terça-feira, 5 de maio de 2015

Aforismos antigos, provérbios e conselhos para controle das emoções e manutenção da saúde nas tradições das medicinas chinesa, grega e semítica.

Na pretensão de tornar comparável a medicina tradicional chinesa à nossa prática atual da acupuntura, estudando sua história, torna-se quase que impossível não observar as aparentes semelhanças entre seus conceitos e os da antiga medicina grega. Especialmente a relação entre as narrativas que tomam os elementos da natureza: o fogo (火), a terra (土), o metal (金) e a água (水) e madeira (木) e os quatro elementos descritos na antiga Grécia: fogo (πῦρ pur); terra (γῆ ge); ar (ἀήρ aer) e água (ὕδωρ hudor) relacionáveis à estações do ano.

Por outro lado sabe-se que a comparação de povos distintos é o maior desafio da etnologia. Não há dúvidas também que somente com as ferramentas da etnologia / antropologia-histórica é que se pode ter uma visão da sociedade grega como um todo, e suas complexas divisões entre cidades-estados ou povos de origem como os Jônios (povo de origem de Hipocrátes e Epicuro) Eólios, Dórios e Aqueus, especialmente na área da etnomedicina e sua evolução até as nossa práticas atuais.

Comparando as tradições ocidentais com as da antiga China observou-se que o nexo estabelecido entre estações do ano e patologias é nitidamente explorado, como causa potencial, tanto na medicina tradicional grega como chinesa (ver artigo). O mesmo pode ser dito quanto a atribuição de importância às emoções no processo saúde-doença nas “sobrevivências” judaico cristãs das medicinas semíticas (ver artigo).

Estendendo um pouco mais a pretendida comparação de “incomparáveis” (segundo Detienne) analisa-se o conjunto emoções - conceito essencial para entender a lógica das doenças na medicina tradicional chinesa – descritos por Epicuro com muito maior riqueza de detalhes que Hipocrátes embora este último já as aproximasse das modernas concepções de causa de doença mental ou psicossomática.

Epicuro, assim como Aristóteles, foi um filósofo com grandes contribuições à compreensão da lógica, afetos e emoções humanas. A escolha da descrição das emoções por Epicuro representando a concepção grega, se deve não só a atualidade da sua concepção mas também da importância se atribui hoje ao prazer e alegria tomados aqui provisoriamente como sinônimos.

Epicuro de Samos (em grego antigo: Ἐπίκουρος, Epikouros, 341 a.C., Samos — 271 ou 270 a.C., Atenas) deixou seguidores especialmente na na Jônia, região da costa sudoeste da Anatólia, hoje na Turquia onde viveu Hipocrates e o seu discípulo médico, Asclepíades de Bitínia (129 a.C. - 40 a.C.).

A Bitínia corresponde a antiga região do noroeste da Ásia Menor (Anatólia), Asclepíades por volta do sec. I a.C. influenciado pelo atomismo de Epicuro, realizou um revisão crítica à obra de Hipocrates quando se discutia a perspectiva empírica e dogmática da arte médica. Segundo Rebollo embora tenha se autodenominado um dogmático, afastou-se tanto dos dogmáticos quanto dos empíricos, para ele o empirismo médico sem teoria era um contra-senso, e as teorias dos dogmáticos eram erradas e inadequadas, pois não consideravam os fatos relacionados com os diferentes estados de saúde e de doença ou perda da vitalidade.

A classificação das “máximas”, provérbios ou pensamentos de Epicuro selecionados por emoções, subdivididas em: Raiva (怒 nù); Alegria (喜 xǐ ); Preocupação (ficar pensativo 想 - si); Melancolia/ tristeza (melancolia / mágoa 悲 bēi); Ansiedade (忧 yōu) / Medo (恐 kǒng), correspondentes à classificação chinesa dos 5 elementos e estações do ano associadas às cinco emoções/sentimentos referidos se deve ao pretendido esquema de interpretação do Livro do Imperado Amarelo - Nei Jing (内經).

Quanto a Aristóteles apesar da sua contestação a localização Hipocrática das emoções e sentimentos no encéfalo, suas contribuições à natureza da lógica, mitos e racionalidade humana foram essenciais ao desenvolvimento da ciência. Inclusive a medicina ocidental que pelo menos até o século XVIII se fundamentou no legado hipocrático, que chegou até nós, pelas revisões de Galeno (129 - 217), à luz de Platão (428/427 - 348/347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C.) . (Rebollo)

Diagrama que ilustra o "sistema fisiológico" humano na concepção de Galeno segundo C. Singer; Claudius Galen; human physiology, 1925 (wikimedia commons / wellcome images)


Enkéfalo - εγκέφαλος / Suǐ Hǎi - suǐ (髓 medula) hǎi (mar)

Aristóteles considerava o cérebro um órgão frio cuja função era refrigerar o sangue quente que sai do coração e sobe a cabeça na forma de exalação. No cérebro, os vapores seriam então resfriados e condensados, descendo para o corpo na temperatura requerida para manutenção da vida (sem febre). Para ele o coração era a sede da alma racional e o cérebro o órgão da sensibilidade, do movimento e do pensamento, onde são formados os espíritos animais. O pneuma movido pelo pulmão (ar respirado e gases exalados) é o que é responsável pela inteligência e fonação, ao entrar pela boca, nariz. É através dos etmóides que penetra na cabeça onde sua parte “mais ativa” produz, no cérebro, a inteligência. (Rebollo; Cairus)

Nesse aspecto são enigmáticas também as semelhanças entre esta concepção das três almas descritas por Aristóteles e as explicações chinesas das energia vital e suas manifestações (五 神 - 5 Shen), enquanto: Zhi (desejo, aspiração, vontade) que possui uma relação com os meridianos ou funções vitais do rim e bexiga; Hun (clareza, alma etérea) corresponde aos meridianos do fígado e vesícula biliar; Shen (o espírito) que corresponde a um maior número de funções visto que representa quatro meridianos: o coração, o san jiao traduzido literalmente por tríplice aquecedor, o pericárdio também chamado circulação - sexualidade e o intestino delgado; Yi (intenção, desejo, repreensão) corresponde aos meridianos do estômago e baço pâncreas e Po (alma corpórea) corresponde aos meridianos do pulmão e intestino grosso. (Costa, 2003)

A concepção de cérebro na medicina chinesa situa-se relativamente mais próxima ao elemento da vitalidade e espírito animal” descrito por Aristóteles. O cérebro ou em chinês Nao (腦) ou Suí Hai (suǐ hǎi) é um dos órgãos extraordinários mencionado na literatura clássica como um dos quatro mares (Ling Shu) uma fonte (local de armazenamento) do Jing (Energia ancestral) formado pelos rins.

O Nei King se refere a este como o mar de dentro, do interior, numa palavra que usualmente é traduzida como medula (marrow), possivelmente também interpretada como referência não anatômica (parte de dentro/ grande quantidade). Notavelmente similar ao elemento de ligação da alma com o corpo em grego (myeloú / μυελού) descrito por Platão como capaz de produzir e acumular sêmen sendo responsáveis pelas graves doenças da alma devido aos prazeres excessivos (Costa; Siqueira – Batista e Schramm)

As relações entre patologias e emoções nas tradições grego - hipocráticas em muito se assemelham (no mínimo etimologicamente) a algumas das nossas concepções modernas de medicina psicossomática. O conceito de melancolia (gr. melancholía) por exemplo foi retomado por Freud (1917) e a descrição em aforismo ainda lhe é precisa ..."se o medo ou a tristeza duram muito tempo, tal estado é próprio da melancolia"... As noções de paranoia (do grego para ao lado de, fora; e noia - de si) enquanto delírio associado à febre, e cólera (gr. chólera) enquanto agressão, ira (raiva) e distúrbio específico de um tipo constitucional de personalidade, requerem estudos mais específicos e extensos do que a simples descrição da emoção e seu contexto eliciador ou oposto (comportamento de auto-controle) como Epicuro e outros filósofos procederam.

Assim sendo embora Epicuro não apresente nexos de causalidade entre emoções e patologia e/ou especulações quanto a sua fisiologia, as descreve com exatidão sendo equivalentes ao que temos interpretado nas medicinas antigas (semítica e chinesa) que analisamos, e ao que denominamos hoje como prescrições de uma medicina comportamental como pode constatar nas máximas e provérbios que aqui se seguem:

Viver de acordo com a Natureza (phúsis/ physis - φύσις)

Se não executares sempre as tuas ações de acordo com a finalidade ordenada pela natureza, mas lhes deres anteriormente uma outra direção, elas não estarão concordando com o teu pensar racional, quer se trate de abstenções, quer de desejos (anseios).

Todos os desejos que não trazem consigo alguma dor, quando insatisfeitos, não pertencem àqueles cuja necessidade é incondicional. A ânsia neles contida desvanece rapidamente, quando se evidencia que não podem ser realizados ou até que podem ocasionar danos.

Raiva (怒 nù)

A divindade não conhece castigos, nem os transfere para outro ser, dela não fazem parte os sentimentos de ira e benevolência.

O homem sereno procura serenidade para si e para os outros.

Na discussão, o vencido obtém maior proveito, pois aprende o que ainda não sabia.

Quanto à sensação de segurança perante os homens, o poder e o domínio são bens dados pela natureza, a partir dos quais podemos proporcionar-nos segurança.

Alegria (喜 xǐ)

As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo.

O prazer não é um mal em si; mas certos prazeres trazem mais dor do que felicidade.

O desejo é a causa de todos os males.

Não podemos viver felizes se não formos justos, sensatos e bons; e não podemos ser justos, sensatos e bons sem sermos felizes.

O prazer é o primeiro dos bens. É a ausência de dor no corpo (aponia) e de inquietação na alma (ataraxia).

