seu local, tamanho, bordas, densidade, temperatura e cor. Depois a consciência também é dirigida sobre as emoções relacionadas ao bloqueio e os pensamentos que surgem disto. Durante a segunda passo de ART, e através de uma visualização precisa, a consciência se aprofunda mais no bloqueio.

3. Liberação ou Transformação de bloqueios ou energia estagnada. Durante este passo a consciência do paciente transforma a densidade do bloqueio de energia ou liberações completamente sua carga (densidade/qualidade - carga / charge). Isto é realizado pelo paciente aprofundando o foco e (& associado a) respiração consciente em seu bloqueio, O terapeuta também está dirigindo sua atenção sobre o problema do paciente e observa mudanças nos padrões de energia do bloqueio. Se o paciente está se cansando ou não está respirando intensamente ao focalizar área do bloqueio o terapeuta pede a este para aprofundar mais a respiração. Consequentemente o aprofundando persistente e focalizado da respiração no bloqueio o dissolve (libera - released) dentro de 10-20 minutos.

4. Integração. Durante este passo é restabelecido e harmonizado o fluxo de força de vida na área afetada. Isto geralmente é alcançado durante a sessão de tratamento, mas também depois pelo próprio paciente em casa trazendo sua consciência na área afetada e promovendo o fluxo.

DESPERTAR (ART - Awareness Release Technique) é um método excelente para dissolver bloqueios que são muito severos, especialmente para esses bloqueios onde tratamento de acupuntura isolada não alcança resultados satisfatórios.

MEDITAÇÃO NO FLUXO DO CHAKRA

Outro método em medicina vibracional (energy medicine) para promover o fluxo da energia vital (life force) em níveis mais profundos é a Meditação sobre o Fluxo do Chakra desenvolvida pelo autor. Este método é semelhante ao “Treinamento Autógeno" ou ao Relaxamento Progressivo. Com o paciente deitado ou sentando em uma posição confortável o terapeuta dá instruções. Primeiro, o terapeuta focaliza no centro coronário (crown) e diz para o paciente que o abra: abra o centro coronário (sahasrara chakra) desde o alto da cabeça, abra cada vez mais, mais amplo e mais amplo, deixe a energia fluir acima no centro coronário e abaixo no tórax, no centro do tórax, no centro do coração. Amplie esta área e deixe a energia fluir completamente em todo coração, mais fundo, profundamente mais fundo".

Depois de estabelecer o fluxo do coronário para o coração, são incluídos outro chakras no fluxo, primeiro os 3º, 2º e o chakra básico, depois também o 5º e 6º chakra. Depois de vários dias de exercício o fluxo é estabilizado em todos os centros de energia, então ampliados.

Meditação no Fluxo dos Chakra é uma forma de tratamento energético que efetivamente pode promover o fluxo da força em níveis mais fundos, aumentar a vitalidade e um estado estável de saúde. Que se inicia com a cooperação do terapeuta e depois é mantida pelo paciente em sua casa.
Estes dois métodos de medicina da energia, a Técnica de Liberação de Consciência por dissolver bloqueios, e a Meditação no Fluxo do Chakra para a promoção do fluxo nos centros de energia do corpo, são excelentes métodos adicionais para aumentar os efeitos da acupuntura de chakra.



DESCRIÇÃO DOS CHAKRAS E SUA RELAÇÃO COM PONTOS DE ACUPUNTURA E ÓRGÃOS CHINESES

1. Chakra Básico, Muladhara Chakra
Local: O primeiro chakra está localizado no perineum e abre-se para baixo. Corresponde a posição do ponto VC 1 (Huiyin, o ponto de reunião de todo Yin).
Funções: O Yin corresponde à Terra e assim o chakra básico provê a conexão enérgica do ser humano com esse elemento. A abertura do chakra básico e o fluxo enérgico através deste chakra é responsável pela conexão enérgetica do corpo com a terra que é chamada (grounding) firmando-se. Este chakra corresponde a energia Yin do Rim.
Ponto de acupuntura: VC 1 (Huiyin)

2. Chakra da Polaridade Svadhishthana Chakra
Local: O segundo chakra está situado na pélvis e tem duas aberturas, a primeira frontal (ventral) corresponde ao ponto de acupuntura VC 2 (Gugu) - VC 4 (Guanyuan) e outra para o dorso na região do sacrum VG 2 (Yaoshu) - VG 4 (Mingmen).
Funções: O chakra da polaridade equilibra o Yin e Yang dentro e do lado de fora, forma a base para uma sexualidade sem distúrbios, i.e. o Yin e Yang exterior equilibrado. O primeiro e segundo chakra correspondem ao Jiao inferior (pélvis) do Sanjiao. O chakra da polaridade corresponde ao Yang do rim, bexiga e intestino grosso.
Pontos de acupuntura:
Ventral - VC 2 (Qugu) até VC 4 (Guanyuan)
Dorsal - VG 2 (Yaoshu) até VG 4 (Mingmen)

3. Chakra do Plexo Solar Manipura Chakra
Local: O terceiro chakra é situado no abdômen. Abre diante e atrás do umbigo na região de VG 5 (Xuanshu) - VG 6 (Jizhong).
Funções: O chakra de Manipura regula na parte superior o temperamento (personal will) e a expressão emocional (emotional expression) na mais parte inferior. No caso de desequilíbrio é responsável por lutas pelo poder (striving for power) , raiva (rage), irritabilidade (anger) e drogadição (adiction). Os meridianos (órgãos chinês) do baço e fígado correspondem ao terceiro chakra. Também há uma relação com o Jiao médio do Sanjiao.
Pontos de acupuntura:
VC 8 (Senjue), VC 12 (Zhongwan)
VG 5 (Xuanshu), VG 6 (Jizhong)

4. Chakra do Coração, Anahata Chakra
Local: O quarto chakra situa-se no centro do tórax e abre diante do ponto VC 17 (Shanzhong) e no dorso diante do ponto VG 11 (Shendao)
Funções: As funções correspondentes são: amizade, compreensão, compaixão, equilíbrio de contrastes, busca de harmonia, paz interna e amor,. O chakra de coração, por ser o quarto chakra, representa o centro enérgico do ser humano é o chakra da importante integração entre os três superiores e o três chakras inferiores. O Anahata chakra corresponde ao coração e o Jiao superior.
Pontos de acupuntura:
VC 17 (Shanzhong), VG 11 (Shendao)

