quinta-feira, 5 de março de 2026

Um breve ensaio para interpretação dos “ideogramas” cérebro e mar de medula na Medicina Tradicional Chinesa

 


Paulo Pedro P.R Costa,

um texto ainda preliminar destinado a um estudo monográfico

Resumo

Considerando a relação entre a cultura e a linguagem explora-se a concepção de cérebro na medicina tradicional chinesa a partir de uma revisão de alguns artigos principalmente do livro da Professora Elisabeth Rochat de la Vallée. Discute-se a dificuldade de integração com a neurociência e vantagens da utilização das ferramentas da etnomedicina e antropologia estrutural que toma como referência os caracteres chineses enquanto conceitos dos textos clássicos da medicina chinesa. Advoga-se a utilização das ferramentas da antropologia/ etnologia como estratégia orientadora da pesquisa e articulação com a neurociência.

Palavras chave: acupuntura, cérebro, mar de medula, etnomedicina 

Introdução

É comum entre nós baianos a atribuição ao "vento" a causa de enfermidades em especial o "acidente vascular encefálico" e a paralisia facial periférica (ou de Bell).

Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), assim denominada por distinção das práticas hegemônicas cosmopolitas, também praticadas na China atual,  o Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou Acidente Vascular Encefálico (AVE) é, também frequentemente interpretado como um dos distúrbios causados pelo "Vento" (
Fēng). Distingue-se ainda, entre outras síndromes, a paralisia facial após um AVC como causada por Vento Interior, e a paralisia de Bell é atribuída a Vento Externo. (Dashtdar et al, 2016; Gomes Neto)

Numa investigação superficial, anedótica, poderia passar como mais uma coincidência de uso de metáforas entre a medicina de matriz afro-indígena ou a medicina de origem grego/europeia-jesuítica e a medicina tradicional chinesa. Contudo uma perspectiva de estudo etnológico revela a especificidade do uso deste símbolo em cada contexto cultural, apesar da notável “coincidência”.

O estudo da MTC por ideogramas, caracteres chineses ou sinogramas, para utilizar uma terminologia mais adequada (Alleton, 2010), provenientes de antigos textos, numa investigação sistemática comparativa destes, com o que vem diversamente sendo indicado na prática clínica da acupuntura, pode constituir-se ainda numa possibilidade de evidenciar um melhor uso, e/ou facilitar encontrar a comprovação empírica (experimental), do que já vem sendo dito e praticado a milhares de anos.

Dezenas de estudos clínicos e anatômicos ocidentais tem evidenciado efeitos específicos estudando ponto por ponto. Por exemplo uma busca rápida pelo ponto (E36) “St36 ZuSanLi, Zusanli” no PubMed encontrou 1.260 resultados.

Para Yousef (2024) poucos trabalhos, ou nenhum, tentaram compilar ou avaliar representações históricas do cérebro fora do mundo ocidental, portanto, mais investigações históricas são necessárias para equilibrar essas perspectivas e obter uma visão histórica completa da neuroanatomia e/ou uma compreensão mais profunda do surgimento histórico da neurociência. Ao que podemos acrescentar obter maior resolutividade ou eficiência clínica nos tratamentos.

Nesse ensaio nos limitaremos a descrição da concepção do cérebro e suas funções a partir do livro de Elisabeth Rochat de la Vallée, “Fu Extraordinários” publicado em 2024 com o subtítulo “o cérebro e outras funções essenciais na medicina chinesa” e alguns outros textos auxiliares.

Compreendendo o sistema nervoso (patologias)

Observe-se entretendo que o estudo transcultural do encéfalo, cérebro ou sistema nervoso acrescenta uma dificuldade a mais, face a diversidade de teorias e práticas da medicina hegemônica ocidental para interpretação intervenção nas patologias deste órgão, basta citar para verificação desta afirmação, a multiplicidade de especialidades médicas e paramédicas destinadas aos seu tratamento (anestesiologia, neuropsicologia, neurologia, psiquiatria, fisioterapia fonoaudiologia etc.) além da já citada diversidade teórica, a exemplo da neuropsicanálise, psicofarmacologia, reflexologia soviética, etc. muitas em vias de integração à neurociência.

O capítulo de citado livro de Vallée intitulado “patologias do cérebro” (p.107-111) reúne estudos e citações de textos antigos descrevendo os mesmos sinais e sintomas tratados por nossos especialistas em neurociência, como dito, neurologistas, psiquiatras fisioterapeutas entre outros. Há de se refletir se estamos diante de outra notável “coincidência” (?) ou melhor diante da invariância biológica ou, de uma caraterística cultural universal (Royaumont, 1978) de compreensão deste órgão. Um elemento natural-cultural responsável talvez pelos símbolos descritivos dele, o cérebro, presentes em todas as culturas, 

São estes os sinais e sintomas ou patologias, aqui descritas por ordem de citação no referido texto: (1) febres (processo em que o cérebro e as medulas são cozidos - referido no Suwen (cap.35), além das febres intermitentes (encefalites, febre de origem central?) essa patologia está associada segundo esta referência, a problemas nos orifícios (incontinências, distúrbios da visão audição ou deglutição?); (2) os diversos problemas causados por “vento” já referidos; (3) dor de cabeça, dor nos dentes nas bochechas (trigeminalgia?); (4) vertigens com e sem liquido nasal  transparente e com coriza ou com líquidos amarelos cheirando mal (rino-sinusites?); (5)  fraqueza, adinamia, exaustão por ”vazio de essências ao nível do cérebro” (típico sintoma de diversas patologias inclusive neuropsiquiátrica); (6) ataque fulminante associado à dor no coração atingindo pés e mãos; (7) dor de cabeça constante (enxaquecas?). Os termos entre parêntesis com interrogação são interpretações do presenta autor.

No capítulo que analisa “textos médicos da dinastia Qing”, Vallée refere que as essências dentro da cabeça permitem o bom funcionamento do mental e da consciência ...”penetradas de Luz (Jing Ming) permitem a verdadeira inteligência e aos “Espíritos” iluminar os órgãos dos sentidos e o pensamento. Adiante explica: “o cérebro desenvolve as atividades psíquicas e mentais em função do bom estado do Coração, Fígado e Rins. (p.120-121) Neste mesmo capítulo menciona ainda a célebre “amnésia da infância” (descrita detalhadamente por S. Freud ao longo de sua obra) e os casos de agenesia cerebral (malformações do tubo neural?), e retardos do desenvolvimento mental. (p.121).

 Nessa última categoria é bem divulgado, o texto do “livro do imperador amarelo” que relaciona a idade dos pais à vitalidade dos filhos. O que na medicina hegemônica cosmopolita é um fator reconhecido tanto por obstetras como por geneticistas. (Martins, 2022)

Este capítulo sobre patologias do cérebro poderá ser expandido reconsiderando a proposição do estudo do efeito de pontos específicos por associações clínicas e anatômicas a partir de artigos específicos e/ou recomendações de apostilas didáticas e manuais para formação de acupunturistas. Contudo, numa perspectiva etnológica pode ser bem mais compreendido e com resultados clínicos mais eficazes se identificarmos as patologias aqui descritas, na ótica chinesa, ou seja, de quem as descreveu, naturalmente superando a barreira dos idiomas e culturas. 