O apogeu do prazer será alcançado quando todas as dores forem eliminadas. Pois onde entrou o prazer não existem, enquanto ele reinar, nem dores nem padecimentos, ou até ambos.

Ansiedade (忧 yōu) / Medo (恐 kǒng)

A vida do justo é tranqüila, enquanto a do injusto perturbada por inquietações.

Somente o justo desfruta de paz de espírito.

Pelo medo de ter de se contentar com pouco, a maioria dos homens se deixa levar a actos que aumentam mais ainda esse medo.

Se aquilo que ocasiona prazer aos libertos eliminasse os receios do espírito, dos fenômenos da natureza, da morte e das dores, e se ainda ensinasse o conhecimento da limitação das ânsias, nada teríamos a desaprovar nessas pessoas.

Não se pode não ter medo quando se inspira o medo.

Aquele que conhece os limites da existência sabe do que pode obter para eliminar a dor das privações, não tem desejos nem se empenha em lutas vãs.

Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades.

Preocupação (ficar pensativo 想 - si)

A propósito de cada desejo deve-se colocar a questão: 'Que vantagem resultará se eu não o satisfizer ?'.

Só há um caminho para a felicidade. Não nos preocuparmos com coisas que ultrapassam o poder da nossa vontade.

Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou, é como se dissesse que ainda não chegou, ou que já passou a hora de ser feliz. ...

... Medita, pois, todas essas coisas e muitas outras a elas congêneres, dia e noite, contigo mesmo e com teus semelhantes, e nunca mais te sentirás perturbado, quer acordado, quer dormindo, mas viverás como um deus entre os homens.

Para concluir

Em uma perspectiva temporal tranquilamente pode-se atribuir ao Rei Salomão ou medicina semítica (900 a.C.), a precisão na descrição da relação entre emoções, comportamento e processo saúde - doença das tradições chinesas do Livro do Imperador Amarelo (200 a.C. - 200), e conhecimento galênico - hipocrático epicurista (406 aC. – 217) de origem da nossa medicina, mas difícil é estabelecer as rotas geográfico – comerciais destes contatos.

Por outro lado há diferenças extremas, tal como as concepções de eutanásia na própria Grécia antiga onde foi defendida por Platão e Epicuro e condenada por Hipócrates e Aristóteles, e diferenças complexas tais como as concepções de cérebro, alma, espírito.

O essencial desta proposição é o registro do valor isolado de cada um destes sistemas descritivos, talvez só compreensíveis assim, e seu valor enquanto formas semiótico operacionais (míticas) de controle do comportamento e intervenção no processo saúde doença. A pergunta que fica é se estamos diante de uma recorrência universal de valores lógicos e éticos ou como nos diz Lévi-Strauss, apenas ignoramos os aspectos morfológicos, estatísticos e sobretudo históricos dos grupos que elaboraram os referidos sistemas culturais.

Bibliografia

Epicuro (Ἐπίκουρος)

1 Teses fundamentais, aforismos da biografia de Diógenes Laércio. in Epicuro. Pensamentos. SP, Martin Claret, 2005

2 Epicuro Exortações; Frases escolhidas http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/epicuro

3 Epicurus. Vatican Sayings translated by Peter Saint-Andre (2010) http://www.monadnock.net/epicurus/vatican-sayings.html

CAIRUS, Henrique. A fisiologia do espírito na Grécia Antiga. Calíope, PPGLC-UFRJ, 2006 http://www.letras.ufrj.br/proaera/afisiologia.pdf

COSTA, Paulo Pedro P. R. O "mar de dentro" um estudo da concepção de cérebro, mente e espírito no sistema etnomédico chinês que teve como orientador: Jurecê Jorge Machado BA, Mimeo, Fevereiro de 2003). (Resumo: http://etnomedicina.blogspot.com.br/2009/09/o-sistema-etnomedico-chines.html)

COSTA, Paulo Pedro P. R. Aforismos antigos, provérbios e conselhos para manutenção da saúde na tradição e medicina semítica. Fevereiro de 2014 https://pt.scribd.com/costapppr

COSTA, Paulo Pedro P. R. Aforismos antigos, provérbios e conselhos para manutenção da saúde na tradição e medicina hipocrática. Abril de 2015 https://pt.scribd.com/costapppr

DETIENNE, Marcel. Os gregos e nós: uma antropologia comparada da Grécia Antiga. Tradução de Mariana Paolozzi Sérvulo da Cunha. São Paulo: Loyola.

FREUD, S. Luto e melancolia (1917). In: ______. Sigmund Freud Obras Completas. Vol. 12. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

GOLDIM, José Roberto, Breve Histórico da Eutanásia. Eutanásia Bioética 1997-2000 http://www.ufrgs.br/bioetica/euthist.htm Acesso Maio, 2015

GUIMARÃES, José Otávio Nogueira. Origens da antropologia da grécia antiga: Lévi-Strauss, Vernant e duas viagens de 1935 . Revista de História, Brasil, p. 39-50, jun. 2010. ISSN 2316-9141. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/19135/21198>. Acesso em: 05 Mai. 2015.

LEVI-STRAUSS, Claude A oleira ciumenta. Lisboa, PT. Edições 70, 1987

MARQUES, Marcelo P.. O conceito grego de natureza. Kriterion, Belo Horizonte , v. 48, n. 116, p. 505-509, Dec. 2007 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-512X2007000200017&lng=en&nrm=iso>. access on 05 May 2015.

REBOLLO, Regina Andrés. O legado hipocrático e sua fortuna no período greco-romano: de Cós a Galeno .Scientiae Studia, [S.l.], v. 4, n. 1, p. 45-81, mar. 2006. ISSN 2316-8994. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/ss/article/view/11067>. Acesso em: 05 Mai. 2015.

SIQUEIRA-BATISTA, R. e SCHRAMM, F. R.: Platão e a medicina. História, Ciências, Saúde. Manguinhos, vol. 11(3): 619-34, set.-dez. 2004.



domingo, 12 de abril de 2015

Acupuntura, chakras e a unidade da Ásia


O livro “Acupuntura e o sistema de energia dos chakras” de John R. Cross compara as abordagens da medicina tradicional chinesa e a acupuntura ocidental moderna com o sistema de energia dos chakras relacionado à filosofia ayurvédica. As dificuldades desta complexa comparação são superadas explorando, não a origem asiática dos sistemas etnomédicos enunciados, e sim sua relação com a prática clínica descrita segundo o paradigma científico, no qual se insere a medicina cosmopolita moderna com sua precisa descrição de patologias, plexos nervosos, glândulas e hormônios.

Uma forma lógica de compreender tais sistemas etnomédicos seria a abordagem histórico antropológica que se depara com a complexidade das interações entre tais povos ao longo dos milhares de anos de sua formação e contato, mas aparentemente interessa a Cross sobretudo, a sobrevivência enquanto conhecimento (um sistema semiótico) e prática médica (conhecimento empírico). Contudo não há como negar a demanda por uma abordagem simultaneamente sincrônica e diacrônica que este tema nos exige, sendo o sincrônico o aspecto estático estrutural do sistema e diacrônico tudo que diz respeito à sua evolução.

Por outro lado uma análise superficial da evolução desta medicina tradicional oriental sem dúvida se depara com dois centros ou conjuntos de crenças e práticas, que por sua vez poderiam ser subdivididos até a sua origem na civilização original, e se constituem no que hoje conhecemos e praticamos no ocidente como yoga/ medicina ayurvédica e acupuntura / medicina tradicional chinesa, apesar da diversidade sócio-cultural política e econômica dos cerca de 50 países que formam a Ásia no início do século XXI.

Este enigmático continente, aos olhos dos europeus e colonizados tem em comum a origem da civilização e se caracteriza como uma representação nossa do exótico oriente. A adoção de costumes e especiarias orientais não é nenhuma novidade para os ocidentais.

O estudo sobre a origem da civilização ocidental, a rigor não pode negar sua antiguidade oriental e relação com a China e Índia, o que se insere na perspectiva de uma análise na ótica da antropologia das civilizações letradas, e dispersão dos míticos indo-europeus unificados pelos romanos e cristãos em conflito com a expansão árabe e proposição do Islã. Fomos unificados pelo comércio (mercantismo), ciência (renascentista) e capitalismo industrial. O que se verifica numa perspectiva da moderna economia política que tenta decifrar os destinos das revoluções socialistas da Rússia e China e os divergentes Tigres Asiáticos (Cingapura, Taiwan, Hong Kong e Coréia do Sul - modelados pelo Japão?) como cenário do atual paradigma científico na Ásia (e no mundo moderno).

O desafio é analisar o maior dos continentes, do qual fazem parte mínimo metade da população do mundo e que conta atualmente 2.000 línguas, mas pode-se pensar numa unidade da Ásia por esses povos possuírem além de uma origem comum, muitos costumes semelhantes. Alguns possivelmente induzidos pelas grandes religiões (islamismo, hinduísmo, budismo, taoísmo, xintoísmo etc.) e entre estes costumes, de longe, se destaca a medicina tradicional.

São por demais conhecidas as semelhanças entre os conceitos da energia regulada por relações análogas as observadas entre os elementos da natureza água, fogo, terra, ar, éter (Índia) ou madeira (China) e desconhecidas as rotas de contato e dispersão entre culturas tão díspares como as Grécia, Índia e China.

Além do uso de plantas medicinais que se tornaram medicamentos ou ainda são consumidas in natura a própria acupuntura e yoga foram reintroduzidos na cultura ocidental com ampla dispersão no século XX. Tais sistemas, entretanto, foram mantidos em “compartimentos” estanques” apesar da origem comum e semelhança conceitual já demonstrada por muitos autores notavelmente Madel Luz (1988), Gabriel Stux (1994) e Svoboda, R. & Lade, A. (1998).