5. Chakra da Garganta Viahuddha Chakra
Local: O quinto chakra situa-se na garganta e abre diante da laringe e atrás no ponto VG 14 (Dazhui).
Funções: O chakra de garganta produz a força e expressividade (fluência) da fala. Outra função é criatividade. O chakra de garganta corresponde ao pulmão.
Pontos de acupuntura:
VC 22 (Tiantu), VG 14 (Dazhui)

6. Ajna Chakra, Terceiro Olho
Local: O sexto chakra é situado à base do crânio. Abre-se na frente no ponto Extra 1 (Yintang) e atrás no ponto VG 15 (Yamen).
Funções: As funções do Terceiro Olho são a habilidade para focalizar a mente, enquanto entendendo, o poder de discernimento, intuição e clarividência.
Pontos de acupuntura:
Ponto extra 1 (Yintang), VG 15 (Yamen)

7. Chakra Coronário, Sahasrara Chakra
Local: O sétimo chakra situa-se no crânio. Corresponde ao ponto VG 20 (Baihui) e ao ponto extra 6 (Sishencong) e abre acima do crânio como uma coroa.
Funções: O chakra de coronário representa o Yang mais alto no corpo, em contraste com o ponto de reunião de todo Yin no chakra básico. Considera-se que o chakra coronário é responsável pela compreensão dos aspectos mais altos de vida, proporcionando a conexão com mundo espiritual. O ponto VG 20 (Baihui) como também o Extra 6 (Sishencong) são pontos particularmente importantes na acupuntura e servem para harmonizar funções psíquicas e o equilíbrio de toda energia do corpo.
Pontos de acupuntura:
VG 20 (Baihui), Extra 6 (Sishencong)


BIBLIOGRAFIA
1. Jaffe, R.T. Energy Mastery Seminars, Advanced Energy Healing. Script. 1990.
2. Jung, C.G. Ueber Psychische Energie und das Wesen der Traume. Rascher. Zurich and Stuttgart, 1948.
3. Krieger, D. The Therapeutic Touch. How To Use Hands To Help To Heal. Prentice Hall Press. New York, London, Toronto, 1979.
4. Pomeranz, B. and Stux, G. Scientific Bases of Acupuncture. Springer Verlag. Berlin, Heidelberg, New York, 1989.
5. Stux, G. and Pomeranz, B. Basics of Acupuncture. Second Edition. Springer Verlag. Berlin, Heidelberg, New York, 1991.
6. Stux, G. and Pomeranz, B. Acupuncture - Textbook and Atlas. Springer Verlag. Berlin, Heidelberg, New York, 1987.
7. Stux, G. Akupunktur und ART. Therapeutikon. 1992. 6/1-2:42-43.
8. Stux, G. Was ist Energie Medizin? Therapeutikon. 1992. 6/4:171-172.
9. Stux, G. Chakra Flow Meditation. Therapeutikon (in preparation).


Publicação original
Medical Acupuncture
primavera / verão 1994 Volume6 / Número 1
AAMA - journal - http://www.medicalacupuncture.org


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Cinnabaris 朱砂 (Zhusha)


Cinábrio, cinabre ou cinabarita (vermelhão nativo, vermilion) é o nome usado para o sulfeto de mercúrio (HgS), o minério de mercúrio comum. O nome vem do grego, usado por Teofrasto (em grego: Θεόφραστος; Eresos, 372 a.C. — 287 a.C.) e provavelmente foi aplicado a muitas substâncias diferentes. Acreditam que a palavra vem do persa زینجیفرح (zinjifrah), originalmente significando "sangue perdido de dragão".

Na medicina Tradicional Chinesa tudo indica ser esse medicamento o sulfeto de mercúrio (HgS), a parte utilizada é o pó do mineral, na concepção chinesa suas propriedades: doce (gan) , amornante ou levemente fria (wei han) e tóxico (du) seu local de ação o coração (xin). Sua principal função acalmar a mente, tranqüilizar o coração e remover toxinas. Na china tal substância é produzida principalmente nas áreas de Hunan, Sichuan e Yunnan.

Entre suas indicações na concepção oriental inclui-se sinais e sintomas tipo: palpitações, ansiedade, insônia, nervosismo, pesadelos, agitação e verborragia convulsões entre outros em síndromes descritas na medicina tradicional chinesa como: “ascensão do fogo do fígado afetando o coração” (“hiperatividade do fogo do coração”) ; “calor ascendendo e se transformando em vento”; “flegma no jiao superior”; “insuficiência de sangue do coração” e “síndrome do vento” (epilepsia). Também usado localmente em casos de furúnculos, carbúnculos, feridas purulentas e mordidas de animais peçonhentos, especialmente cobras. (Botsaris; Noleto & Ling)

As nossas conhecidas intoxicações por mercúrio (Hg) geralmente são provocadas por cloreto de mercúrio nas formas agudas e crônicas. Doses a partir de 100 mg já são suficientes para desencadear um quadro agudo (Botsaris). A intoxicação crônica (hidrargirismo) depende do período de exposição. Segundo Larini exposições ocupacionais ao mercúrio em concentrações iguais ou superiores a 0,1 mg/ m3 de ar já é suficiente para produzir intoxicações com tremores musculares e alterações do comportamento. Ainda segundo Botsaris o Cinnabaris (sulfito de mercúrio) é muito mais atóxico, e doses acima de 10 g são necessárias para desencadear sua toxicidade (Botsaris). Observe-se também que essa medicação é geralmente associada à diversas outras tipo Huang Lian; Shu Di Huang, Mai Dong e Tian Nan Ching (Rhizoma arisaematis) conforme o caso. (Noleto & Ling)

O Cinábrio era extraído pelo Império Romano por seu conteúdo de mercúrio e ainda é um das principais fontes desse metal ao longo dos séculos. É possível que se confunda esse mineral tóxico com a resina da Dracena “verdadeira” pela tendência de designar (especialmente os romanos) tinturas vermelho brilhantes como sangue de dragão. Segundo o verbete «Sangre de drago»" da Wikipédia Es (2013):

...La sangre de drago es una brillante resina roja que se obtiene de diferentes especies de cuatro distintos géneros botánicos: Croton, Dracaena, Daemonorops, Pterocarpus y Calamus rotang. La resina roja se usaba en tiempos antiguos como barniz, medicina, incienso, y tintura. Continua empleándose para los mismos propósitos....