Questões metodológicas

Em outro texto analisando as dificuldades do ensino – aprendizagem da acupuntura no ocidente transcrevi: o idioma (língua) segundo Matoso Camara Jr. apresenta-se como um microcosmo da cultura ...”tudo que a cultura possui se expressa através da língua; e esta é em si mesma um produto cultural”. Sem resolver tal paradoxo não há de se ter uma perfeita compreensão da cultura chinesa e de suas tradições. Há que se buscar uma cooperação entre essas ciências. Como disse o mestre Lévi-Strauss, se houvesse uma correspondência absoluta entre a língua e a cultura, os antropólogos e linguistas já teriam se dado conta disso. (apud: Costa, 2010)

Diante de tais dificuldades e inquietações, o aforismo hipocrático nos traz certa conformação: “a arte é longa e a vida breve”...Porque etnologia e linguística? Por que se trata da tradição ou de uma outra cultura e outro idioma. Porque, antropologia e história?, por que, diga-se de passagem, um ditado chinês “o passado é um país que não mais existe”. Estudamos a China Imperial e distintas dinastias, além de ser uma arte médica feita e refeita nos quatro cantos do mundo. Esta, a meu ver, é a razão para privilegiarmos a antropologia médica (estrutural, etno-linguística, antropologia da saúde etc.), Etnologia para melhor compreender a MTC e a acupuntura, sobretudo as razões desta arte - técnica pouco se transformar ao longo de milênios.

Assim sendo recomendo-me, contemplo, e admiro o trabalho da Professora Elisabeth Rochat de la Vallée, que nos proporcionou a principal fonte deste estudo, embora saiba que somente a prática clínica (o que se aprende com cada paciente) traz o sentido. Mas reafirmo a suposição de que uma teoria etnomédica (sino-antropológica) associada, pode nos auxiliar a melhor compreender e organizar os 101 caracteres da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) que ela propõe como conceitos-chave. (Vallée, 2019)

Certa feita calculei que um especialista em MTC, que reconheça o nome original dos pontos e meridianos da acupuntura, o nome das principais síndromes de acordo com os princípios do Yin/Yang e Cinco Elementos (ou movimentos - 五行wǔxíng) e pelo menos o nome de uma centena de plantas, ervas e formulações chinesas deve reconhecer uma média de 500 "ideogramas". Por outro lado, segundo o Instituto Confúcio da UNESP, considera-se que alguém que domine a língua chinesa escrita, conheça em torno de 2.000 "ideogramas" (Costa, 2010)

A Consciência e o Coração

Apesar da importância de abordarmos o tema da consciência e percepção, num estudo sobre o cérebro e sistema nervoso, por hora deixo apenas anotado a importância que ela evidenciou da percepção interpretando o “valor” do olho (orifício yang), o olhar como porta de entrada do cérebro e do coração. O olho enquanto lugar de acumulação dos "Mai” (caminhos) ancestrais – convergentes, juntamente como a luz do ouvido - palavra sem som, mencionada por C. G. Jung (1875 – 1961) no livro “O Segredo da Flor de Ouro", a porta de entrada ou, o acesso à essência da psique. Uma análise desta concepção do modo ocidental implicaria em toda uma revisão da concepção de consciência, percepção e emoção na ótica ocidental-psicanalítica, o que, por sua complexidade, merece um estudo específico.

Transcrevendo literalmente o parágrafo do citado livro comentado por Jung, apenas para destacar a importância da relação percepção / e órgãos dos sentidos:

Há uma luz do olho e uma luz do ouvido. A luz do olho é a luz unificada do sol e da lua, fora. A luz do ouvido é a semente unificada do sol e da lua, dentro.... Ambas têm a mesma origem e apenas se diferenciam pelo nome. Por isso a compreensão (ouvido) e a clareza (olho) são, ambas, uma e a mesma luz atuante. Do Tai I Gin Hua Dsung Dschi, Jung, 1992 p.112

Para entender a relação mente- coração ou transtornos mentais e emoções, atente-se para o aviso de Vallée para acupunturistas, de que o pensamento claro e a cólera ou violência da ira/irritabilidade não correspondem exatamente ao Fígado ( gan) e ao Baço-Pâncreas ( pí). Se assim entendermos (apressadamente) estaremos seguindo o caminho da medicina ocidental, analítica especializada em órgãos e segmentos metabólicos. Na Medicina Tradicional Chinesa quando se se fala do Coração, se fala da pessoa ou tudo que compõe o Ser. (Vallée oc. p. 127)

A MTC trabalha com "sopros" ( Qi), não é o Fígado que está com raiva, é a pessoa. O equilíbrio deve ser reconquistado pela análise da relação entre os elementos. No caso o sopro da madeira em relação ao fogo...etc. E especialmente quanto, a categoria nossa conhecida na Bahia, (Br), o "vento” no cérebro, ou outros fatores perversos (patogênicos), temos que: segundo Valllée, os fatores patogênicos residem (invadem) "lugares" pelo fato de lá haver uma insuficiência: ...”quando os "sopros" que sobem estão em insuficiência, o cérebro não está impregnado daquilo que faz sua plenitude”.

Para compreender "insuficiências" ou fluxos de ascendentes ou descendentes temos que recorrer a textos básicos de acupuntura tipo o "livro dos 4 institutos" elaborado pelo Ministério da Saúde da China, ou dezenas de outros bons manuais que pelo menos trazem os nomes originais dos jīng Canais (Meridianos), pois comoveremos a lógica de seus nomes, corresponde a lógica da relação entre eles.

Somente para ilustrar e dimensionar a complexidade dessa tarefa (aprendida normalmente em cursos de um a dois anos) e deixar claro que na MTC, não há como separar a mente do corpo com todos os seus órgãos e vísceras. Elaboramos as gravuras (aqui mostradas) com cerca de meia centena dos ideogramas essenciais a compreensão das relações mente – corpo ou mente-cérebro-espírito.

O nome dos canais e a direção (ascendente ou descendente) são indicados pelas setas e os seus nomes-ideogramas compõe-se do nome dos órgãos e a circulação do Qi “energia” ou sopros que circula sequencialmente. Tài - Maior ; Shǎo - Menor ; Jué – Atenuado ou Terminal;  e míng – brilhante ou pleno. (ver ilustração)

Lembrado ainda da observação de Vallée, de que os sopros Yang que sobem a partir do tronco e vem até a cabeça, e os sopros Yin ao subir vem a ser, de certo modo um Sopro Yang, por assumir características Yang de “energizar” ao conduzir os necessários líquidos nutritivos (Yin).

O que no ocidente denominamos como emoção, para cujo estudo inclusive há vários modelos teóricos conflitantes, na MTC corresponde a atividade de órgãos específicos em relação a totalidade do organismo, ou melhor da pessoa, como dito antes por Vallée, reagindo simultaneamente a fatores externos, tipo estações do ano ou momentos do dia-noite, como forma de adaptação.   