O livro de John R. Cross (2008) “Acupuntura e o sistema de energia dos chakras tratando a causa das doenças” recentemente traduzido (Lucimeire Sant’Anna) e lançado no Brasil (Editora Manole, 2010) corresponde a uma tese de doutorado apresentado a Britsh College of Acupuncture, em 1987, com o título de “O uso da acupuntura relacionado ao sistema de energia dos chakras” e essencialmente se constitui como um manual prático para quem já conhece e pratica arte médica da acupuntura e tem conhecimento das técnicas de meditação yogue.

Enquanto tese de doutorado, com se sabe, procede de uma cuidadosa revisão dos textos teóricos de tais práticas já utilizados no ocidente e países de língua inglesa. Seu autor, John R. Cross mora na Ilha de Skye (Escócia) prática e ensina medicina ortodoxa, tradicional (fisioterapia) e complementar há quase 40 anos. Entre seus interesses está o estudo da dor e doenças musculoesqueléticas.

Sua linha de interpretação da prática clínica que exerce, se insere nitidamente no plano das comparações de tais técnicas com a reflexoterapia e controle/estimulação do sistema nervoso autônomo, observando a clássica correlação dos chakras com glândulas do sistema endócrino e emoções, entendidas mais como sentimentos acessíveis aos relatos verbais que comportamentos.


Explora simultaneamente, embora brevemente, as concepções e possibilidades de interpretação espiritual enquanto aura ou energia etérea/eletromagnética e a intervenção biomagnética nas distintas regiões do corpo denominadas chakras na tradição indiana, com respectiva correspondência aos pontos de acupuntura. Com excelentes ilustrações, é por excelência uma recomendação que não se fundamenta apenas no exercício clínico, mas também na interpretação de tradições milenares tomadas como parâmetro, organizadas na forma de prescrições de fácil verificação, em uma forma de prática clínica que paulatinamente vem se consolidando na medicina cosmopolita ocidental.

Referências

Luz, Madel T. Natural, Racional, Social ; Razão Médica e Racionalidade Científica Moderna, Rio de Janeiro, Ed. Campus, 1988

Svoboda, Robert; Lade, Arnie. Tao e Dharma, medicina chinesa e ayurveda. SP, Pensamento, 1998

Stux, Gabriel, Chakra acupuncture. Medical Acupuncture, 1994 Volume6 / Número 1

Said, Edward W. Orientalismo. O Oriente como invenção do Ocidente. SP, Companhia de Bolso, 2007

Ver também

Acupuncture and the Chakra Energy System: Treating the Cause of Disease
John R. Cross Google Books

John Cross Clinics & Publications
http://www.johncrossclinics.com

ACUPUNTURA DE CHAKRA
GABRIEL STUX, M.D. / Tradução: Paulo Pedro P.R. Costa


sexta-feira, 21 de março de 2014

Cérebro 腦,o mar de dentro 髓海

Uma busca de evidências da atribuição de funções ao órgão cérebro no sistema etnomédico chinês, semelhante as que a moderna neurociência ocidental considera como função do cérebro ou sistema nervoso, não pode deixar de avaliar as noções produzidas nos antigos escritos chineses. Consultamos para esse texto, basicamente o Ling Shu, comentado por Ming Wong (1995) e o Nei Jing (内經) - Livro do Imperador Amarelo comentado por Bing Wang.

Em chinês cérebro pode ser traduzido por Nǎo (脑) ou nos textos antigos Suǐ Hǎi - suǐ (髓 medula) hǎi (海 mar) onde a medula é a substância jīng (精 essência) que é produzida internamente pelo Canal de energia do Rim (腎- shèn). É descrito como um dos seis órgãos extraordinários mencionado na literatura clássica (Hiep, 1987) um dos quatro mares (Si Hai- 四海 ) segundo (Wong, 1995)

O Nei King se refere ao cérebro como o mar de medula, aonde literalmente (lat. medulla) significa interior, possivelmente também interpretada como referência não anatômica (parte de dentro, como adotamos nesse trabalho) ou mais exatamente (talvez) como uma observação sobre a quantidade de sua matéria constituinte - a substancia branca (mielina e outros constituintes básicos como fosfoglicerídeos, colesterol cerebrosídeos etc. de natureza lipídica e coloração próxima do branco presente em maior quantidade no interior do crânio). Assim, pode se interpretar o que se lê no capítulo 33 do Ling Shu: "os mares são os locais de reunião da medula, do sangue, da respiração ou energia, dos líquidos e dos alimentos.” (Wong, 1995) Os outros 3 mares são: o mar de Sangue (Xue); o mar de Respiração; o mar de líquidos e alimentos.

Para compreender a natureza dos mares (numa perspectiva êmica ou do entendimento de quem assim designou) temos que recorrer sem dúvidas aos textos antigos do diálogo entre Imperador Amarelo que perguntou ao seu ministro Qi Bai - ...O mestre une o homem ao céu e aos quatro mares. Qual a relação entre eles? Obtendo a seguinte resposta: ...- "é preciso compreender claramente o Yin e o Yang, o interno e o externo e a localização dos pontos Rong e Shu a fim de determinar os "quatro mares"...(Wong, 1995)

Sabe-se que os pontos Shu na acupuntura, correspondem a regiões onde se concentra energia, são sensíveis à palpação, e a dor local indica uma alteração no órgão correspondente. Os pontos Rong (Roé) correspondem a pontos especiais com funções específicas (Machado; Sussmann) Na tradução que utilizamos do Ling Shu de Ming Wong traduz-se entretanto Shu como ponto de transporte - usualmente grafados como Luo.

De qualquer forma o texto que corresponde a descrição dos pontos Rong e Shu do "mar da medula" dá margem a várias interpretações como pode ser visto nessa reprodução integral que se segue:

..."No cérebro acha-se o mar da medula seu ponto de transmissão, em cima está colocado sobre o Gai (tampa) ou ápice do crânio; em baixo sobre o Feng Fu (habitáculo do vento) o ponto nº16 do Vaso Governador"

Em termos de neurofisiologia a estimulação de VG20, Bǎi Huì (百會) o ponto do ápice da cabeça corresponde aos territórios do nervo trigêmeo (ramos supra - orbitário e auriculo-temporal respectivamente da divisão oftálmica e mandibular do V par craniano) e do nervo occipital maior, que contém fibras de nervo raquidiano do segundo nervo cervical - C2. Os ramos do occipital maior do 2 nervo cervical e terceiro ramo occipital do 3 nervo cervical inervam a pele na região de VG16 - Fēng Fǔ 風府.(Chen, 1997) Uma correspondência à estimulação dos núcleos da ponte e áreas associadas ao controle da respiração, postura, vômito e regulação orgânica no tronco cerebral, em tese, pode ser testada como efeito dessa estimulção(?).

Enquanto símbolo (integrante sistema coerente de conceitos etnomédicos) sobretudo o Bǎi Huì (百會 - cem reuniões ou encontro de todos) possui uma função similar ao chakra da flor de mil pétalas e temas que se repetem nas mitologias asiáticas representando a sede da compreensão, destinos do Kundalini ou das "medulas" (Jing Qi) através da portas e palácios do meridiano do Vaso Governador ou Du - 督脈 (assim são denominados alguns de seus pontos).

A conexão do "mar de medula" com pontos do vaso governador também nos permite estender a este "órgão" as mesmas funções do sistema da pequena circulação Yin - Yang (vaso da concepção - vaso governador). Contudo como a medicina tradicional chinesa baseia-se na observação empírica, não poderia deixar de existir uma “clara” descrição de sua função verificada em afecções típicas como as que se seguem:

Lê-se no Ling Shu: ..." o mar da medula em excesso significa um relaxamento muscular que ultrapassa a medida"... O que pode muito bem ser referências ao coma, estupor ou paralisia flácida numa escala de gradações do relaxamento e ..."o mar de medula em insuficiência provoca zumbidos de ouvidos com atordoamento do cérebro. (vertigens). Observa-se dores intensas nas pernas, vertigens e perturbações na vista. O relaxamento incita ao sono"...

Também não é por acaso que o tratamento de acupuntura que utiliza os referidos pontos (VG20, VG16) destina-se a afecções neuropsiquiátricas (esquizofrenia, comportamento maníaco, depressão) manifestações neurológicas (apoplexia, afasia, hemiplegia, convulsão, falta de memória, cefaléia, tontura, tinnitus, obscurecimento da visão) e psicossomáticas (rigidez do pescoço, palpitação, prolapsos do reto e útero, febre) (Livro dos 4 Institutos; Machado)

Como todos os “órgãos” classificados na medicina tradicional chinesa como Fu (腑) (ID; VB; E; IG; B; SJ e Útero) o cérebro tem a função de receber, absorver (digerir), transmitir (excretar) opondo-se a função de armazenamento, produção de substancias essenciais dos órgãos Zàng (脏) o que também reforça a idéia deste como elemento de adaptação, conexão, também enunciada no Nei-ching e Su-Wen ao afirmar que o cérebro (mar de medula) articula as relações entre o Jing (energia ancestral que vem dos rins) e o Shén (神) a energia comandada pelo coração. (Livro dos 4 Institutos).