Observe-se também que o Cinábrio é utilizado em homeopatia, possivelmente em diluições completamente isentas de riscos tóxico (elevadíssimas diluições). Em homeopatia o CINNABARIS (Cinábrio - Sulfuro de Mercúrio) é um antisifilítico e um antisicótico simultaneamente. Entre seus “sintomas mentais” inclui-se (1) Indolência, com indisposição para o trabalho mental. Sente plenitude na cabeça pelo trabalho; (2) Deseja estar só e irritabilidade; (3) esquecimento. Entre os sintomas gerais também encontram-se várias referências a distúrbios do sistema nervoso: dores (cefaléia, pressiva, perioculares, uretral, nevralgia ciliar) rubor, cansaço.


Referências

BOTSARIS, Alexandros S. Fitoterapia chinesa e plantas brasileiras. SP, ícone 1995
NOLETO, Paulo; LING, Xu. Fitoterapia chinesa, matéria médica. SP, Ícone, 2009
LARINI, Lourival. Toxicologia. SP, Manole, 1987

Fontes WEB

Zhusha Cinnabaris - TCM Discovery.com http://tcmdiscovery.com/2007/10-1/2007101145831.html (Maio de 2013)
Homeopatia e Terapia Holística (Blog) http://homeopatia-terapiaholistica.blogspot.com.br/2012/02/cinnabaris-cinabrio-sulfuro-de-mercurio.html (Maio de 2013)
Cinnabaris - Red Mercuric Sulfure http://www.avogel.ca/en/plant-encyclopedia/cinnabaris.php (Maio de 2013)
Cinábrio http://pt.wikipedia.org/wiki/Cin%C3%A1brio (Maio de 2013)

Imagem Wikimedia Commons: Cinnabar :: Locality: Tongren Mine, Wanshan District, Tongren Prefecture, Guizhou Province, China Privacy policy

Ver também

- Plantas calmantes história e composição

- Dian Kuang - 癫狂


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Além do ciclo vital

Algumas reflexões da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), enquanto outra racionalidade médica, equiparam-se à “exatidão” da medicina ocidental cosmopolita na determinação das fases do ciclo do vital, descrição dos modos de adoecer e morrer e/ou do indivíduo desenvolver hábitos de vida saudáveis.

Por exemplo, segundo o "Livro do Imperador Amarelo", durante as cinco estações do ano (para nós quatro) se deve ter cuidados específicos para enfrentar os perigos da umidade, frio, insolação, calor e secura, que se apresentarem, com comportamentos e dietas. Na MTC também se distinguiu fases da vida humana e se desenvolveu diferentes recomendações para os diversos períodos do ciclo vital, inclusive quanto reprodução em idades avançadas e “andropausa” (diminuição da capacidade de ejaculação e vitalidade na paternidade em idade avançada do pai). Naturalmente descreve-se também as alterações da fase reprodutiva feminina, bem mais evidentes e referidas nos sistemas etnomédicos onde a biologia da reprodução é mais conhecida, com identificação da hereditariedade em linhagens de parentesco de "descendência dupla" (matripatrilinear), como não se nota em algumas outras culturas ditas primitivas com sistemas exclusivos (matrilinear ou patrilinear).

O notável é que desenvolveu-se na China uma atenção especial à subjetividade e aspectos não mensuráveis da realidade biológica. A medicina tradicional chinesa estendeu sua ciência além da longevidade, se interessa tanto pela imortalidade, ou pelo desenvolvimento da energia (do espírito) com esse fim, como pelo processo saúde – doença.

A imortalidade e existência fora do corpo, para MTC, não são apenas concepções de cultos religiosos, podem ser estudadas nos diversos textos imperfeitamente designados como “alquimia chinesa” (a exemplo do “Segredo da Flor de Ouro” comentado por C. G. Jung) de modo integrado à prática clínica. Tais textos podem ser considerados exemplo de uma linha evolutiva de racionalidade distinta do estabelecido nos primeiros cânones médicos equivalentes à racionalidade da medicina védica ou hipocrática, que juntamente com o Nei Ching – “Livro do Imperador Amarelo” se constituem como os primeiros textos médicos. Observe-se que estes textos possuem um elemento diferenciador de outros sistemas etnomédicos, na concepção de Kleinman, a tradição escrita e sobretudo a relação mestre - discípulo em escolas estabelecidas.



Ao contrário do que pensam alguns, não houve uma estagnação do desenvolvimento da lógica conceitual "científica" no Oriente e desenvolvimento no Ocidente pós renascentista. A partir dos padrões de explicação "teórica" que se observam nos textos gregos hipocráticos e orientais de períodos anteriores, o que se pode constatar é que foram caminhos distintos, quiçá advindos de sua ancoragem na esfera do sensível e intuição ou na percepção como distinguiu Lévi-Strauss a ciência do concreto das mitologias e a ciência (lógica cartesiana) ocidental.

Diante desta maravilha de vídeo “Cardiovascular Continuum”, desenvolvido pela Visual MD (ver link) a partir da atual, fragmentada e analítica concepção médica ocidental, observe-se que no mesmo não se torna claro, (assim como a prática clínica ocidental) quem decide ou escolhe os comportamentos que se tornarão hábitos saudáveis ou não. Quem é o sujeito (individual ou coletivo?) que determina as condições e qualidade de vida ou o indivíduo que transforma sua história e seu tempo. (?) O mundo ocidental só desenvolveu parâmetros de resposta para questões como estas na psicanálise (nossa moderna mitologia, segundo Lévi-Strauss) ou nas modernas concepções interdisciplinares de saúde coletiva (medicina social), mas não no modelo cartesiano - positivista da ciência.