Da mesma forma a psique, espírito ou shén; (abrigado pelo Coração / "Espírito Supremo") é traduzível por atividade de pensamento, consciência, auto - percepção, sentimentos, tudo o que depende do coração (no sentido poético e popular deste), sem estar, entretanto, dissociado dos demais órgãos. Por esta relação também são denominados como Cinco Espíritos (五神 wu shen), organizados conforme o referido ciclo yin/yang e/ou dos 5 movimentos (五行 wǔ xíng) do pentagrama. Sendo hún – alma etérea pertencente ao fígado; Yi intelecto, foco, processamento de informações associado ao Baço Pí; Pó, a "Alma Corpórea" associado ao pulmão (Fèi) ligada aos instintos de sobrevivência, sensações físicas, ansiedade, calma; Zhì força de vontade, determinação de metas planejamento associado ao rimShèn. (Maciocia, 2015)

Portando o "Shén" () indica também, como diz Maciocia, o complexo de todos os cinco aspectos mentais e espirituais de um ser humano, ou seja: o próprio Shén, o Hun, o Po, o Yi e o Zhi. Sua relação é o que se traduz como "Espírito". (Maciocia, 2015)

Interessante registrar, sendo válida ou não a hipótese da existência de um contato entre médicos ou da medicina da Grécia com China (Needham; Gwei-Djen). Que também na Grécia antiga a compreensão que se tinha do cérebro, não explicava o fenômeno dos sentimentos e emoções.  Hipócrates (460 - 370 a.C) e Aristóteles (384 - 322 a.C.) divergiam quanto ao papel central do Cérebro vs. Coração. Para Hipócrates o cérebro era a sede da inteligência, da consciência e das emoções. Para ele, o coração era um órgão importante, mas secundário no processamento mental. Aristóteles, por sua vez, defendia que o coração era o órgão mestre. Como o coração é central, move-se e é quente, Aristóteles concluiu que ele deveria ser a sede da alma (psique), dos sentidos e do intelecto. O cérebro, para ele, servia apenas para resfriar o sangue.

A concepção aristotélica foi tão forte que só começou a ser derrubada de fato no Renascimento, especialmente quando William Harvey provou a circulação sanguínea em 1628.

Naturalmente há muito ainda há muito ainda a se dissertar sobre a dinâmica dos sentimentos e os meridianos, inclusive equacionando a forma de intervenções do que consideramos transtornos mentais, e o potencial terapêutico da acupuntura e MTC. Apesar da ampla produção de artigos relacionado tratamento sintomas como ansiedade, insônia, depressão, dependência química à drogas, alguns manuais de acupuntura a exemplo do livro dos quatros institutos adotam a terminologia psiquiátrica tradicional, com termos como histeria, mania, psicose entre outros. Possivelmente a inclusão do sistema da classificação de patologias na concepção da MTC a ser incluída no CID-11 (Classificação Internacional de Doenças - 11ª Revisão) nos auxilie a elucidar tal questão. (Reddy; Fan, 2022)

Aguardando: “Elisabeth Rochat de la Vallée. Duplo Aspecto do Coração e as Emoções na Medicina Chinesa. SP: Editora Inserir,2020” p rever 


(nao) encéfalo, cérebro (o sistema nervoso central)

Segundo Vallée, neste livro que estamos estudando para este ensaio, o ideograma de cérebro ( Nao) na sua constituição está relacionado a cabeça (crânio) e corpo. Numa perspectiva da filologia, ou de evolução da linguagem, corresponde mais a descrição de partes do corpo que das idéias médicas, de modo que associações à forma e função do órgão foram desenvolvidas posteriormente. Inclusive é possível assim se constatar historicamente, de forma análoga o que ocorreu com o vocábulo grego encéfalo ou enkephalos (ἐγκέφαλος), que significa literalmente "o que está dentro da cabeça". Assim como com a palavra cérebro, que vem do latim cerebrum, com o mesmo significado de conteúdo ou parte da cabeça, teria surgido a partir da partícula Indo-Europeia “ker”, que pode ser traduzida por “o alto da cabeça” somada ao sufixo – brum ou -bhero significa “levar”.

O Cérebro compreendido como "mar de medula" 髓海 - suǐ hǎi na Medicina Tradicional Chinesa, por sua vez já expressa, características fisiológicas ou funcionais do órgão e relação como os outros órgãos e sistemas do corpo, pois é compreendido como um dos quatro mares, como veremos.

 

No “Livro do Imperador Amarelo”,- o “Huang Di” (黃帝) “Nei Jing” (内經) – Ling Shu - Capítulo 33 Hai Lun. Lê-se sobre os Quatro Mares:

 

O Imperador Amarelo perguntou a Qibo: "Ouvi teu discurso a respeito da terapia de puntura, e o que disseste não discordava das energias dos canais Ying e Wei. Já que os doze canais se conectam internamente com os cinco órgãos sólidos e com os seis órgãos ocos, no exterior com a ligação das quatro extremidades e das juntas, podes coordenai-as com os quatro mares?"

 

Qibo respondeu: "No corpo humano, existem quatro mares e doze canais. Os doze canais fluem em todas as direções, mas finalmente convergem aos quatro mares; existe o mar do leste, o do oeste, o do sul e o do norte, por isso se chamam quatro mares".  Bing Wang. p.654-655

 Em outros capítulos do Huang Di Nei Jing Ling Shu, o Cânone Espiritual da Medicina Interna do Imperador Amarelo, os quatro mares são listados da seguinte forma: Mar de Qi; Mar de Grãos e Fluidos; Mar de Sangue e Mar de Medula. Segundo McAlister, esses “mares” ainda permanecem um tanto enigmáticos no campo da medicina oriental, pela simples razão de que são descritos no texto original nos termos mais minimalistas possíveis e quase exclusivamente em termos de sua patologia. (McAlister, 2014)

Um conhecido site de difusão e cursos de acupuntura, o “Yin Yang House” assinala que esta classificação se integra a outras teorias que agrupam pontos de acupuntura com base em suas funções e/ou outras relações com ênfase prática clínica e informações diagnósticas, portanto são usadas, juntamente com outras teorias e não mencionadas (Yin Yang House, 2026)

No caso do mar de medula, como vimos em Vallée os sintomas que se manifestam em caso de depleção, correspondem de certa forma à descrição geral dos sinais e sintomas de problemas neurológicos e como observa McAlister, típicos também do envelhecimento tais como: tontura, zumbido nos ouvidos, perda de visão, sensação de vertigem, dor nas pernas, letargia e sonolência.

Segundo a Yin Yang House e o Livro dos Quatros Institutos os pontos do Mar da Medula são (VG 20 百會 Bai Hui, e VG 16 風府 Feng Fu).

Sendo o VG20 indicado para distúrbios mentais, apoplexia, dores de cabeça, tontura, vertigem visual, obscurecimento da visão, zumbido no ouvido, obstrução nasal, dor no vértice, insolação, convulsões entre outras indicações. Sendo o VG16 風府 cujo ideograma-nome significa porta ou palácio do vento, é o ponto principal para o vento, seja externo ou interno, afetando particularmente a cabeça e o pescoço. Indicado para cefaleia por vento-frio, rigidez na nuca, aversão ao vento; bem como tontura, vertigem, dormência, espasmos e tremores segundo a Yin Yang House. O livro dos 4 institutos apresenta para este as mesmas indicações que o VG 20.