Sem pretender adentrar nas discussões filosóficas que cogitam a possibilidade do cérebro conhecer a si mesmo, reforçando a necessidade de modelos analógicos, metafóricos, é notável a semelhança da concepção chinesa com os modelos da neurofisiologia russa (pavloviana) especialmente quanto a ser esse órgão um elemento de conexão interior - exterior, observando-se porém que as origens e sistemas de referência conceituais desse (órgão / símbolo) são indiscutivelmente distintos. Interessante também é a recomendação do Imperador Amarelo quanto ao método de "observar-se" e conhecer o shen - a mente o espírito, que comanda o hsing (corpo) no Nei Jing (内經)

"O shen não pode ser escutado com o ouvido, o olho deve ser brilhante de percepção e o coração deve ser aberto e atento para que o espírito se revele subitamente através da própria consciência de cada um. Não se pode exprimir pela boca; só o coração sabe exprimir tudo quanto pode ser observado. Se presta muita atenção, pode-se ficar a saber subitamente, mas também pode-se perder de repente esse saber. Mas shen, o espírito, torna-se claro para o homem como se o vento tivesse varrido as nuvens. Por isso se fala dele como do espírito."

Observe-se também a semelhança com as técnicas de meditação e auto observação que, como comenta Eliade, conduziu a China ao desenvolvimento de uma psicologia que reconhece pelo menos 4 estados de consciência: a diurna; a dos sonhos; a do sono sem sonhos; e a "cataléptica" correspondente à “viagem à origem das coisas” (um estado completamente inerte sem aparência de ser vivo); experimentadas racionalmente após exercícios respiratórios e de atenção que permitem o acesso lúcido a cada um desses estados.

Sem as medidas do eletroencefalograma, somente possíveis em meados do século XX, os antigos chineses identificaram e possuíam propostas de intervenção nos fenômenos bio-elétricos atualmente mapeados por esse aparelho, inclusive dos estados de anestesia (ondas teta e delta), não mencionados por Eliade mas conhecido por faquires e acupunturistas. Exercícios de meditação relativamente semelhantes ao que conhecemos como técnicas de treinamento autógeno são conhecidos e amplamente divulgados com dezenas de variações em escolas indianas, chinesas e tibetanas principalmente.

As técnicas de exploração da consciência – o conceito básico e essencial para compreensão da neurofisiologia e algumas práticas clínicas derivadas (neuropsicologia, neuropsiquiatria, psiconeuroimunoendocrinologia, etc.) também aproximam a medicina tradicional chinesa das demais medicinas orientais e das proposições terapêuticas da reflexologia. O mesmo pode ser dito do conceito de “atenção”.

Destaque-se porém que o princípio de se obter conhecimento a partir da introspecção pode ser a diferença essencial que talvez explique a natureza da intuição que orientou a série de descobertas e domínio de funções cerebrais como nos exemplos citados, nas técnicas de controle da mente e comportamento.

Não se pode esquecer também que a etnomedicina asiática identificou diversas substancias psicoativas a exemplo das utilizadas na medicina tradicional chinesa tipo: o Ma Huang (Efedra sinica), Pa-Kuo (Ginkgo biloba), Da-ma (Cannabis sativa); Ginseng (Panax de várias espécies), Jie Cao (Valeriana officinalis), as plantas absorvidas da Índia como a Papoula (Papaver somniferum) e o lendário soma da medicina védica, interpretado por Levi Strauss (1993) como sendo o cogumelo Amanita muscaria.

Deixando fora tanto o uso compostos psicoativos asiáticos e os princípios que nortearam os experimentos empíricos que resultaram na acupuntura (segundo Carneiro, 2000, uma técnica de neuromodulação capaz de intervir na regulação orgânica) para compreender a noção de cérebro na medicina chinesa é essencial compreender a sua própria noção (êmica) de Conhecimento e Sabedoria.

Alguns exemplos poderiam ser escolhidos de Lao Tsé, Confúcio ou do próprio Imperador Amarelo mas, esse achado do Bardo Todol (Livro III) em forma de preceito traduzido da língua sino-tibetana pode ilustrar a noção de conhecimento que utilizam:

"A melhor coisa para a inteligência inferior é ter fé na lei de causa - efeito.
A melhor coisa para uma inteligência comum é reconhecer nela, bem como fora dela, o jogo da lei dos opostos.
A melhor coisa para uma inteligência superior é ter plena compreensão que não se separa do conhecedor, do objeto do conhecimento e do ato de conhecer
."

Abismo conceitual

A aproximação entre uma teoria sobre a mecanismos de ação da acupuntura e fisiologia do sistema nervoso depara-se ainda com a ausência de um consenso no próprio ocidente, entre as teorias ou mecanismos de explicação neuropsicológica e mesmo fisiológica do cérebro.

A integração de distintos sistemas teóricos como por exemplo psicanálise - reflexologia; reflexologia - behaviorismo (medicina comportamental) ou entre a concepção de um cérebro réptil no modelo triúnico de Paul MacLean e os modelos funcionais de Luria / Anokhin (unidades de regulação de tonus e vigília - recepção armazenagem de informações - programação, verificação de atividades) ainda vai exigir considerável esforço e tempo, quanto mais uma integração entre sistemas teóricos concebidos em princípios cognitivos de culturas distintas.

O conhecimento oriental do cérebro e suas funções

A noção antropológica de “invariante biológico” seja uma estrutura anatômica e sobretudo sua função (fisiológica), apesar das críticas dos etnógrafos quanto a sua aplicação e poder explicativo das normas culturais e crenças específicas, ainda é uma perspectiva segura de se comparar aspectos específicos dos sistemas etnomédicos.

Levi Strauss manifesta-se sobre a especificidade do biológico com a noção de zoema, ao comparar mitos sobre animais, segundo ele, essa classe especial de mitema ou elemento utilizado na construção dos significados do mito. Para ele um zoema corresponde a espécies de animais com uma função semântica que lhes permite manter invariantes a forma de suas operações no espaço em que, a geologia, o clima, a fauna e a flora, não são os mesmos" (Levi - Strauss, 1985).

O cérebro apesar de sua plasticidade, é sem dúvida um invariante biológico e talvez possa ser um elemento de comparação entre etnosistemas que privilegiem formas de intervenção equivalente à nossa neurociência e especialidades profissionais. (anestesistas, neurologistas, psiquiatras, psicólogos, fisioterapeutas etc.). Espero com essa descrição chinesa do “mar de dentro” ter contribuído para o entendimento do cérebro como um mitema ou elemento utilizado na construção de significados em distintas culturas e que essa utilização torne mais compreensível para nós as estranha concepções de chakras, meridianos, prana, qi, energia vital etc. aperfeiçoando a clínica.

Referências

Bardo Todol, O livro tibetano dos mortos. tradução Pugliesi, M. SP, Madras, 2003

Carneiro, Norton Moritz. Acupuntura baseada em evidências. Florianópolis, SC, Ed. do autor, 2000

Chen, Eachou. Anatomia topográfica dos pontos de acupuntura. SP, Roca, 1997

Eliade Mircea História das crenças e idéias religiosas Tomo II Vol I RJ, Ed Zahar, 1983

Hiep Nguyen Duc. The dictionary of acupuncture & moxibustion, a pratical guide to traditional chinese medicine.UK, Thorsons Publishers, 1987

Levi-Strauss, C. A Natureza do Pensamento Mítico, IN: A Oleira Ciumenta São Paulo, Ed Brasiliense, 1987

Lévi-Strauss, Claude. Os cogumelos na cultura. in: Lévi-Strauss, Claude. Antropologia estrutural dois. RJ, Tempo Brasileiro, 1993

Livro dos 4 Institutos – Escola de Medicina Tradicional Chinesa de Beijing; Escola de Medicina Tradicional Chinesa de Shanghai; Escola de Medicina Tradicional Chinesa de Nanjig; Academia de Medicina Tradicional Chinesa. Fundamentos essenciais da acupuntura chinesa. SP, Ed. Ícone, 1995

Machado, Jurecê J. Curso Básico de Acupuntura. BA, Edição do Autor, 1993

Sussmann, David J. Que é a Acupuntura? RJ, Ed Record 1973

WANG, Bing. Princípios de Medicina Interna do Imperador Amarelo (Dinastia Tang – Edição bilíngue). São Paulo. Editora Ícone. 2001

Wong, Ming. Ling Shu, base da acupuntura tradicional chinesa. SP, Andrei, 1995


Ver também

Dian Kuang - 癫狂
http://etnomedicina.blogspot.com.br/2011/09/dian-kuang.html

O SISTEMA ETNOMÉDICO CHINÊS
http://etnomedicina.blogspot.com.br/2009/09/o-sistema-etnomedico-chines.html

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http://pt.scribd.com/doc/213796591/Cerebro-o-mar-de-dentro


quarta-feira, 19 de março de 2014

O "yoga psicodélico" uma estratégia para interpretação das relações entre a acupuntura e psicoterapia


A propósito do artigo de Gabriel Stux (Acupuntura de chakra) aqui apresentado anteriormente, cabe essa complementação e explicação acerca de sua proposição de meditação sobre o fluxo dos chakras, que ao meu ver acrescenta outras possibilidades de entendimento e intervenção terapêutica.

A principal questão a esclarecer é que a meditação sobre os chakras na sessão de acupuntura, com ou sem a estimulação por agulhas, se trata de uma ação complementar à acupuntura por vezes até desnecessária. Muitas outras ações podem ser associadas tais como musicoterapia, diálogos com o paciente, que podem variar de um aconselhamento, à utilização de uma das técnicas de terapia da fala (talking cure) ou mesmo uma simples conversa informal, que sabemos que em consultório, nunca é tão informal assim pois sempre sofre influência do padrão de relação médico paciente estabelecido, como nos mostrou o Dr. Sigmund Freud (1856-1939) com o desenvolvimento da Psicanálise.

A título de complementação apresentaremos em seguir neste blog uma tradução, realizada por Ligia J. Caiuby publicado no Brasil (Bailly; Gumard, 1972), de um texto que foi publicado originalmente como um conjunto de folhas mimeografadas, distribuído gratuitamente, sem copyright algum no final dos anos 1960 na Califórnia (Erowid vault) e no jornal "underground" San Francisco Oracle, em março de 1967 (Bailly; Gumard, 1972).