Observe-se também que as questões da subjetividade da energia psíquica (libido, assertividade, inteligência ou energia vital) já estavam presentes no livro do “Imperador Amarelo” ou seja bem antes de se desenvolverem, na China, toda uma ciência sobre meditação, com considerável influência do budismo e hinduísmo, configuradas posteriormente (sob influência ocidental) como religião.

“O Imperador Amarelo perguntou: "Como determinar a longevidade de um homem ou se sua vida será curta, quando a energia suplantar o físico e vice-versa?" Bogao respondeu: "Para um homem saudável, quando sua energia estiver ultrapassando o físico, ele terá vida longa; para aquele cujo físico e músculos forem muito finos, mesmo que sua energia suplante o físico, como o físico e os músculos estão exaustos ele morrerá muito cedo. Se o físico da pessoa não estiver muito emaciado, mas sua energia primordial já estiver declinando, embora o físico esteja superando a energia primordial, a doença ainda oferecerá perigo". Livro do Imperador Amarelo (cópia de Bing Wang - Dinastia Tang / SP. Icone 2001, p. 524)

O "ocidente" por privilegiar o modelo biológico das doenças, a síntese química de fármacos em sua visão reducionista, motivada por interesses no desenvolvimento industrial e comercial, abandonou as concepções de energia vital e ética do sagrado, com se fossem pseudociências, relegou práticas como a homeopatia, naturopatia e mesmo a acupuntura, na própria China Imperial, a um segundo plano de valor social (sem investimentos de pesquisa). Porém, apesar de tudo, sem dúvida também por uma eficácia clínica, tais medicinas que se fundamentam nas concepções de energia vital ou em uma dinâmica espiritual - psíquica, sobreviveram e são ainda praticadas, em algumas regiões do planeta re-integradas ao paradigma da ciência médica como prática alternativa ou complementar. O desafio é, como diz meu amigo Dr. Fernando Hoisel, é ver em todas essas “ciências”, a ciência, nas “medicinas” a medicina. Além, é claro, do desafio cotidiano atual de formar bons profissionais de saúde, numa perspectiva ética e científica, controlando suas atividades por autoridades sanitárias governamentais... e como dizia o velho mestre...a arte é longa e a vida breve.


Referências

Bichen, Zhao. Tratado de alquimia y medicina taoista. Madrid, Miraguano Ediciones, 1984

Jung, C.G. O segredo da flor do ouro, um livro de vida chinês. RJ, Vozes, 1992

Kleinman, Arthur Concepts and a Model for the comparison of Medical Systems as Cultural Systems. IN: Currer,C e Stacey,M / Concepts of Health, Illness and Disease. A Comparative Perspective, Leomaington 1986

Livro do Imperador Amarelo (Bing Wang - Dinastia Tang). SP. Icone 2001

Levi-Strauss, C. As estruturas elementares do parentesco.SP, Vozes, 1976

Levi-Strauss, C. O Pensamento Selvagem São Paulo, Companhia Ed Nacional, 1976

Levi-Strauss, Claude. A eficácia simbólica (1949) in: Antropologia estrutural. SP Cosac Naify, 2008


Para saber mais sobre Saúde Comportamento ver: http://medicinacomportamental.blogspot.com.br/


TheVisualMD
Cardiovascular Continuum


terça-feira, 22 de maio de 2012

Acupuntura no Brasil (anotações)

Alguns autores associam a origem da acupuntura no Brasil à práticas indígenas e tradicionais (a escarificação indígena, as sangrias dos barbeiros e aplicação de ventosas da medicina do período imperial, e/ou à marcos específicos da imigração chinesa a saber:
 
- 1812, com a autorização de D. João VI para entrada de 2.000 chineses destinados às plantações experimentais de chá do Jardim Botânico e da Fazenda Imperial de Santa Cruz, no Rio de Janeiro) e japonesa
 
- 1908, a chegada do navio Kasato Maru trazendo os primeiros imigrantes para o Brasil, após a crise do final do Período Feudal no Japão – 1895).
 
Observe porém, que essa prática da qual se tem poucas notícias era restrita aos integrantes dos respectivos grupos étnicos. Já a regulamentação do processo de ensino – aprendizagem tem como marco:
 
- 1958, a fundação da Associação Brasileira de Acupuntura e Medicina Oriental e o curso ministrado pelo fisioterapeuta e massoterapeuta Friedrich Johann Spaeth natural Luxemburgo com aprendizagem de acupuntura na Alemanha.[1][2]

Abaixo vídeo com entrevista do Dr. Evaldo Martins Leite, médico, cardiologista, ex-professor da Faculdade de Medicina Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, presidente da Associação Brasileira de Acupuntura - ABA, um dos pioneiros da prática por não-orientais no Brasil formado pelo Dr. Friedrich Spaeth em 1952.

O Dr. Evaldo Martins Leite inclusive, segundo consta, já sofreu censura pública pelo CREMESP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) devido à prática de Acupuntura bem antes do seu reconhecimento pelo Conselho Federal de Medicina para quem a acupuntura foi reconhecida pela RESOLUÇÃO CFM nº 1.455/95, revogada pela RESOLUÇÃO CFM nº 1634/2002; Modificada pela Resolução CFM n. 1659/2003, (Nova redação do Anexo II aprovado pela Resolução CFM n. 1666/2003) e parcialmente alterada pela Resolução CFM nº 1970, de 15.7.2011



Referências

[1][2] Wikipédia: Acupuntura no Brasil Maio, 2012
ver também "Discussão" sobre o verbete

[1] De Carli, Márcio Jean. História da Acupuntura no Brasil. Núcleo de Acupuntura e Terapias Naturais, Natural-in CIAA – on line (Dezembro 2010)

[2] Nascimento, Marilene Cabral. Da Panacéia Mística à Especialidade Médica. A Construção do Campo da Acupuntura no Brasil. RJ, Tese de mestrado. Rio de Janeiro, IMS/UERJ, 1997

Ver também

Evaldo Martins Leite. Acupuntura (p.17-48) in: Gonsalves, Paulo Eiró (org.) Medicinas alternativas: os tratamentos não-convencionais. SP, IBRASA, 1999 - Google Livros Maio, 2012

Entrevista : Dr. Evaldo Martins Leite - Acupuntura em São Paulo: Documentos UNIFESP Março, 2014

VER TAMBÉM 

Acupuntura em São Paulo Documentos (entrevistas):

Ysao Yamamura; Wu Tou Kwang; Tadamichi Yamada; Renato Massaki; Geraldo Adélio de Borba; Francisco Moreno Carvalho; Célia Regina Whitaker Carneiro; Akemi Nagao.