Maciocia, ao descrever o “mar de medula” no capítulo “Função dos órgãos yang extraordinários (os quatro mares) ”, explica que cada um deles é ativado por pontos específicos superiores e inferiores. (Maciocia 2015 p.185). Poderíamos ainda incluir, de outros manuais, informações mais ou menos coerentes com estas, contudo não podemos esquecer da particularidade de cada diagnóstico, a especificidade de cada pessoa. A MTC assim como outros sistemas das medicinas orientais (a exemplo da Ayurveda) e antigas, feito a Homeopatia e Naturismo trata doentes e não doenças. 

Outra questão relevante, a ser melhor compreendida por estudo dos caracteres chineses é o sentido e uso do “ideograma” mar ( - Hé) nos pontos Shu Antigos (输穴 - shū xué). Apesar de usualmente ser traduzido por mar seguindo a metáfora ( Jǐng / Poço); Yíng (Manancial/Nascente): - Shū Riacho/ Transporte). Alguns dicionários (a exemplo do  Yabla Dictionary) o traduzem por reunir, ser igual a, unir, o todo (whole) distinto portanto de Mar Hǎi (oceano)

Como pode se constatar é esclarecedor a distinção por fontes originais os 5 pontos mar dos 12 meridianos principais; os pontos dos 4 mares e as próprias patologias associadas ao mar de medula, que como já explicado não corresponde exatamente ao que consideramos na medicina ocidental doenças neurológicas e psiquiátricas.

Observe-se também que a meta deste ensaio é a proposição de conhecer os clássicos da MTC destacando a importância dos caracteres chineses ou sinogramas, (embora aqui utilizamos indistintamente também o termo ideograma face a sua ampla divulgação). Tal conhecimento, supomos, aliado a uma investigação sistemática de resultados clínicos da acupuntura, pode constituir-se como uma forma de aperfeiçoamento e compreensão do que se classifica como patologia nos sistemas de classificação ocidental (CID).

Um mérito inquestionável do livro texto de Vallée é deixar bem claro que não podemos analisar o cérebro isolado dos demais órgãos fu extraordinários. A teoria da medicina tradicional chinesa utiliza esta categoria para classificação dos órgãos e vísceras do corpo humano, ou melhor utiliza dois caracteres zang e fu (fou), em chinês simplificado, e ; e em chinês tradicional: ; em pinyin : zang fǔ.

Órgãos Fu extraordinários por que apesar de possuir características comum aos Yin são destinados ao transporte a transformação, são extraordinários porque guardam, tesaurizam (cang ) as essências e as "reenviam sem jamais deixarem escorrer para o lado de fora (xie ), na concepção chinesa (entesouram). Sendo os seis órgãos yang extraordinários (ou 4 mares) o cérebro, a medula, ossos, "mai" (vasos da circulação vital), vesícula biliar e útero. Caracterizam-se como uma matriz (mares?), sua função constitutiva, reapresentações, manutenção da organização intrínseca da vida, a água e líquidos vitais (sangue, esperma) segundo Suwen 11 Vallée o.c. p. 47)

Maciocia descreve os seis órgãos yang extraordinários, (Útero; Cérebro; Medula; Ossos; Vasos Sanguíneos; Vesícula Biliar) como assim chamados porque funcionam como órgão Yin, ou seja, armazenam a essência Yin e não a excretam, armazenam algum tipo refinado de essência, tais como medula, bile ou sangue e, estão todos direta ou indiretamente relacionados com o rim,

Outro mérito notável é o destaque que apresenta sobre a natureza das essências Jing e a própria natureza da medula que se “acumula” no cérebro. A relação excesso (numa correta interpretação) e depleção.

Analisando o caractere medula ela demonstra a relação deste com a algo que flui, o que explica a relação com o “mar” e também com osso. A medula os ossos que também representam a capacidade de locomoção e postura Vallée assinala que o caractere osso inclui o ideograma carne (oc.p165). O que nos permite associar com sistema musculo esquelético, e alterações de postura e movimento cujas alterações são também típicas do envelhecimento e neuropatologias ou mesmo em em situações de vida e morte como observa McAlister. (oc.2014)  

Para concluir

O estudo do Cérebro nǎo, este misterioso órgão que é o encéfalo, um quase desconhecido também para nós ocidentais, compreendido como "mar de medula" 髓海 - suǐ hǎi na Medicina Tradicional Chinesa revela-se com essencial para o entendimento das evidentes relações na acupuntura com a neurociência. Não somente por contrapor-se a tendência de superespecializações tanto na medicina ocidental, decerto influenciando a formação de fisio-acupunturistas acupunturistas-psicólogos, dermato-esteticistas etc. evidenciando a demanda de compreender o ponto de vista, holístico, humanizado, (que vê doentes e não doenças) e próprio da medicina chinesa. Por isso mesmo requer um estudo indissociável de uma leitura linguística antropológica. A leitura do livro que tomamos como referência e motivo deste ensaio, sem trocadilhos, é um livro extraordinário, um texto guia para aventura transcultural de compreender antigos textos da medicina tradicional chinesa e atual pois não há retorno para difusão da acupuntura, resta a nós ocidentais e orientais desenvolver sua melhor utilização.    

Elisabeth Rochat de la Vallée. Fu Extraórdinários, o cérebro e outras funções essenciais na medicina chinesa - Qi Heng Zhi Fu 奇恆之腑 SP: Inserir, 2024

OUTRAS REFERÊNCIAS

Elisabeth Rochat de la Vallée. Os Fu Extraórdinários - Qi Heng Zhi Fu 奇恆之腑
http://www.elisabeth-rochat.com/docs/37_fu_extraordinarios_port.pdf

Elisabeth Rochat de la Vallée
Artigos, textos, imagens, divulgação de eventos, publicações, informações e links. Estudos dos textos clássicos chineses
https://elisabethrochat.blogspot.com/

Elisabeth Rochat De La Vallée
101 Conceitos-Chave da Medicina Chinesa
SP: Inserir, 2019

Alleton, Viviane. Escrita chinesa.RS: L&PM, 2010

China, Ministério da Saúde (Livro dos 4 Institutos, 1964) Fundamentos Essenciais da Acupuntura Chinesa SP: Icone, 1995

Costa, Paulo Pedro P. R. Aprendendo acupuntura no ocidente. Blog: Acupuntura, ciência & profissão, 2010 https://etnomedicina.blogspot.com/2010/08/aprendendo-acupuntura-no-ocidente.html

Dashtdar M, Dashtdar MR, Dashtdar B, Kardi K, Shirazi MK. The Concept of Wind in Traditional Chinese Medicine. J Pharmacopuncture. 2016 Dec;19(4):293-302. doi: 10.3831/KPI.2016.19.030. PMID: 28097039; PMCID: PMC5234349. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5234349/

Gomes Neto, Miguel; Silva Filho, Reginaldo de Carvalho. Estudo de Caso de Acidente Vascular Encefálico:o uso integrado da Técnica Xing Nao Kai Qiao. Revista Brasileira de Medicina Chinesa Ano X, n 31 https://www.ebramec.edu.br/wp-content/uploads/2020/09/RBMC-31.pdf