Esse texto “Yoga psicodélico” se enquadra na controvertida proposição de psicoterapia originada em Harvard pelos psicólogos Timothy Leary (1920 - 1996), Ralph Metzner Ph.D. (1936) e Richard Alpert; (1931) bacharel em artes e doutor em psicologia, que, em 1966, publicaram “The Psychedelic Experience: A Manual Based on the Tibetan Book of the Dead” (A experiência pisicodélica, um manual baseado no livro tibetano dos mortos) que também toma como referência as técnicas de meditação e o conhecimento oriental.

Psicoterapia psicodélica refere-se à prática terapêutica envolvendo o uso de substancias psicoativas específicas conhecidas como "psicodélicas", "alucinógenos" ou "enteógenos". Tal designação é construída funcionalmente, a partir de propriedades específicas e contexto de uso do grupo drogas classificadas farmacologicamente como psicodislépticos, particularmente com ação serotoninérgica, tais como: LSD, psilocibina e DMT. O uso do termo psicodélico (do grego: ψυχή - psiké / alma e delos δήλος – revelação/manifestação) enfatiza a possibilidade que essas substancias proporcionam para facilitar a exploração da psique, o que é fundamental para a maioria dos métodos de psicoterapia.

Cabe aqui o esclarecimento que tais procedimentos não foram legalmente instituídos pelos órgãos de regulação e controle profissional do Brasil, e que a maioria das substancias empregadas com esse fim também são de uso restrito ou proibido no país, e que também ainda não se formou um consenso quanto à forma do método terapêutico ou linha teórica de atuação, apesar de já existirem diversas pesquisas apresentado resultados terapêuticos com emprego de cada uma dessas substancias.

Diversos protocolos de pesquisa vêm sendo desenvolvidos a exemplo Psicoterapia com LSD o “LSD – assisted psychotherapy” do Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies (MAPS) ou o “Psilocybin Cancer Project” do Departamento de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da Johns Hopkins School of Medicine, em pessoas sofrendo de ansiedade associado à estágio avançados de doenças terminais e ainda as proposições de intervenção que vem sendo desenvolvidas em centros para tratamento e recuperação de drogadição a exemplo do Centro Takiwasi no Peru.

Observe-se também que se no atual paradigma científico considera-se legitimo pesquisar a natureza do chakras descrevendo a “sensibilidade espontânea ao estímulo” ou a “resistência elétrica” das regiões anatômicas de sua interferência ou contato com o corpo físico, assim com se faz com os pontos de acupuntura. É igualmente legítimo, nos termos das produções da comunidade científica do paradigma vigente, uma análise feita da percepção de tais estruturas descritas na tradição védica, com alterações da percepção e consciência do observador. Analisando-se posteriormente os relatos verbais, do que pode ser designado em termos psicológicos como unidades de sensação (conteúdo objetivo da experiência imediata) e afetos (sentimentos subjetivos).

Apesar de não distinguir as distintas substancias psicodélicas entre si - um procedimento inaceitável em nossos dias, face ao nível de entendimento que já possuímos das suas características bioquímicas e tipo receptores ou locais de ação no Sistema Nervoso Central. O autor, nos alerta quanto ao uso destes psicotrópicos sem orientação e descreve com precisão as estruturas e fenômenos que podem ser denominado chakras, sob efeito das faculdades, segundo ele, mais espirituais e mais poderosas do homem que são a consciência e a atenção.

O artigo em questão, como veremos, vai mais além do paradigma materialista ao propor os campos e registros akáshicos como possibilidade de atuação das substancias psicodélicas e integração das vivências experimentadas com o comportamento na vida cotidiana, consolidando o processo terapêutico. Nessa perspectiva a medicina oriental, assim como outros sistemas etnomédicos (xamânicos) não se limitam a cura do corpo físico, ou resolução de uma patologia tal como nós ocidentais compreendemos o processo saúde – doença, ampliando a pretensão da intervenção à transformações de personalidade, ampliação da consciência e conquistas, quem sabe, da imortalidade.

Assim sendo bem vindos ao texto: de Sri Brahmarishi Narad:



O YOGA PSICODÉLICO

As drogas psicodélicas aumentam a sensibilidade de impalpáveis forças espirituais e psíquicas, e estas aceleram o fluxo de impressões que vêm das mais profundas camadas da consciência; só estas considerações bastam para provocar a seguinte pergunta: como controlar e compreender as forças desencadeadas por estas drogas?

É evidente que, se nada as orientar, elas farão mais mal do que bem. A prática das técnicas de meditação do Yoga tradicional durante uma experiência psicodélica oferece a possibilidade de se encontrar a solução deste problema.

Além do mais, a filosofia do Yoga ensina que as faculdades mais espirituais e mais poderosas do homem são a consciência e a atenção. A característica fundamental do livre arbítrio humano é sua escolha de "objetos" aos quais se prenderá sua atenção - devendo esta ter sempre um pólo de atração, mas um pólo que temos liberdade de determinar.

Todas as práticas do Yoga dão testemunho da experiência direta da essência dessa atenção e visam à sua descoberta. O yoguin procura descobrir .este princípio pelo qual todas as coisas são conhecidas.

Para ter sucesso nestas buscas, é necessário observar aquele que observa ~ quer dizer. fazer a atenção concentrar-se sobre si mesma. A princípio isto pode parecer muito abstrato e muito difícil de ser aplicado Mas existem métodos, submetidos à ação do tempo, que permitem atingir essa consciência pura. A prática repetida de tais métodos não pode deixar de dar resultados.

Durante uma sessão psicodélica. é preciso que não nos esqueçamos, em momento algum, de que todas as percepções, pensamentos e até alucinações com os quais fazemos a experiência sejam inteiramente criados por nosso espírito e nossa consciência e de que, para serem percebidos, devem passar por nossos próprios aparelhos de percepção.

Essas percepções representam a distribuição de nossas próprias energias psíquicas. Qualquer pensamento ou sentimento sobre os quais queremos fixar nossa atenção exigem energia. Seja qual for o objeto, a atenção produz, ao concentrar-se, um fluxo de energia mental e emocional sob a forma de harmônicas inferiores. Esses pensamentos e emoções sobre os quais se fixou a atenção adquirirão assim a energia que os manterá.

Agora é fácil ver que, para sermos senhores de uma experiência psicodélica, é essencial controlar o fluxo da atenção. É preciso começar por suprimir tudo o que puder distraí-Ia e, em seguida, orientá-Ia corretamente, praticando as técnicas de meditação do Raja Yoga.

Vamos agora descrever algumas destas técnicas, cada qual podendo ser utilizada sob a influência do LSD, da maconha, da mescalina, do DMT, do haxixe, da psilocibina e de todas as outras drogas que alargam o campo da consciência.

Antes de ir mais longe, qual é a primeira regra a ser lembrada em caso de paranóia ou de uma sensação aterradora tida enquanto estivermos sob a ação de uma droga psicodélica?

É preciso ter em mente que, em nossa consciência, passa ao mesmo tempo tudo aquilo sobre que estamos prestes a fazer a experiência - todos os nossos pensamentos e todas as nossas emoções. Em seguida, concentre sua atenção indivisa nessa consciência que percebe tudo o que acontece a você. Este procedimento libera a atenção dos pensamentos astrais e mentais, e faz a consciência voltar às suas primeiras origens.

Essas perniciosas formas de pensamento dissipam-se. São reabsorvidas pela energia vibratória homogênea da camada particular de energia psíquica que as havia produzido em primeiro lugar. A consciência que se observa brilha com urna luz intensa, que permite que se dissipem rapidamente as formas perniciosas de pensamento, pois as muito poderosas harmônicas inferiores, libertadas pela pura consciência, anulam suas vibrações discordantes.

Se, em dado momento da meditação, a atenção vaguear, será preciso imediatamente voltar à concentração no processo de meditação. Deve-se recomeçar todas as vezes que for necessário, até que a atenção acabe por fixar-se sobre o tipo de meditação que se pratica.

Aqueles que têm pouca experiência de meditação tendem a lutar contra a desatenção: esse esforço torna-se, em si,urna forma de desatenção. A atenção só pode fixar-se numa única coisa de cada vez. É, portanto, preciso simplesmente reconduzi-la ao objeto da meditação.

Outro meio de evitar as distrações é interromper provisoriamente a respiração e não inalar, nem expirar. Já que a respiração está intimamente ligada a todos os processos biológicos do corpo, a percepção da parada da respiração fixará a atenção, pelo instinto de sobrevivência que se criou durante milhões de anos de evolução ~ e assim a vagabundagem da atenção cessará. A partir desse momento, é fácil recomeçar a respirar normalmente e concentrar-se de novo no gênero de meditação praticado.

Dirija sua atenção indivisa unicamente para o centro do cérebro onde se situa a glândula pineal. Disponha-se a ouvir com atenção os sons que se produzirão.

Dentro de um momento, você ouvirá sons de alturas e timbres diferentes. A princípio, provavelmente. ouvirá apenas o silvo surdo do movimento fortuito das moléculas no ouvido, mas, pouca a pouco.. os sons se farão mais nítidos e se assemelharão às notas prolongadas de um órgão.

O som é percebido pelo cérebro e pelos corpos sutis, sem passar pelos órgãos físicos dos ouvidos. É o ruído das vibrações das correntes vitais da consciência, ao circularem através do corpo físico e dos corpos sutis.

A partir do momento em que isto se der, basta simplesmente que você os observe com atenção indivisa, como se olhasse atentamente um filme, no cinema.