Documentos UNIFESP Março, 2014

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Acupuntura científica uma reflexão

Tende-se a interpretar a acupuntura científica como acupuntura biomédica, como se as explicações desenvolvidas pelas ciências sociais orientando a interpretação do conhecimento mítico – religioso, não fossem uma explicação científica, ou que o entendimento dessa arte – técnica não requeresse a compreensão de seu contexto cultural, sua dimensão psicossocial e/ou espiritual. Ignorando-se também que o conhecimento oriental que, por si só, foi suficiente, durante milhares de anos, para permitir seu pleno domínio e utilização.

Por outro lado os orientais não desprezam os avanços e pesquisas biomédicas associando suas explicações tradicionais ao conhecimento científico “ocidental”. E, ainda paira no ar a pergunta: é possível à ciência ocidental, em seu atual modelo materialista de descrição e pesquisa, compreender as tradições orientais? ou, se vai ser necessário criar uma nova organização do conhecimento e das práticas profissionais, inaugurando um novo paradigma?

A concepção de “paradigma” é essencial para compreender o movimento das comunidades humanas em torno dessas explicações ditas científicas, sua hegemonia ou descrédito, o reconhecimento enquanto ciência ou não. Paradigma é uma realização científica com métodos e valores que são concebidos como modelo ideal; uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas que se sucedem.

Thomas Kuhn (1922- 1996), físico americano célebre por suas contribuições à história e filosofia da ciência em especial do processo que leva à evolução do desenvolvimento científico. Em seu livro a “Estrutura das Revoluções Científicas” apresenta a concepção de que "um paradigma, é aquilo que os membros de uma comunidade partilham e, inversamente, uma comunidade científica consiste em homens que partilham um paradigma", e define "o estudo dos paradigmas como “o que prepara basicamente o estudante para ser membro da comunidade científica na qual atuará mais tarde".

É um desafio para o praticante ocidental conciliar o amplo espectro de disciplinas requerido para entendimento desse novo campo do saber que se inaugurou com o nome de “acupuntura” no ocidente. Inaugurou-se, mesmo para os que não têm essa consciência, articulando a neuropsicologia do efeito placebo e das relações estímulo - resposta à antropologia médica ou antropologia da saúde (o ramo dessa ciência que tem como objeto, por excelência, a interpretação de outras culturas) com a clínica médica fundamentada na neurofisiologia e bioquímica celular dos efeitos da inserção de agulhas em pontos específicos do corpo humano e animal.

Por não possuir um modelo definido de explicação teórica e prática profissional, um novo paradigma há de ser construído e não é uma legislação ou decreto que vai definir sua forma. Esse texto é um rápido passeio por duas das principais explicações biomédicas, deixando de lado (por enquanto) outras teorias e um grande número de textos referentes à experiência milenar chinesa além dos resultados das décadas dessa prática no ocidente. O objetivo é mostrar que esse conhecimento ainda não “dá conta”, não tem poder explicativo, para as amplas possibilidades de efeitos da acupuntura, reconhecendo, porém o seu valor e complexidade.

A teoria das comportas e neuromodulação da dor

A teoria das comportas (gate control) proposta por Ronald Melzack and Patrick Wall (Science, 1965), aplicada à acupuntura, talvez seja a teoria que mais contribuiu para aceitação sua aceitação no ocidente, embora limitada à explicação de seu efeito analgésico / “anestésico”.

Observou-se que ao nível do segmento medular, uma rede de neurônios intercalares, conectados por fibras "C" amielínicas, formam um sistema relé. Articulam-se com os neurônios motores das respostas reflexas locais de evitação e do aferimento de posição proveniente dos termo e mecano - receptores estáticos das articulações ou tendões e de localização cutânea gerando, em paralelo a sensação dolorosa, a informação que também situa a dor no esquema corporal.

Segundo a teoria que descreve tais conexões a distinção e articulação dos estímulos que são conduzidos por diferentes fibras nervosas, (tipo A delta - mielinizadas de diâmetro fino ("A δ" ) e tipo C - amielínicas), se dá numa região do corno sensitivo (dorsal) de cada segmento da medula (a região que também é conhecida por substancia gelatinosa de Rolando - SG) com a liberação de metencefalina pelas células pedunculadas (interneurônios inibitórios)

A interrupção das vias sensitivas que foi então nomeada porta de controle (gate control) se dá pelo bloqueio da via mielinizada pelos neurônios de axônio curto e a ativação do sistema de neurônios internunciais, da medula sensitivo dorsal pelas fibras grossas do tato (mecanoreceptores), que exercem uma ação bloqueadora na transmissão dos estímulos de dor.



Teoria das comportas

 

Nesse caso por outra via ascendente, o trato espinotalâmico, o estímulo da fibra "A δ" é conduzido ao Córtex cerebral, onde são interpretadas, ou "percebidas" como sensações de peso, distensão, calor ou parestesia que ocorrem durante o estímulo por acupuntura.

A analgesia profunda obtida por acupuntura mantém a consciência e motricidade, ocorre aproximadamente entre 20 e 30 minutos após a interseção das agulhas, mantém-se sensação de tato e pressão, alteram-se a discriminação vinda dos termoreceptores. É comum sua prática associada à sedativos em função de conservação de reflexos vegetativos e sensibilidade dolorosa do osso e periósteo. O resultado segundo diversos autores varia num limite amplo entre 45-75 % para os que a consideram perfeita e entre 25-45 %, parcial. (Dumitrescu, 1996)


Micro lesões em nível celular

Entender, em nível molecular a ação da acupuntura descrita nas teorias consensuais do “gate control” (comportas) e produção de endorfinas (bloqueadas por ação de fármacos antagônicos durante a aplicação da agulha) requer implicitamente a compreensão dos mecanismos celulares e histológicos do local da aplicação.

