sábado, 5 de setembro de 2009

China & Índia



É notável a semelhança entre a medicina tradicional chinesa e ayurveda. Logo de início se vê a semelhança entre os cinco elementos e a equivalência da circulação vaso governador - vaso concepção (Du mai – Ren mai) e os canais ida e pingala. A semelhança com a medicina dos humores grega, especialmente os 4 elementos e as duas forças Kaos & Kosmos) também não é fruto do acaso.

Muitas outras semelhanças ou aproximações como os conceitos de Nadis e Marmas, respectivamente comparáveis à pontos e canais ou meridianos podem ser registradas. A primeira vista, na perspectiva desse recorte artificial que a antropologia médica faz do real isso se deve (com exceção dos achados referentes à Grécia) à unidade da Ásia.




Uma das descrições mais conhecidas entre nós é a dos chakras ou cakras melhor descrito no ocidente segundo Eliade, 1972 na tradução do Sat-cakra-nirûpana de Arthur Avalon em 1919 (Avalon, A. The serpent power. Londres-Madras, 1919). Descrições e ilustrações criadas a partir de antigas gravuras indianas dos chakras de diversas procedências são também muito conhecidas (pouco estudadas) e amplamente divulgadas. Aqui no ocidente se associaram aos estudos e concepções religiosas do espiritismo, o que pretendemos abordar em outra ocasião. Na concepção indiana, segundo Svoboda & Lade o corpo físico a energia e fluidos caminham através de canis visíveis (como nervos e vasos sanguíneos), enquanto o "prana" corporal vital (outro conceito sobre o qual se estabelecem paralelos ao Chi (Qi - "氣") da medicina tradicional chinesa) caminha através de condutos e plexos sutis chamados de Nadis e Chakras respectivamente (p.94). Marma é o nome dado ao ponto do corpo humano sob o qual os canais vitais se interceptam. (p.96)

Em seu Livro Tao e Dharma de Robert Svoboda e Arnie Lade (ed. Pensamento, SP, 1998) exploram as semelhanças e diferenças desses dois sistemas etnomédicos, seus autores comentam a acupuntura dos médicos tradicionais e tratadores de elefantes dessa ilha, quase indiana, que é o Sri Lanka (Ceilão), com influência chinesa, mas ressaltam que, embora as doutrinas chinesas e indianas partilhem temas comuns (destaca as semelhanças entre Chi e Prana), são essencialmente únicas, e seus conceitos não podem ser intercambiados na totalidade.

A pratica clínica e a experiência do médico ou terapeuta tem sido o método sob o qual se construiu até meados do século XX a ciência médica ocidental, possivelmente ainda temos muito a aprender com tais experimentos e registros médicos. Gabriel Stux, em artigo publicado no Medical Acupuncture, 1994, estende a aplicação tradicional de acupuntura por incluir o sistema indiano de chakra para diagnose como também tratamento. Em acupuntura de chakra, aparte dos pontos de acupuntura selecionados conforme a tradição chinesa, pontos de chakra adicionais são agulhados na área dos sete centros de energia. Assim o chakras são ativados e o fluxo de energia é estimulado.


Segundo ele essa técnica é uma expansão como também uma complementação da prática de acupuntura chinesa tradicional. Tem a possibilidade de aprofundar acupuntura clássica incluindo o sistema indiano de chakra, que na medicina indiana são centros de energia. Sete principais centros de energia se localizam na linha média do corpo, do perineum para o crânio. Além destes, há algumas dúzias de centros de energia menores de importância secundários que na maioria dos casos também correspondem com o local de pontos de acupuntura. Os chakras, porém, de modo semelhante aos Órgãos Chineses, possuem funções específicas cujas alterações podem ser diagnosticadas e tratadas através dessa técnica.

ver:
CHAKRA ACUPUNCTURE
Medical Acupuncture, 1994 Volume6/ Nº1 http://www.medicalacupuncture.org

e tradução, pelo presente autor: ACUPUNTURA DE CHAKRA

Eliade, Mircea. Yoga, imortalidade e liberdade, 1972. SP, Palas Athena, 1996

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