Depois, de quando em quando, dirija sua atenção indivisa para o menor ponto que você puder ver no centro de seu campo visual e esforce-se por transpor esse ponto. Quando o conseguir, a luz jorrará desse ponto, acompanhada de um novo surto de energia psíquica, e você será levado a uma Freqüência vibratória (ou nível de força psíquica) mais elevada.

À força de praticar esta forma de meditação, você se sentirá mergulhado num fulgurante espaço de luz e se tornará o centro de irradiação dessa energia psíquica.

Um yogue experiente, concentrando sua meditação no Sahasrara chakra ou Lotus de Mil Pétalas, que se acha no alto da cabeça, pode liberar uma radiação de luz e energia psíquica ainda mais poderosa. ~ possível que seja necessário um trabalho intenso para que o chakra entre em atividade, e o principiante obterá resultados mais rápidos olhando pelo Ajna chakra, ou centro psíquico do terceiro olho.

Uma vez posta em ação, a roda do Sahasrara torna-se o chakra mais elevado; ele é chamado o limiar do infinito e o Brahmarandra, ou abertura do Brahma; é o mais poderoso e o mais espiritual de todos os centros psíquicos que possam ser despertados no homem, com a única exceção, talvez, do chakra do coração, ao qual certos yogues dão igual importância.

Quando o Sahasrara chakra está em pleno movimento, num mestre yogue ou num santo, o fogo místico do Kundalini cósmico desce em direção a ele e vem unir-se a seu próprio fogo. Kundalini que se ergue, e as radiações da Luz Clara do espírito estendem-se por quilômetros ao redor.

MEDITAÇÃO SOBRE O CENTRO PSÍQUICO DO, CORAÇÃO

Para praticar este gênero de meditação são necessárias as seguintes condições: você deve sentar-se num lugar tranqüilo e fixar sua atenção indivisa num ponto minúsculo ou "nó", que se acha no lado direito do coração e de onde irradia a força vital. Sinta a energia que ele encerra.

Imagine uma língua de fogo que tenha as cores do arco íris e que jorraria desse ponto, que é puro e transparente como o cristal. As cores múltiplas da chama não passam de diferentes frequências vibratórias das harmônicas inferiores liberadas pela essência cristalina infinitamente rápida do próprio Atman.

Lembre-se de que esse centro psíquico no coração é o Santo dos Santos, a morada da Divindade, a centelha divina no homem. O poder do amor que junta tudo no UM irradia desse centro.

A chama psíquica do coração desprende a força vital que mantém vivo o corpo físico e cada um dos corpos sutis. É transportada no corpo físico pelo sangue.

No corpo etéreo, ela circula pelos nós ou canais de energia sutil. No corpo astral, emite ondas de energia de cor maravilhosa, que correspondem às pulsações do coração. Essas ondas atingem os limites do corpo astral e voltam ao centro do coração, para daí de novo partirem.

No corpo mental, uma luz dourada irradia do centro do coração que. para a alma budista evoluída, é o brilho da Luz Clara da iluminação e do amor.

A meditação sobre o centro psíquico do coração desenvolve esta parte de nosso ser que é o amor e reforça e purifica as emoções. A faculdade de clarividência ou de sensação intuitiva torna-se, ela também, muito desenvolvida. Essa faculdade permite-nos sentir a energia psíquica sobre os níveis sutis, sem passar pelo sentido do tato físico. A sensação intuitiva torna os corpos sutis capazes de sentirem as formas vibratórias no espaço, independentemente do corpo físico.

A CONCENTRAÇÃO SOBRE A RESPIRAÇÃO

Este gênero de meditação exige apenas a observação do processo de respiração, sem tentar modificá-lo . Você deve simplesmente observar seu sopro, como entra e como sai. Deve, durante esta meditação, ficar sentado, de costas bem eretas, assim como durante todas as outras meditações. Assuma a postura do Lótus, se puder mantê-Ia confortavelmente, ou então sente-se de pernas cruzadas; ou ainda assuma a posição siddhasana, na qual uma das pernas fica sobre a barriga da perna e o tornozelo da outra perna. Algumas pessoas acham que ficar sentadas sobre os calcanhares, com os joelhos unidos na frente, é uma posição confortável para meditar.

A observação do processo de respiração acalmará o espírito e harmonizará os ritmos interiores do corpo. Quando nos concentramos unicamente na respiração, nenhuma distração mental ou emocional se torna possível: dá-se um estado de quietude interior, favorável às revelações psíquicas que se produzirão.

À medida que a meditação se desenrola, não somente você aspira o ar, mas cada poro, cada átomo de seu corpo absorverá também a luz vital do prana ou sutil energia eletromagnética.

O ritmo da respiração está inseparavelmente ligado aos processos metabólicos das células do corpo, uma vez que, para viver, cada célula precisa do oxigênio absorvido pelos pulmões e transportado pelo sangue até os tecidos corporais. Quando respiramos, absorvemos, com o oxigênio, uma substância ainda mais sutil, que se chama prana. Este prana ou força vital é necessário para manter vivo o corpo etérico; este último deve impregnar e estimular a vida celular do corpo físico.

A função do coração é enviar através do corpo o sangue que absorveu o oxigênio e o prana e depois trazer aos pulmões o gás carbônico que será expirado.

A saúde do sistema nervoso e do sistema glandular depende desse abastecimento de oxigênio e prana. São eles os instrumentos do homem, que preparam tanto para receber as forças espirituais que lhe vêm das mais altas dimensões como para pôr seu corpo em harmonia com elas.

A meditação sobre a respiração permite harmonizar o espírito e as emoções com os ritmos do metabolismo fisiológico que evoluiu durante milhões de anos.

O homem e seu corpo fazem parte do mecanismo dessa vasta máquina musical que é o universo.

Você obterá resultados semelhantes e igualmente poderosos se observar o ritmo das batidas do coração, ao mesmo tempo meditando sobre o centro psíquico do coração. Por meio do ritmo das batidas do coração, assim como pela respiração, podemos nos pôr em harmonia com os ritmos internos das células do corpo e também com fluxo rítmico, no corpo, da energia espiritual do prana.

Quando as funções do homem se harmonizam perfeitamente entre si, em todos os níveis ~ físico, etérico, astral, mental e espiritual ~ e quando se harmonizam com os ritmos do cosmo, ele pode atingir a iluminação, pois se torna o instrumento perfeito da força infinita do Atman único e sempre presente.

A concentração mental sobre a respiração é também muito útil para acalmar o corpo, as emoções e ,o espírito, antes de iniciar uma das outras meditações aqui descritas.

MEDITAÇÃO SOBRE OS CHAKRAS

É possível pôr os chakras em atividade dirigindo a concentração mental para os diversos pontos do corpo onde eles estão localizados. A corrente de energia vital que passa entre os níveis superiores de energia e os corpos sutis será aumentada, e uma maior força de energia física será liberada.

O corpo possui sete chakras principais, que ligam o corpo físico aos corpos sutis.

Os chakras, ou centros nervosos psíquicos, são turbilhões de energia, cujo funcionamento permite a absorção e a irradiação da energia vital. No corpo físico, eles se ligam às glândulas e aos centros nervosos principais.

No corpo etérico, aparecem como rodas com pétalas de flor, que a energia turbilhonante cria por um efeito de estroboscopia. Uma espécie de haste oca liga estas flores etéricas do chakra às glândulas e redes nervosas às quais pertencem.

N o corpo astral, os chakras se assemelham a turbilhões de energia, como redemoinhos que se produzem numa torrente de água, ou num vaso sanitário que se esvazia. No corpo mental. são linhas convergentes de luz.

O Muladhara chakra se encontra no períneo, na base da coluna vertebral. É a morada do fogo Kundalini. Quando este fogo desperta, nos estágios avançados do yoga, ele sobe pelo centro da coluna vertebral para ativar o chakra mais importante, o Sahasrara, que está situado na região cortical do cérebro.

Vem, em seguida, o centro psíquico do sacro ou Swadhisthana chakra. Está localizado nas glândulas supra-renais e sua função é absorver a força vital do prana no ar. O prana que está na atmosfera provém das radiações. solares.

Os textos nem sempre estão de acordo sobre qual dos dois centros nervosos psíquicos" - o Muladhara chakra e o Swadhisthana chakra – liga-se mais diretamente às funções sexuais.

O chakra seguinte é o Manipura ou centro psíquico do plexo solar; está ligado às funções digestivas e à intensidade dos sentimentos, das sensações e dos desejos astrais. O Anahata chakra ou centro psíquico do coração está ligado às origens da energia espiritual e às emoções superiores do amor, do altruísmo e da benevolência.

O Vishuddha chakra ou centro psíquico da garganta liga-se às glândulas tiróides e diz respeito à fala. Faz parte da Mantra Yoga e governa a criação artística. Este centro é acionado salmodiando-se e cantando.

O Ajna chakra está situado na fronte, bem acima das sobrancelhas e no eixo que as separa. Liqa-se às glândulas pituitárias e às partes sub-corticais do cérebro.

O Ajna chakra concerne às faculdades superiores do espírito: a clarividência, o raciocínio científico, o pensamento filosófico e a vontade. Quando este chakra é desenvolvido, desperta a capacidade de visualizar e de dominar as Forças mentais e astrais supra físicas.

O Sahasrara chakra ou Lótus de Mil Pétalas liga-se à glândula pineal e à parte cortical do cérebro; está situado no alto da cabeça e concerne às ondas sonoras e à faculdade de audição clarividente. É o mais espiritual de todos os chakras.

Quando este chakra é muito desenvolvido, a iluminação e a união com o Espírito Divino podem ocorrer. As harmônicas inferiores criadas pela concentração única sobre um desses chakras o farão entrar em atividade; o fluxo de energia no interior será aumentado e será possível atingir pelo espírito os níveis supra físicos de energia.