A caracterização do ponto de acupuntura já foi relativamente estudada com poucos resultados consensuais prestigiados, entretanto descrições e estudos da dimensão da perfuração e “dano” celular de uma agulha de 0,1 a 0,5 mm em estruturas celulares da ordem de 1 a 10 µ (micras) podem ser compreendidos a partir de certo domínio de conceitos básicos da biologia celular, especialmente os mecanismos de inflamação e reparo após lesão celular.


Quando um bisturi fere a pele ativa diretamente as fibras da dor rápida (azul) e indiretamente a da dor lenta (vermelho). Nesse último caso, as células lesadas os mastócitos do sangue e os próprios terminais nervosos secretam substâncias que geram uma relação inflamatória local. Lent. (p.231)



A compreensão dos referidos mecanismos, inclusive é essencial para o entendimento do ponto de vista ocidental do efeito da acupuntura sobre o sistema imunológico, tanto nas doenças alérgicas como infecciosas.

As células são estruturas microscópicas só perceptíveis com auxílio de instrumentos ópticos entre 7,5 µ micra (hemácia) e 200 µ (óvulo) no organismo humano. Um hepatócito, por exemplo, é uma célula cúbica 30 µ (1 µ mícron equivale a 1 milésimo de milímetro, 0,001 mm - 1 x 103 cm).

Ao nível dos pontos de estimulação a introdução de uma agulha de aproximadamente 0,3 mm espessura atinge profundidades que variam entre 1,0 a 2,5 mm (0,5 a 1 polegada) em pontos específicos. A pele humana humana apresenta duas camadas: a epiderme e a derme, sua espessura varia de 1,5 a 4 mm.

Selecionamos essa imagem e conceitos essenciais à essa forma de interpretação:


Derme e epiderme formam uma estrutura média próxima de 20 camadas de células. (1 célula - 600 µ / 0,1 mm).


A pele

A epiderme com suas 5 subcamadas (estrato córneo; estrato lúcido; granuloso; espinhoso e estrato germinativo ou de células basais) situa-se sobre a derme região vascularizada, com vasos linfáticos composta de fibroblastos que produzem colágeno e fibras elásticas (elastinas).


A derme é a camada profunda onde se localizam as raízes dos pêlos (folículos pilosos), o canal das glândulas sudoríparas e estas na camada subcutânea, que fica abaixo da derme, as glândulas sebáceas e as terminações nervosas ou receptores táteis (Corpúsculos de Vater Paccini; de Meissner; Discos de Merkel) os Corpúsculo de Krause e de Ruffini receptores de frio e calor e os nociceptores ou terminações nervosas livres (fibras de meio (1/2) milésimo de milímetro (0,0005 mm)) com diferentes concentrações ao longo dos 25.000 cm2 de superfície desse tegumento.

Ainda no âmbito do estudo da ação da acupuntura em nível celular temos que incluir a resposta dos elementos do tecido sanguíneo e conjuntivo acionados por estimulação específica, ou seja: neutrófilos, eosinófilos, linfócitos, basófilos e plaquetas no sangue e fibroblastos no tecido conjuntivo e mastócitos em ambos os tecidos. Diversas pesquisas evidenciam que os resultados da ação da acupuntura são visíveis no hemograma, como veremos.

Acupuntura molecular

Uma vez compreendida a intervenção do estímulo da acupuntura em nível celular, o que é a rigor é uma tarefa que se estenderia à micro-anatomia ou histologia de cada ponto de acupuntura, como dito, pode-se deter no estudo dos mecanismos bioquímicos de inflamação e reparo, os únicos consensualmente aceitos como efeitos da intervenção com agulhas. Embora indissociáveis ao estudo do aspecto celular o efeito da inserção de agulhas, aplicação eletricidade e calor (aquecimento da pele a 54º por 5 seg. – Robins) dá início a uma pseudo - inflamação aguda ou síndrome de adaptação local cujo efeito no sistema nervoso e imunológico ainda é pouco compreendido.

A inflamação é a reação do tecido vivo e vascularizado à uma agressão ambiental (Robins) distingue-se usualmente a fase crônica da aguda que dura cerca de minutos, horas, no máximo um ou dois dias e é a principal mecanismo que aciona a resposta humoral iniciada pelo estímulo da acupuntura considerado como uma agressão mecânica à integridade celular.

Alguns autores distinguem 3 fases mais ou menos intrincadas: a primária, dita precoce inespecífica ou vascular; uma segunda fase de infiltração celular com afluxo de macrófagos e leucócitos, e a fase tardia ou de reparação, altamente específica. (Rodrigues, 1988)

Após uma lesão celular um conjunto de mediadores químicos da inflamação é acionado, iniciando-se o processo pró - inflamatório e antiinflamatório que caracterizam o mecanismo do stress fisiológico nas reações locais (SAL – Síndrome de Adaptação Local) e gerais (SAG – Síndrome de Adaptação Global) do organismo na concepção de Stress de Hans Selye (1907-1982).

Na resposta imediata transitória distingue-se a liberação as substâncias pré formadas: as aminas vasoativas Histamina e Serotonina, as primeiras a serem liberadas; a Bradicinina, composto vasoativo, responsável pela contração da musculatura lisa e sensação dolorosa e as substâncias (recém) sintetizadas a partir do ácido araquidônico (prostaglandina, tomboxanas e leucotrienos) que mantém a resposta inflamatória, juntamente com a ação das enzimas lisossomiais resultantes de destruição celular e de produtos de neutrófilos, que são os primeiros leucócitos a serem acionados para dar início ao conhecido padrão de reação (Calor, Rubor, Tumor / Edema e Dor.) que caracteriza a inflamação.