Jung, C. G. ; Wilhelm, R. (1929). Segredo da flor de ouro: Um livro de vida chinês
RJ: Vozes, 2013

Maciocia, Giovanni. Os fundamentos da medicina chinesa. SP: Roca, 2015

Martins, P. L., & Menezes, R. A.. (2022). Gestação em idade avançada e aconselhamento genético: um estudo em torno das concepções de risco. Physis: Revista De Saúde Coletiva, 32(2), e320218. https://doi.org/10.1590/S0103-73312022320218

McAlister, Chris The Four Seas – Part 1 and 2. NAJON North American Journal of Oriental Medicine Vol. 21, Vol 22; No.61 July, 2014 http://www.najom.org/

Needham, Joseph; Gwei-Djen; Lu. Celestial Lancets. A history and rationale of acupuncture and moxa. UK: Cambridge University Press 1980

Reddy B, Fan AY. Incorporation of complementary and traditional medicine in ICD-11. BMC Med Inform Decis Mak. 2022 Jun 30;21(Suppl 6):381. doi: 10.1186/s12911-022-01913-7. PMID: 35773641; PMCID: PMC9248085. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35773641/

Royaumont, Centro Para uma ciência do Homem. A Unidade do homem 3 V.v2 O cérebro Humano e seus universais. SP: Cultrix; EDUSP, 1978

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Yousef, Tareq.. Historical Depictions of the Brain: The Origins from the Non-Western World. J Undergrad Neurosci Educ. 2024 Dec 24;23(1):E1-E4. doi: 10.59390/ZTVE5756. PMID: 39810963; PMCID: PMC11728991. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11728991/

Yn Yang House. Four Seas Theory and Applications
https://theory.yinyanghouse.com/acupuncturepoints/theory_fourseas Acesso em Janeiro de 2026

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Ilustrações

髓海 Mar de Medula
ou das essências (
精神 Jing Shén)

- Nome dos jīng Canais (Meridianos) com setas indicando a direção do fluxo em relação a cabeça.

- Cinco aspectos (Cinco Espíritos) da Psique ligados aos órgãos Zang, psique (Shén, Po, Hun, Yi, Zhi)

- Ciclo das emoções associadas aos cinco elementos ou movimentos. (
五神 - Wǔ Shén)

Ideogramas dos 5 elementos e sentimentos/ emoções






quinta-feira, 22 de maio de 2025

Quiropraxia, reflexologia e acupuntura *


 Decerto há de se diferenciar a acupuntura da quiropraxia e reflexologia, face à exigências e demanda específica de cada formação profissional, contudo essas tecno-práticas (digamos assim), tem no mínimo o denominador comum do estudo dos reflexos (na ótica original de Ivan Pavlov) e/ou da neurofisiologia moderna. Além do que, analisando-se a acupuntura, o grande desafio é compreender a relação da bioeletricidade ou "condução eletroquímica nervosa" com a energia vital e/ou o qi ( chi) da Medicina Tradicional Chinesa (MTC).

A quiropraxia está associada a uma das profissões da saúde mais controversas e de mal definidas funções - os manipuladores de ossos [1]. Consta que a quiropraxia foi fundada por D. D. Palmer, (1845 - 1913), um curandeiro (norte americano) iniciado na magnetoterapia que formulou a teoria da subluxação vertebral, ou seja o desalinhamento mínimo das vértebras que, em tese, interfere na regulação/ fluxo nervoso [2]

A reflexologia, por sua vez, assim denominada, foi introduzida nos EUA em 1913 pelo médico William Fitzgerald (1872–1942), que teria iniciado sua prática a partir das observações realizadas no Hospital St. Francis de Connecticut (Estados Unidos), onde ocupou o cargo de chefe do departamento de otorrinolaringologia.[3] [4]

Observe-se que, a concepção de reflexo associado a contração muscular, é bem anterior à sua utilização por Fitzgerald, descrições já encontradas nos textos de Galeno (129 - 216 d.C.) , Descartes (1596 -1650)  [4] e que, práticas semelhantes à reflexologia podem ter existido em civilizações antigas, apesar de raramente serem referidas nas publicações "científicas" ocidentais, antes do início do século XX, apesar de bem documentadas nas histórias da Índia, China e Egito, por exemplo. [5]

O doutor Fitzgerald, juntamente com Edwin F. Bowers, são autores do livro "Zone therapy; or, Relieving pain at home" (publicado em 1917 por I. W. Long, Publisher (aqui disponível [7]), que, como o nome indica, destacava o efeito analgésico de estimulações em determinadas áreas (zonas) do corpo.

Outra suposição sobre origem da reflexologia (científica) vem do integrante do Hospital Laennec de Paris da década de 50, Louis Van Steen, que praticava a técnica de estimulação direta da coluna vertebral, tanto influenciado pelas concepções de dermátomos, como pela medicina chinesa divulgada na França por G. Soulié de Morant (1878-1955). Este autor nos aponta, como origem, o "Traité de reflexothérapie" de Albert Leprince (1924), e as contribuições do doutor Albert Abrams (1863–1924), autor do livro "Spondylotherapy, physio and pharmaco-therapy and diagnostic methods based on a study of clinical physiology" (publicado pela Philopolis Press em 1918), pelo que consta, inspirado nas técnicas da osteopatia e quiropraxia.[8] [9]

O Do In, de origem japonesa, e o Tui Na, de origem chinesa, são notavelmente semelhantes aos procedimentos de algumas explicações teóricas e técnicas também conhecidas como reflexoterapia (especialmente a auriculoterapia francesa e a reflexoterapia podal), embora fundamentem-se em concepções das tradições orientais relativamente próximas entre si, mas distintas das explicações científicas da medicina ocidental que abandonou as concepções de energia vital para explicar as doenças e a Vida.

Sabe-se que a origem das teorias que fundamentam a biomedicina ocidental concentram-se: na teoria da evolução por meio da seleção natural, com a publicação do livro "A Origem das Espécies" em 1859, por Charles Darwin (1809 – 1882), contrapondo-se ao "criacionismo"; na teoria dos germes (vide: Louis Pasteur - 1822 - 1895); e na possibilidade de síntese de compostos orgânicos demonstrada por Friedrich Wöhler (1800 -1882).

Nsse período entre finais do século XVII e início do século XX, além das teorias magnetistas, ou “mesmeristas”, (vide Franz Mesmer -1734 -1815) havia teorias animistas, algumas remanescentes das concepções alquímicas ligadas à química pré-Lavoisier, e à teoria vitalista “espontaneísta”, ligada à fisiologia clássica e à teoria “miasmática”.

As pretendidas disciplinas científicas e práticas, tanto das reflexoterapias, como da quiropraxia, tem sua origem nesse período de mudança paradigmática das concepções de energia vital e bioelectricidade ou "condução eletroquímica nervosa". Contudo permanecem relacionadas, de modo salutar, às concepções vitalistas.