A meditação sobre os três primeiros chakras - isto é, sobre o Muladhara chakra, o chakra do sacro e o chakra do plexo solar - deve ser evitada. Estas formas de meditação podem despertar emoções inferiores e paixões sexuais. Podem fazer com que surjam influências astrais indesejáveis e causar um desequilíbrio psicológico.

É melhor meditar sobre o centro do coração, o Ajna chakra, e sobre o Sahasrara chakra, porque estes se acham mais diretamente ligados à eclosão da consciência supra-mundial, Quando postos em ação, eles desenvolverão automaticamente os chakras inferiores, alterando o equilíbrio glandular do corpo e fazendo circular novas forças vitais de prana nos canais de energia psíquica do corpo etérico. Além do mais, reforçarão e purificarão os corpos astrais e mentais.

Os hormônios segregados pela glândula pituitária regulam as outras glândulas do corpo -- o ritmo, a tireóide, as glândulas supra-renais e sexuais, entre outras. Quando a glândula pituitária estiver plenamente ativada pelo desenvolvimento do Ajna chakra, todas as outras gandulas adquirirão um equilíbrio químico; a freqüência vibratória dos chakras inferiores poderão assim desenvolver-se corretamente.

No Yoga adiantado ou Kundalini Yoga Faz-se a concentração indivisa sobre o Muladhara chakra, na base da coluna vertebral. de modo a despertar o fogo Kundalini.

As radiações ascendentes do fogo Kundalini passam pelo centro da coluna vertebral e põem em ação o Sahasrara chakra, no alto da cabeça.

Se, entretanto, o fogo Kundalini for despertado prematuramente e em seguida for mal dirigido. o resultado poderá ser extremamente grave para o sistema nervoso e para o corpo etérico. Quando não são corretamente dirigidas para o alto, as radiações voltam-se para baixo e causam perversões e desejos sexuais anormais.

Isto explica por que motivo o Kundalini Yoga não deveria ser praticado senão depois de terem sido feitos grandes progressos em Yoga, quando os corpos sutis tiverem sido suficientemente purificados e a alma tiver disciplinado bem a personalidade.

A TÉCNICA DO KRIYA

A prática deste gênero de meditação exige, em primeiro lugar, a concentração mental sobre a base da coluna vertebral. Em seguida. enquanto você aspirar lentamente o ar (sentindo-o passar contra a parede da garganta), faça o ponto de concentração subir pouco a pouco pelo eixo da medula espinhal e atravessar o cérebro até o centro psíquico do terceiro olho. Retenha-o neste ponto durante alguns segundos.

Depois, expirando lentamente, faça este ponto de concentração descer' de novo ao longo da coluna vertebral, até o Muladhara chakra, e concentre aí a sua atenção durante os poucos segundos em que seus pulmões estiverem vazios.

Aspirando de novo, docemente, o ar passando contra a parte de trás da garganta, faça o ponto de. concentração subir lentamente através da coluna vertebral e repita este processo. Recomece o exercício doze ou quatorze vezes, depois termine meditando sobre o Sahasrara chakra ou o Ajna chakra.

A técnica do Kria é muito boa para estimular as raízes dos chakras, que se encontram ao longo da coluna vertebral, e para melhorar a circulação de energia no sistema nervoso e nos canais de energia do corpo etérico.

Esta técnica facilitará também a: percepção direta dessas Forças, Os chakras são estimulados com o exercício, e o fluxo de energia escoa entre eles mais facilmente.

MEDITAÇÃO SOBRE O PRINCÍPIO DO "SER"

Neste gênero de meditação, a consciência deve concentrar-se sobre si mesma. Se for dirigida corretamente e com sucesso, será a mais elevada e a mais poderosa das meditações.

Enquanto você meditar sobre o chakra do coração ou sobre o Sahasrara chakra no alto da cabeça, dirija a atenção para a própria atenção. Se estiver distraído por quaisquer pensamentos ou percepções, é preciso que se concentre imediatamente nesta autoconsciência que está prestes a perceber ou a pensar.

Você deve considerar da mesma forma as ondas luminosas e sonoras que aparecerão. As ondas sonoras e luminosas nada mais são que as harmônicas inferiores da consciência pura sobre a qual você medita.

Quanto mais a atenção fixar-se sobre si mesma, mais as ondas luminosas e sonoras, as sensações elétricas no corpo das Forças magnéticas, as sensações de ausência de peso, etc., se manifestarão automaticamente.

Mas, se você consentir em deixar-se distrair por uma dessas sensações, ficará cingido às limitações da coisa que retiver sua atenção; a concentração sobre a pura consciência será interrompida; todas as harmônicas inferiores, sub-produtos da concentração sobre a consciência pura, desaparecerão, assim como, provavelmente, também as mesmas manifestações psíquicas que o tinham distraído a princípio.

Procure antes de mais nada o reino da consciência pura e todas as outras manifestações psíquicas lhe serão também permitidas. A atenção pode fixar-se sobre si mesma, seja onde for, no espaço, pois a pura consciência, semelhante a Deus, é um princípio onipresente. Inicialmente, será mais fácil praticar este gênero de meditação a partir de um dos chakras, de preferência o chakra do coração ou o chakra da cabeça (Sahasrara chakra). Podemos também nos servir do centro psíquico do terceiro olho ou o Ajna chakra, situado na fronte, com resultados satisfatórios, mas é preferível nos servirmos do Sahasrara chakra, se formos capazes de ativá-Ia, Quanto maior progresso você fizer neste gênero de meditação, mais sua consciência terá a sensação de ser uma extensão fulgurante de Luz Clara que se espalha em todas as direções no infinito. A própria pura consciência é cristalina e incolor, mas produz a Luz Clara que contém simultaneamente todas as cores ~ estas cores são as freqüências vibratórias das harmônicas inferiores provocadas pela pura consciência.

A concentração da atenção sobre a própria atenção provoca um estado especial no chakra sobre o qual se medita, em que sua estrutura vibratória é equilibrada, harmoniosa e geometricamente sobre todos os níveis ou freqüências vibratórias. Certos "nós comuns" se formam no interior da estrutura do chakra, As diferentes freqüências vibratórias e as ondas de comprimento variável têm sua origem e seu fim nos mesmos "nós comuns".

Isto é possível porque os comprimentos de onda e as frequências das diferentes vibrações são correlativas, como as notas de uma gama musical. As vibrações cuja distribuição espacial ou freqüência não estiverem de acordo com as outras serão automaticamente eliminadas, pois entravam seu funcionamento.

Podemos transcender nossas próprias dimensões e partir desses "nós comuns", onde começam e acabam os ciclos de várias ondas curtas e longas. Poder-se-ia assim fazer a experiência das frequências vibratórias psíquicas superiores e aproximar o Atman que se move a uma velocidade infinita.

A transferência de energia de uma oitava a outra (ou de um nível a outro) produz-se nesses "nós comuns"; assim, um fluxo de energia das dimensões superiores é transmitido às dimensões inferiores e, inversamente, as redes de vibrações que se manifestam nas dimensões inferiores podem passar às dimensões superiores.

A alma pode agora controlar a estrutura da personalidade e torna-Ia apta a exprimir a vida espiritual nos negócios dos homens. Este gênero de meditação ajuda a desenvolver a concentração sobre um ponto único.

O MANTRA YOGA E A MEDITAÇÃO COMBINADOS

Diferentes chakras podem ser postos em ação durante as salmo dias do OM ou de outros mantras, A salmodia sobre timbres de alturas diferentes faz vibrar certos tecidos celulares do corpo; os centros nervosos e glandulares serão estimulados, e os chakras a eles ligados serão ativados.

Fazendo tentativas, você descobrirá quais os timbres que farão vibrar tais partes do corpo e tais chakras, Poderá em seguida salmodiar e ao mesmo tempo meditar sobre o chakra que quer pôr em ação.

As ondas sonoras criam redes de vibrações na atmosfera etérica, astral e mental. Você poderá eventualmente aprender a vê-Ias. A disposição destas redes, que têm as cores do arco-íris, é muito complexa e muito bela. As vezes, os fios luminosos das redes traçam diagramas geométricos e mandalas.

A música terá efeito semelhante. Escute a música durante uma sessão psicodélica, observando simultaneamente a luz interna pelo Ajna chakra ou centro psíquico do terceiro olho, Observe depois a disposição das cores, que muda e se desenvolve ao mesmo tempo que a música. A música clássica e os ragas indianos são particularmente adaptáveis a esta experiência.

OS TESTEMUNHOS AKÁSHICOS A MEMÓRIA E A REMINISCÊNCIA DAS ENCARNAÇÕES PRECEDENTES

Algumas técnicas do Yoga permitem à pessoa sondar profundamente a memória e mesmo lembrar-se de suas encarnações anteriores. Tome como ponto de partida, em primeiro lugar, uma lembrança nítida em você, um traço físico ou psicológico que terá, na sua opinião, importantes elos kármicos com o passado.

Todos os pensamentos, atitudes, percepções sensoriais e todas as lembranças são registradas no corpo mental sob a forma de marcas akáshicas, espécie de fotografias na energia psíquica do corpo mental.

Com o poder de sua consciência pura, você pode visualizar e dirigir a atenção para qualquer desses pensamentos ou marcas - akáshicas. Quando a atenção for dirigida voluntariamente, a energia produzida pela concentração passa do plano mental superior da consciência pura para uma de suas harmônicas inferiores.

O processo é o seguinte: cada vez que a atenção estiver fixada unicamente sobre a consciência pura, ela provocará vibrações de harmônicas inferiores; estas avivam a marca akáshica que, por sua vez, produz ondas vibratórias no tom correspondente, acompanhadas das harmônicas e das frequências relativas deste.