A resposta imediata transitória inicia-se após a agressão celular/tecidual e tem seu apogeu entre 5 a 10 minutos, diminuindo entre 15-30 minutos, é despertada pela histamina e pela maioria dos mediadores químicos. A histamina é o mediador mais importante do início da resposta inflamatória aguda, em parte por já estar formada e estocada nos grânulos de mastócitos e basófilos (cerca de 5 µg por 1 milhão de células). A serotonina é encontrada além do Sistema Nervoso nas plaquetas e assim como a bradicinina é uma resposta plasmática relacionada à agressão vascular. Na cascata de coagulação a bradicinina é uma resposta plasmática acionada pelo fator XII de coagulação (fator de Hageman) rapidamente inativada por cinidases, em cerca de 10 minutos. (Siqueira Jr. ; Dantas)

Alguns autores referem-se à tempos distintos nessa seqüência de reações estudas a partir da ruptura de integridade celular conhecida como efeito “lasca” ou “farpa” extensível à introdução de agulhas esterilizados. Segundo Birch e Felt (2002) o primeiro estágio ou de vasoconstrição / formação de coágulo dura aproximadamente uns 20 minutos; o segundo, caracterizado por vasodilatação, migração de leucócitos, eliminação de produtos residuais chega a durar várias horas (entre 2 a 3 h) seguido de 3 estágio (com motilidade dos vasos) que pode dura 1 hora ou mais. Observaram também que a introdução da agulha em uma determinada região produz alterações longe do local de inserção possivelmente em tecidos ou áreas específicas possivelmente previsíveis, mas que ainda necessitam maiores investigações.

As aminas biogênicas – histamina e serotonina também possuem ação sobre neuropeptídios e respostas locais dos terminais nervosos somático sensorial, em especial as taquicininas, (substância P, neurocinina A, neuropeptídio K) provavelmente das fibras amielínicas do tipo C. Mediadores de respostas específicas do sistema nervoso autônomo também tem sido pesquisados sendo recente a identificação do neuropeptídeo Y – NPY. Entre as respostas específicas situam-se também a inflamação neurogênica. (Siqueira Jr. ; Dantas)

Ainda sobre neurotransmissores cabe referir aqui a presenças das encefalinas, que segundo White (in: Ernest, White, 2001) estão presente nas lâminas I e IV do corno posterior e na substancia cinzenta periaquedutal; a betaendorfina da substancia cinzenta periaquedutal e núcleo arqueado do hipotálamo, e a dinorfina que é encontrada em toda medula espinhal. (Ernest, White o.c. p.95)

Os leucócitos são atraídos para área da lesão, inicialmente os neutrófilos pela calicreina e ativador plasminogênico no processo de formação da bradicinina, seguidos dos monócitos e dos linfócitos para dar continuidade ao processo inflamatório a partir de suas concentrações (definidas por quimioatraentes) e demandas específicas dos tecidos. Os agentes quimiotáticos incluem produtos bacterianos, fragmentos do complemento, metabólitos do ácido araquidônico e quimiocínas.

No processo inflamatório as ações das citocinas (quimiocínas, monocinas, linfocinas, interleucinas) produzidas por linfócitos, o óxido nítrico derivado do endotélio e a ativação do sistema complemento (antígeno-anticorpo) dependem dos resultados da inflamação aguda. Podendo evoluir para resolução completa com regeneração, cura por reposição de tecido conjuntivo ou fibrose, formação de abscesso ou evolução para inflamação crônica (semanas ou meses) caracterizado a resposta altamente específica do organismo à suas agressões.

Dumitrescu (1996) em seu livro “Acupuntura científica moderna” apresenta um série de pesquisas sobre alterações bioquímicas e sistemas da acupuntura relacionadas à ação antiinflamatória / humoral a saber: ativação anti-histamínica; aumento da heparina /heparinase no sangue (anticoagulante); aumento dos 17-cetosteróides, 17-hidroxicorticosteróides e da aldosterona urinária; aumento das catecolaminas, 17-hidroxicorticosteróides, 17 cetosteróides e da corticosterona plasmática livre com uma manutenção das taxas mais elevadas após a interrupção das sessões de acupuntura. (o.c. p. 236) Dentre as alterações em nível celular refere-se à leucocitose aumento das proteínas totais, gamaglobulinas e experimentos específicos sobre proliferação de mastócitos. (o.c. p. 238)

Segundo pesquisas reunidas por Lundemberg (2001) a acupuntura tanto pode ser usada para estimular mecanismos imunológicos como para suprimir respostas específicas como, por exemplo, leucocitose e atividade fagocitária ou redução do número de eosinófilos e níveis de IgE, embora ainda não se tenha nenhuma prova rigorosa do mecanismo como o sistema imunológico reponde à estimulação de agulhas de diferentes formas ou sob diferentes condições além dos efeitos que podem ser atribuídos à liberação geral de ACTH / cortisol e mecanismos reflexos segmentares. (Lundeberg, o.c. p.131)

Explicações necessárias e suficientes

As explicações baseadas na modulação da dor, resposta humoral da inflamação e dano aos tecidos, têm mecanismos biológicos são consensualmente aceitos e por isso mesmo apontados como responsáveis pelo reconhecimento científico da acupuntura, contudo as teorias das comportas (gate control) e modulação da dor, como também designadas, possuem fraco poder preditivo na prática clínica. Ou seja fora o controle da dor não explicam a atuação em diversos quadros clínicos, mesmo os incluídos na relação da OMS aonde predominam doenças psicossomáticas.

Os mecanismos biológicos que podem ser sinteticamente definidos como neuromodulação, na concepção de Moritz ainda não são capazes de explicar a recuperação motora (regeneração do tecido nervoso?), a normalização das funções orgânicas, a modulação da imunidade, das funções endócrinas, autonômicas mentais e ativação de processos regenerativos, apesar de se somarem evidências que tais resultados ocorrem.

Como foi dito anteriormente um conjunto de explicações necessárias e suficientes, ainda está para ser construído.

Observe-se que serão as experiências empíricas dos diversos profissionais que atualmente já trabalham com acupuntura (fisioterapia, psicologia, odontologia, enfermagem, pediatria, neurologia, psiquiatria, obstetrícia etc.) associando suas respectivas práticas à sua avaliação de resultados terapêuticos um dos fundamentos de sua compreensão do ponto de vista ocidental

Naturalmente aliando tais explicações ao domínio das explicações da medicina tradicional chinesa enquanto prática empírica milenar e teórica intermediada pela antropologia num esforço de interpretação biomédica ocidental já esboçada.