O surgimento da psicologia científica de Wilhelm Wundt (1832 - 1920) e a Psicanálise de Sigmund Freud (1856 - 1939), relacionando o estudo da percepção, consciência e psicopatologia à jovem neurociência do século XX, apesar da sua importância para compreensão dessas tecno-práticas (a reflexologia e quiropraxia) e da própria acupuntura aplicadas ao tratamento dos transtornos mentais, face à sua relevância e complexidade serão abordados em outras publicações deste blog. (inicialmente ver: “energiapsíquica”, 2021)

Observe-se também que, como referido, exigências "teóricas" e demandas específicas de cada formação profissional, diferenciam a quiropraxia das reflexoterapias tidas por alguns setores da comunidade científica como pseudociência, e não integrante à neurofisiologia dos reflexos condicionados de I. Pavlov (1849-1936) [10] ou estudo dos reflexos segundo a neuropsicologia e neurociência contemporânea.

Madel Luz assinala que a partir da segunda metade do século XX, há um retorno das medicinas vitalistas, à racionalidade médica da biomedicina, que se ocupa de diagnoses de patologias com suas técnicas em evolução contínua, mas que ainda são iatrogênicas e "não os curam (proporcionando uma qualidade de vida saudável). Torna os indivíduos adictos à drogas farmacêuticas e exames diagnósticos. [11]

Observe-se que tais exames cada vez mais dependentes de alta tecnologia, por sua vinculação ao complexo médico industrial urbano, não são acessíveis à maioria das populações rurais e excluídas por faixa de renda ou classe social.

As antigas tradições orientais são mais próximas da nossa concepção de vida saudável, sonhada pela "contracultura", a uma medicina preventiva relacionada ao saneamento básico, preservação ecológica, em harmonia com a natureza, o Tao () e a energia vital, como referido - o qi ou chi () da MTC associados à valores éticos da dignidade. Segundo Svoboda e Lade também relacionados ao "prana"  –  a força vital ou energia que sustenta a mente, o corpo e o espírito [12]

Referências

1.Pettman E. A history of manipulative therapy. J Man Manip Ther. 2007;15(3):165-74. doi: 10.1179/106698107790819873. PMID: 19066664; PMCID: PMC2565620. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2565620/ Acesso, Maio. 2025

2. Homola S. Chiropractic: history and overview of theories and methods. Clin Orthop Relat Res. 2006 Mar;444:236-42. doi: 10.1097/01.blo.0000200258.95865.87. PMID: 16446588. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16446588/ Acesso, Maio. 2025

3. Modern Institute of Reflexology. History of Dr. William Fitzgerald MD https://www.ocr.edu/history.html Acesso, Maio. 2025

4. Pessotti, Isaias. Pré história do condicionamento. SP: Hucitec, 1976

5. IIR - International Institute of Reflexology. The History of Reflexology

6. Vicki Pitman, Kay MacKenzie, Nelson Thornes. Reflexology: A Practical Approach, p. 185,

7. Zone therapy; or, Relieving pain at home by Fitzgerald, Wm. H. (William Henry Hope),
b. 1872; Bowers, Edwin F. (Edwin Frederick), b. 1871 https://archive.org/details/zonetherapyorrel00fitziala

8. Van Steen, L. O reflexo vertebral, técnica das percussões e terapêutica. SP, Andrei, 1983

9. Abrams, Albert, Spondylotherapy. Physio and pharmaco-therapy and diagnostic methods based on a study of clinical physiology. USA, Cal: Philopolis Press em 1918 https://archive.org/details/spondylotherapyp00abraiala/ Acesso, Maio 2025

10. Nobel Prize Ivan Petrovich Pavlov Nobel Prize in Physiology or Medicine 1904.

11. Luz, Madel. Natural, racional, social: razão médica e racionalidade moderna. Rio de Janeiro : Fiocruz : Edições Livres, 2019.

12. Svoboda, Robert; Lade, Arnie. Tao e Dharma, Medicina Chinesa e Ayurveda. SP: Editora
Pensamento, 1995

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* Desenvolvido por Costa, Paulo Pedro P. R
a partir de suas contribuições feitas aos verbetes:


Reflexologia (psicologia)

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ilustrações a partir básicamente de  https://www.sciencephoto.com/

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quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Aura humana, fluidos, energia.

  Uma interpretação transcultural

Persiga-a e ela sempre escapará de você;
fuja dela e ela sempre estará lá
(Huang-po, mestre zen chinês do século IX)

A palavra "aura" tem origem grego latina (Lat. aura/aether; Gr. aura/aither), e significava um vento brando e aprazível, aragem. Em medicina designa a sensação que precede uma crise asmática ou epiléptica. No espiritismo foi definida como a "atmosfera fluídica" em que vive o homem. Fluido, por sua vez, corresponde ao éter propriamente dito, em conexão com os raios cósmicos – de fluxo vertical, e os raios magnéticos, horizontais (campos) dos vegetais e (por extensão) acidentes geográficos e/ou geomagnéticos. (Toledo, 1964).

Numa perspectiva de comparação transcultural, o éter (em grego clássico: αἰθήρ, æther) é um elemento formador das regiões do universo situadas além da esfera terrestre, na física aristotélica, é relativamente distinto dos outros quatro elementos (ar, fogo, água e terra) formadores do nosso mundo. Na cosmologia indiana o Éter, akasha  (em sânscrito: आकाश) é um termo para o espaço ou o éter juntamente com Vayu (ar), Tejas (fogo), Jala (água) e Prithvi (terra).

Curiosamente o sistema chinês (Wu Xing) “substitui” o éter por “madeira” ( mù), considerando os outros quatro elementos tal e qual os indianos e gregos, quanto ao fogo (), terra () e água (), considerando também como equivalentes o metal () e o ar (), pois este é o elemento do pulmão ( fèi) ou mar da respiração, região do jiāo () superior do meridiano “tríplice aquecedor” (三焦) e/ou do mar de Qi  (ch'i), a energia celestial.

O ‘magnetismo’, por sua vez, corresponde às primeiras acepções médicas europeias do período de concepção do lebensmagnetismus (magnétisme-animus) hipnotizador idealizado por Franz Anton Mesmer (1734-1815), da eletricidade animal descrita por Luigi Galvani (1737-1798) e da elaboração da doutrina espírita pelo magistrado, Alan Kardec (1804 -1869). (Hothersall, 2006; Doyle, 2011)

Gerber, o célebre autor do best seller Medicina Vibracional, observa que muitos cientistas e historiadores consideram erroneamente as experiências de Mesmer como hipnose, assinala também que as pesquisas de Mesmer, cuja teoria é bastante parecida com os conceitos da medicina astrológica desenvolvida por Paracelso (1493-1541) envolveram tanto o uso de imãs como a imposição de mãos ou toque terapêutico – e que a cura pelas mãos é típica de muitas técnicas de curandeiros, referida no papiro de Ebers, do antigo Egito (1552 a.C.), na Bíblia, na Grécia antiga, descrita por Aristófanes (447-385 a.C.) e inclusive nos recentes estudos feitos sobre curandeiros/as famosas como Olga Worrall, (1906-1985) e outros por  Bernard Grad (1920-2010) da Universidade McGill no Canadá. (Gerber, 1997)

Ainda segundo Gerber, para Mesmer os imãs usados na terapia serviam essencialmente para conduzir um fluido etérico que emanava e seu corpo e iria produzir efeitos curativos sutis nos pacientes. A esse fluido vital denominou “magnetismo animal” diferenciando-o do magnetismo mineral ou ferromagnetismo apesar da crença que estes possuíam uma natureza similar.

O "magnetismo" ou força magnética humana, na concepção espírita, envolve, a vontade (desejos), as ações (atos ou comportamentos) e o pensamento (Toledo, 1964), ou seja, os aspectos qualitativos e quantitativos da energia psíquica (Jung, 2002). Segundo Jung esta energia não é uma mera irradiação da excitação, mas uma escolha dos conteúdos psíquicos excitados, determinados pela qualidade de um núcleo de “complexos”, ou agrupamentos de elementos psíquicos reunidos em torno de conteúdos afetivamente acentuados, o que foi designado como “complexos” na psicologia analítica, e é uma escolha de conteúdos simbólicos (pensamentos) que não podem ser, naturalmente, explicados em termos energéticos, pois a explicação energética é quantitativa e não qualitativa. (Jung, 2002)

Por outro lado, estudos experimentais com imãs, feito os realizados por Carl Reichenbach (1788-1869), que identificou que alguns humanos (médiuns) conseguem localizar campos magnéticos, de imãs ocultos em salas na escuridão absoluta, nos remetem a dimensão quantitativa, biofísica da energia circulante no corpo humano. A energia resultante da bioeletricidade cérebro/ cardíaca e do aumento de temperatura associado à febre ou atividade metabólica.

Por analogia identificam-se polaridades magnéticas no campo termoelétrico do corpo humano. Até que ponto comparáveis às descrições dos meridianos chineses e aos aspectos Yin, Yang da energia? As propriedades elétricas diversas das áreas adjacentes os acupontos: condutância elevada, menor resistência, padrões de campo organizados e diferenças de potencial elétrico.

Para Laplantine a metodologia de análise comparativa, se confunde com a própria antropologia e é uma das mais ambiciosas e exigentes, assinala o risco etnocêntrico de pensar ser universalidades culturais as categorias lógicas provenientes apenas da sociedade e cultura do observador, mas não invalida a comparação de achados etnográficos realizados após a laboriosa identificação da lógica própria da sociedade estudada (etnologia).

Ainda sobre o método comparativo, Lévi-Strauss observa que a comparação de modelos estatísticos, resultantes da descrição de muitas culturas (casos) e mecânicos resultantes de análises aprofundadas de um caso, corresponde às diferenças entre a etnografia, história, ambas baseadas na coleta e organização de documentos, enquanto que a etnologia e a sociologia ou antropologia fundamentam-se na análise dos modelos construído a partir e por intermédio dos documentos coletados e organizados. (Lévi-Strauss, 2008)

Assim sendo, devemos procurar na construção do(s) modelos(s) da aura humana nas fontes históricas de formação do espiritismo/espiritualismo bem como os processos de aculturação e difusão cultural identificando a contribuição original e própria de cada cultura, parafraseando Lévi-Strauss ...a civilização mundial só poderia ser a coligação de culturas, preservando cada qual sua originalidade...



REFERÊNCIAS

Doyle, Arthur Conan. História do espiritismo. SP: Ed. Pensamento, 2011

Gerber, Richard. Medicina Vibracional: uma medicina para o futuro. São Paulo: Cultrix, 1997.

Hothersall, David. História da psicologia. SP: McGraw-Hill, 2006

Huang-po apud: Shaun McNiff. (1995). Auras and their medicines. , 22(4), 297–305. doi:10.1016/0197-4556(95)00025-z
 
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/019745569500025Z

Jung, Carl G. A energia psíquica. RJ: Petrópolis, 2002

Lévi-Strauss, Claude. “Raça e História” in Antropologia Estrutural II Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1976

Lévi-Strauss, Claude. A noção de estrutura em etnologia. In: Antropologia Estrutural. SP: Cosac-Naify, 2008

McAlister,  Chris. The Four Seas (part one). NAJOM vol. 21 n 60, p.20-22. March, 2014

Raicik, A. C. (2020). Galvani, Volta e os experimentos cruciais: a emblemática controvérsia da eletricidade animal. Investigações Em Ensino De Ciências, 25(1), 358–383. https://doi.org/10.22600/1518-8795.ienci2020v25n1p358

Scognamillo-Szabó, M. V. R., & Bechara, G. H.. (2001). Acupuntura: bases científicas e aplicações. Ciência Rural, 31(6), 1091–1099. https://doi.org/10.1590/S0103-84782001000600029

Smoot's class. Aristotle's Physics
https://aether.lbl.gov/www/classes/p10/aristotle-physics.html

Toledo, Wenefeldo de. Passes e curas espirituais. SP: Ed. Pensamento, 1964
http://espiritismoativo.weebly.com/uploads/3/1/4/5/31457561/passes_e_curas_espirituais__wenefredo_de_toledo_.pdf

Tsoucalas, Gregory; Sgantzos, Markos. Electric current to cure arthritis and cephalaea in ancient Greek medicine. Mediterr J Rheumatol 2016; 27(4): 74-79 http://www.mjrheum.org/december-2016/newsid792/60

Wong, Ming. Ling-Shu, base da acupuntura tradicional chinesa. SP: Andrei, 1995

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Discriminação das gravuras

A-B - Linha vertical, mediana do equilíbrio
C-D - Linha horizontal, mediana do homem
E - Centro mediano, ponto de equilíbrio da horizontal
F-G - Raios de força - paralelas verticais
H-I -Raios de força - paralelas horizontais
J-K - Corrente centrípeta, corre por fora
L-M - Corrente centrífuga, corre por dentro
N-O - Nuance interespacial das duas correntes
P-Q - Reflexos das vibrações do Espírito
R-S - Períspirito, ou duplo do homem
T-U - Aura material (fluido branco azulado)
V-X - Aura intelectual ou de amor (azul claro)

1 - Aura espiritual (toma a cor dos pensamentos)
2 - Atmosfera fluídica do homem
3 - Luz amarela -alaranjada do espírito quando em vibrações provindas de altas esferas espirituais

(Toledo, 1964).

Esquema dos plexos nervosos vistos de perfil e representação pictórica dos chakras e mapa dos meridianos

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VER TAMBÉM

O movimento das cinco estações
http://etnomedicina.blogspot.com/2011/03/o-movimento-das-cinco-estacoes.html



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domingo, 6 de outubro de 2024

Concentração, meditação, psicoterapia.


 


Há tantas formas de meditação*, quanto de psicoterapia**. Alan Watts comparando a psicoterapia com as técnicas de meditação (os caminhos de libertação como ele as denominou) observa que ambas têm dois interesses em comum: primeiro, a transformação da consciência, o sentimento íntimo da existência de cada um; e, segundo, o desligamento do indivíduo de formas de condicionamento impostas pelas instituições sociais.