Estes, a meu ver, são os elementos da construção de uma teoria científica da acupuntura e em função dessa complexidade melhor uma graduação universitária específica com especializações nas diversas áreas que já se formaram e são inevitáveis na atual conjuntura das práticas de saúde atuais.


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Bibliografia

BIRCH, Stephen J.; FELT, Robert. Entendendo a acupuntura. SP, Roca, 2002

COTRAN, R. S.; KUMAR, V.; ROBBINS, S. T. Robbins: Patologia estrutural e funcional. 5. ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 1996

CARNEIRO, Norton Moritz Acupuntura baseada em evidências edição do autor, 2000
http://www.acupunturatual.com.br/livroabe.htm (2001)

DUMITRESCU, Ioan Florin. Acupuntura científica moderna. SP, Andrei, 1996

KUHN, Thomas. Estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1978

HARRIS, Maria Inês N. C. Pele, estrutura, propriedades e envelhecimento. SP, Ed. SENAC SP, 2005

LENT, Roberto. Cem bilhões de neurônios: conceitos fundamentais de neurociência. SP, Atheneu,2004

LICO, Maria Carmela Modulação da Dor, Mecanismos Analgésicos Endógenos Rev Ciência Hoje vol 4 nº 21 Nov-Dez. (66-75) 1985

LUNDEBERG, Thomas. Efeitos da estimulação sensorial (acupuntura) nos sistemas circulatório e imunológico. in: ERNEST, Edzard; WHITE, Adrian. (org.) Acupuntura, uma avaliação científica. SP, Manole, 2001

PESCHANSKI, Marc. A biologia da dor, RGS, L&PM, 1987

RODRIGUES, Luiz Erlon A. Antiinflamatórios não esteróides. Ba, Centro Editorial e Didático da UFBA, 1988

SELYE Hans, Stress a tensão da vida. SP, IBRASA, 1965

SIQUEIRA JR, José F.. ; DANTAS, Carlos José S.. Mecanismos celulares e moleculares da inflamação. RJ, Medsi, 2000

Wikipédia, verbetes ptt / em: Acupuntura, Paradigma, Inflamação, Pele, Leucócito
 


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sábado, 14 de abril de 2012

Medicina Tradicional Oriental



Agora, em um momento tão conturbado quanto à questão da Acupuntura no Brasil, em que se desperdiça uma enorme quantidade de tempo e energia com projetos, emendas, denúncias ... a Medicina Tradicional Oriental (MTO) acaba perdendo o elo de ligação do homem com o Universo e passa a ser utilizada como um elemento classista, é o que nos alerta Victor P. R. Lima no prefácio do livro do Dr. José Luis Padilla Corral, “Fundamentos da Medicina Tradicional Oriental”. Para Lima um pequeno presente, dedicado a todos aqueles amantes da vida, que de nenhuma maneira tem a pretensão de querer explicar tudo, mas tem a intenção de resgatar a Medicina Tradicional Oriental como algo mais humano, do povo, popular e ao serviço de todos.

Traduzido para português pelo mesmo autor do prefácio e colaboradores da Escola Neijing Brasil esse livro é resultante de cursos ministrados na sede da OPAS / OMS (Organização Panamericana da Saúde / Organização Mundial de Saúde) em Lima / Peru.

Segundo o Dr. José Luis Padilla Corral os postulados de saúde, enfermidade, prevenção e tratamento da Medicina Tradicional Oriental não constituem, em nenhum momento, um enfrentamento à medicina moderna. Se isso ocorre no cotidiano é devido à escassa formação dos médicos ocidentais e ao forte contingente de prejuízos nascidos da ignorância. Na atualidade, na República Popular da China, a permanente colaboração de ambos os pontos de vista tem possibilitado a realização de inúmeros trabalhos de investigação e uma aposta comum em fazer do sanador um servidor da saúde com todos os elementos que hoje a humanidade dispõe de forma fidedigna.

Segundo Corral a MTO não é uma medicina e sim uma tradição minuciosamente transmitida através de conceitos universais do lugar existencial do homem. Suas remotas origens de mais de 5.000 anos, antecedem a concepção de “China” e podem ser consideradas pertencentes a todo oriente. A MTO reafirma as evidências clínicas da medicina atual, que vem comprovando a sua eficácia. Alertando-nos que a OMS faz a oportuna recomendação de seu emprego e constata que recentemente, a influente Organização Norte-americana de Saúde tem apoiado a sua aplicação em diferentes doenças, mantendo, assim, a porta aberta às futuras investigações que comprovem outras aplicações. Vale ver.

Esse livro foi editado pela editora Roca (SP) 2006 e a ilustração do meridiano do coração aqui apresentada é uma das 20 ilustrações apresentadas sobre os meridianos.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Acupuntura na Science Photo Library

Ilustração artística sobre uma teoria neurológica que explica os efeitos da acupuntura. Acupuntura é a terapia tradicional chinesa que coloca agulhas na pele (ver extremo do quadrante inferior esquerdo). A explicação tradicional é que agulhas inseridas em pontos de acupuntura podem restaurar o equilíbrio e fluxo de uma energia ou força vital chamada Qi. Em neurociência explicam-se tais efeitos em termos de sinais nervosos. Aqui, o sinal da dor (vermelho) e da agulha de acupuntura, cujo sinal é transmitido (azul) do joelho até a medula espinhal, e desta até o cérebro. Em certos pontos de transmissão (Box da medula espinhal, em baixo à direita, e Box do tálamo no canto superior direito) o sinal de acupuntura suprime o sinal de dor. Além disso, no tronco cerebral ao nível do núcleo magno da rafe (box no centro à direita), o sinal de acupuntura provoca a liberação de endorfinas, analgésicos naturais do corpo. Ver texto original (en) e site da imagem acima: http://www.sciencephoto.com/media/286142 Ver outras imagens selecionadas da acupuntura tradicional e de ilustrações bases bioquímicas e fisiológicas do seu efeito na Lightbox List Science Photo Library http://www.sciencephoto.com/