Em suas palavras:

...o budismo - e o mesmo se pode dizer de certos aspectos do hinduísmo como o vedanta e a ioga, e do taoísmo na China - não é uma cultura, mas uma crítica de cultura, e uma permanente revolução não violenta ou "oposição leal" à cultura à qual está ligado. Isso dá a esses caminhos de libertação alguma coisa em comum com a psicoterapia além do interesse em mudar estados de consciência, pois a função do psicoterapista é provocar a reconciliação entre sentimento individual e normas sociais sem, no entanto, sacrificar a integridade do indivíduo. O psicoterapista ajuda o indivíduo a ser ele mesmo e a viver a sua vida sem causar ofensa desnecessária à comunidade, a viver no mundo (da convenção social) e não contra ele... (Watts  Cap. 1 do livro “Psicoterapia e Libertação”, p.21...)

Entretanto nas tentativas de redução da psicologia à neurologia, e a mente ao corpo, em determinada condição sócio econômica ou cultura (como ele mesmo (Watts) observa) não são totalmente infrutíferas e abriram caminho para a grande revolução dos psicofármacos utilizados na psiquiatria desde a década de 50 (no séc. XX) e mesmo às ainda incipientes explicações do uso de substancias psicodélicas nas tradições etnomédicas e religiosas. A exemplo do uso da Jurema nas tradições de indígenas brasileiras; cogumelos e outras plantas enteógenas na cultura asteca ou o uso Ayahuasca na macro-etnia neo-incaica que se estendeu dos Andes à Amazônia. (Hofmann, Schultes)

Para Schultz atenção é uma função mista entre o afeto e relação volitiva e o componente fundamental da concentração (Schultz p. 368). Johannes Heinrich Schultz (1884-1970), foi um psiquiatra alemão que com o seus estudos e método de treinamento autógeno trouxe grande compreensão sobre a natureza da atenção plena (mindfulness), o domínio do tônus e tensão muscular e autocontrole obtido pela Yoga, apesar de suas limitadas contribuições à concepção oriental, étnica do “yoga” e sua difusão no ocidente.

Demonstrou o valor de práticas simples da observação da respiração, batimentos cardíacos e das sensações corporais de peso, calor para o autocontrole. Contudo devemos a outro neurocientista de língua germânica – Sigmund Freud (1856-1939) - uma melhor compreensão entre as relações volitivas (a consciência) e os afetos, sobretudo afetos em sua dimensão consciente e inconsciente. Explorou e propôs intervenções clínicas nesse aspecto qualitativo e quantitativo da energia psíquica (o que hoje podemos rever como energia vital) em seu inconcluso “projeto de uma psicologia científica” (1856-1939) também traduzido como “proyecto de uma psicologia para neurologos” e diversos textos de psicanálise. Observe-se os “caminhos” da irrupção dos sintomas ou formas que assumem as fantasias, sonhos e as alucinações.

O ideograma  chán, escolhido como símbolo de uma das escolas/templo de práticas do budismo na China, significa concentração meditativa em tradução para o chinês, direta do sânscrito dhyāna (ध्यान). Na Índia a meditação deve ser aprendida por quem deseja obter a concentração suprema (samādhi - समाधि) junto com outras práticas como disciplina (niyama); refreamento (yama); posturas (asanas); ritmo da respiração (pranayama); concentração (dhāraṇā - धारणा).  (Eliade)

Segundo Cheng podemos distinguir três fases da introdução do budismo na China desde os finais da dinastia Han (entre séc. III e IV) à sua plena assimilação e florescimento na dinastia Tang (nos séc. VII e VIII). É nesse derradeiro período a Sutra do Nirvana, promotor da escola com esse mesmo nome na China, segundo ela, o “vazio” (vacuidade) e a natureza-do-Buda (presente em cada um) tratada nessa sutra nada mais é que o “Eu” verdadeiro, e o nirvana (samsâra) o itinerário que leva a essa união final com o Buda. (Cheng).

NOTAS

* Numa tentativa generalizante de descrever, conceptualizar “meditação” diante da diversidade de formas podemos considerar: a observação concentrada na respiração e no fluxo do pensamento em imagens e palavras pensadas/recordadas (diálogos consigo mesmo). Para, como dizem os chineses, encontrar a imortal flor-semente do corpo do homem. A superação do mundo como descreve o antigo texto: “O segredo da Flor de Ouro” (Tai I Gin Hua Dsung Dschi) pois há uma luz do olho e uma luz do ouvido e semente é a luz em forma cristalizada. (p.112)

Jung, Carl Gustav. Wilhelm, Richard. O Segredo da Flor de Ouro, um livro de vida chinês. Petrópolis, RJ: Vozes, 1992

** Segundo Cordioli ...na atualidade, existem mais de 250 modalidades distintas de psicoterapias, descritas de uma ou de outra forma em mais de 10 mil livros e em milhares de artigos científicos relatando pesquisas realizadas com a finalidade de compreender a natureza do processo psicoterápico.

Cordioli, Aristides Volpato e col. Psicoterapias: abordagens atuais. Porto Alegre: Artmed, 2008 APUD: CFP – Conselho Federal de Psicologia. Ano da Psicoterapia. Textos geradores: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2009/05/Ano-da-Psicoterapia-Textos-geradores.pdf


REFERÊNCIAS

Cheng., Anne. História do pensamento chinês. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008, p.414

Eliade, Mircea. Yoga, imortalidade e liberdade. SP: Palas Atenas, 1996

Freud, S. Projeto de uma psicologia científica de Sigmund Freud (1950, 1895) Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. V,I.

Hofmann, Albert; Schultes, Richard Evans.  Plantas de Los Dioses, las fuerzas magicas de las plantas alucinógenas. Mexico, Fondo de Cultura Económica, 2010

Schultz, J.H. O treinamento autógeno, (1932). SP, Mestre Jou, 1967 p. 368

Watts, Alan W. Psicoterapia oriental e ocidental. RJ: Record, 1972

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  Pinyin: chán

English Definition: dhyana (Sanskrit); Zen; meditation (Buddhism)
https://www.purpleculture.net/dictionary-details?word=%E7%A6%85

 
 xiǎng -  pensar; acreditar; supor; desejar; querer;
https://www.purpleculture.net/dictionary-details/?word=%E6%83%B3


冥想
 míngxiǎng - meditar; meditação
https://www.purpleculture.net/dictionary-details?word=%E5%86%A5

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Ideograma (caligrafia)

Guia Conhecer Fantástico.
A fascinante história do budismo
SP: Sindicato Nacional dos Editores de Livros, 2016

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VER TAMBÉM

ACUPUNTURA DE CHAKRA
Gabriel Stux, M.D. / Tradução: Paulo Pedro P.R. Costa

Costa, Paulo Pedro P. R. Acupuntura, ciência e profissão, 2013
http://etnomedicina.blogspot.com/2013/06/acupuntura-de-chakra.html

O "yoga psicodélico"
uma estratégia para interpretação das relações entre a acupuntura e psicoterapia

Costa, Paulo Pedro P. R. Acupuntura, ciência e profissão, 2014
http://etnomedicina.blogspot.com/2014/03/acupuntura-yoga-psicoterapia.html 

Treinamento autógeno e auto-controle

Costa, Paulo Pedro P. R. Saúde & Comportamento, 2014
http://medicinacomportamental.blogspot.com/2014/03/treinamento-autogeno-e-auto-controle.html

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