Criar-se-á um nível de frequências vibratórias que abalará outras marcas akáshicas aparentadas com a primeira, localizadas em outras partes do corpo mental. Uma vez que estas marcas akáshicas são avivadas, as vibrações que nelas foram provoca das põem-nas em relevo, a atenção pode localiza-las.

Dirija, em seguida, a atenção da consciência pura para essas lembranças ou marcas memoriais aparentadas. A consciência pura se reforçará e despertará ainda outras marcas memoriais. pelo mesmo processo que acabamos de descrever. Podemos tornar a traçar os elos kármicos deste modo, até que apareçam detalhes sobre as encarnações anteriores.

A música, que se associa facilmente a certas lembranças, pode também ser muito útil neste processo de reminiscência, Escute, portanto, a música proveniente de diferentes países e de diferentes épocas, para tentar fazer com que as reminiscências apareçam. Às vezes certas posturas do corpo ajudarão também a fazer com que elas surjam.

Durante uma sessão, o autor deste artigo teve oportunidade de lembrar-se de uma de suas encarnações, uma encarnação egípcia. Estava sentado sobre os calcanhares na posição da esfinge. Se forem dois a fazer a experiência durante uma sessão, tentem olhar bem nos olhos um do outro. Pouco a pouco, o corpo etérico tomará a forma das encarnações precedentes e, assim, as particularidades kármicas sob o corpo físico dos dois se revelarão.

A pessoa pode chegar a um mesmo resultado olhando-se bem nos olhos diante de um espelho. As reminiscências akáshicas armazenadas no corpo mental e sobre os registros superiores da alma são como uma biblioteca. Todas as informações que buscamos aí se acham, mas, para tornarmos a encontrar determinado livro entre os milhares que aí estão guardados, temos necessidade de um instrumento; é preciso que haja um fichário.

As marcas memoriais são apenas um registro do corpo mental para outro. São também do corpo mental para a alma, com a ajuda das refrações das harmônicas inferiores e superiores, e são transmitidas do corpo mental para o cérebro físico, com a ajuda das refrações do corpo astral e do corpo etérico.

Em cada encarnação, um novo corpo mental é criado, a partir da semente permanente formada pela marca vibratória depositada por uma harmônica superior. Esta marca provém de todos os corpos mentais anteriores criados por todas as encarnações anteriores. Está situada nos registros superiores de energia psíquica da alma. No princípio de cada nova encarnação, a alma transfunde energia vital nesta semente ou germe; em seguida, esta energia se refrata sobre uma harmônica inferior, no nível mental que serve de base ao corpo mental que acompanha a encarnação prestes a produzir-se.

A alma encerra também sementes ou germes do corpo etérico, do corpo físico e do corpo astral. que servirão de base para a criação destes corpos, segundo o mesmo processo.

Já que, habitualmente, os acontecimentos que se deram durante as encarnações anteriores não são registrados no corpo mental da encarnação atual, é necessário atrair para o corpo mental atual as harmônicas inferiores criadas pelas marcas akáshicas registradas na alma.

A própria alma julgará se você está pronto para receber tais conhecimentos e se a sua evolução espiritual melhorará com isto.

Para que a alma revele à personalidade atual seus conhecimentos das encarnações anteriores, é necessário que já tenha havido certa eclosão espiritual e que as motivações que a orientam sejam puras.

Você deve dirigir a concentração para uma marca memorial particular no corpo mental, seguindo o mesmo processo que descrevemos; as refrações das harmônicas superiores que esta marca provoca farão entrar em atividade outras marcas akáshicas situadas na alma. Estas últimas se refletirão no corpo mental e aí imprimirão marcas correspondentes às reminiscências da alma. Serão depois refratadas no corpo astral e no corpo etérico, e finalmente atingirão o cérebro.

Sabemos que as drogas psicodélicas estimulam a transmissão de uma energia psíquica considerável entre os níveis superiores e os níveis inferiores. Todos os pensamentos e todas as emoções provocadas durante uma sessão psicodélica serão fortemente imprimidos no espírito, e uma considerável energia psíquica se incorporará à sua estrutura vibratória.

Esses pensamentos e emoções condicionarão inconscientemente o comportamento na vida cotidiana. E, pois, extremamente importante que as marcas adquiridas durante uma sessão psicodélica tenham um valor positivo. Esse valor positivo pode ser assegurado pela disciplina da atenção.

Tais considerações levam-me a alguns últimos conselhos: nunca permita que a atenção divague. Mantenha-a fixa num pensamento ou num processo de meditação, até seu final.

Não perca a cabeça, se tiver visões aterradoras ou alucinações. O medo só servirá para aumentar a concentração sobre essas visões, e o próprio poder de sua atenção as tornará ainda mais intensas.

Fique impassível e dirija sua atenção indivisa para esta autoconsciência que está prestes a ter alucinações. Lembre-se constantemente de que sua própria faculdade de atenção é uma centelha da Divindade e de que, empregada corretamente, ela controlará todos os poderes inferiores.

Alguns pesquisadores são de opinião que as drogas psicodélicas estimulam a secreção das glândulas pituitária e pineal. Segundo os adeptos do Yoga e os ocultistas, estas mesmas glândulas ligam-se aos Sahasrara e Ajna chakras, ou Lótus de Mil Pétalas e centro psíquico do terceiro olho.

Conforme já vimos, a estimulação destas glândulas aumenta o fluxo de energia que passa entre o corpo etérico e o corpo físico. As drogas psicodélicas intensificam a pressão sobre as células do corpo que devem acelerar sua atividade para poderem libertar-se dessa pressão. A atividade aumentada destas células aumenta por sua vez as freqüências vibratórias e assim as põe em harmonia com as freqüências vibratórias superiores dos níveis supra-físicos de energia.

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O Yoga Psicodélico - Sri Brahmarishi Narad in: Bailly, J. C.; Gumard, J. P. (org.) Mandala a experiência alucinógena. RJ, Civilização Brasileira, 1972 p.323-343

Psychedelic Yoga. The Application of Yoga Meditation Techniques to the Use of Psychedelic Sacraments - by Sri Brahmarishi Narad Jun 1967 San Francisco a Oracle º 8 , pg 11, junho de 1967.

disponível também em:

The vaults of Erowid - Yoga https://www.erowid.org/spirit/yoga/yoga_info1.shtml

The Deoxyribonucleic Hyperdimension Psychedelic Yoga -The Application of Yoga Meditation Techniques to the Use of Psychedelic Sacraments - http://deoxy.org/psychedelicyoga.htm

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Referências

Kuhn, Thomas. Estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 1978

LSD – assisted psychotherapy” http://www.maps.org/research/lsd/swisslsd/LDA1010707.pdf Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies (MAPS)

Psilocybin Cancer Project Department of Psychiatry and Behavioral Sciences at Johns Hopkins Medicine - http://www.bpru.org/cancer-studies/

Centro de Rehabilitación de Adicciones y de Investigación de Medicinas Tradicionales TAKIWASI - http://www.takiwasi.com/

Imagens:

Luke Brown, Namaste https://www.erowid.org/culture/art/artist/brown_luke

Peter Weltevrede, Seven Chakras https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Chakras_(Subtle_bodies)

Ver também

Costa, Paulo Pedro P. R. Acupuntura – Chakra - Mapas visuais sobre acupuntura, chakras e regiões correspondente da pele e sistema nervoso aos dermátomos. Sep 25, 2011 http://pt.scribd.com/doc/66278569/Acupuntura-Chakra

Versão do presente texto em PDF para impressão:
http://pt.scribd.com/doc/213448532/o-Yoga-Psicodelico



quinta-feira, 20 de junho de 2013

ACUPUNTURA DE CHAKRA

GABRIEL STUX, M.D. / Tradução: Paulo Pedro P.R. Costa

Alex Grey - sacred mirrors

Acupuntura de Chakra é uma expansão como também uma complementação da prática de acupuntura chinesa tradicional. Tem a possibilidade de aprofundar acupuntura clássica incluindo o sistema indiano de chakra, um sistema de sete centros principais de energia.

Os chakras da medicina indiana são centros de energia. Sete principais centros de energia se localizam na linha média do corpo, do perineum para o crânio (ver ilustrações). Além destes, há algumas dúzias de centros de energia menores de importância secundários que na maioria dos casos também correspondem com o local de pontos de acupuntura. Os chakras, de modo semelhante aos Órgãos Chineses, possuem funções específicas.

O objetivo do tratamento na acupuntura chinesa tradicional é harmonizar o fluxo de Qi dissolvendo os bloqueios e estagnações nos canais e órgãos. Condições de excesso ou deficiência são equilibradas e assim a regularidade da função dos órgãos é alcançada harmonizando Yin e Yang. Estes conceitos são a base de acupuntura tradicional chinesa.

Acupuntura de Chakra estende a aplicação tradicional de acupuntura por incluir o sistema indiano de chakra para diagnose como também tratamento. Em acupuntura de chakra, aparte dos pontos de acupuntura selecionados conforme a tradição chinesa, pontos de chakra adicionais são agulhados na área dos sete centros de energia. Assim o chakras são ativados e o fluxo de energia é estimulado. Isto é chamado " abertura do chakras ".

O ponto de chakra mais freqüentemente usados é o VG 20 - Baihui situado no centro do chakra coronário o 7º chakra, e extraordinariamente 6 - Sishencong cercando o retangularmente o Baihui. Outros pontos de chakra importantes são o ponto extra 1 - Yintang e VG 15 - Yamen para o 6º chakra, VC 17 Shanzhong e VG 11 (Shendao para o 4º chakra, o chakra de coração.

Além de agulhar os pontos chakra, " a focalização da atenção consciente ", (awareness conscious) i.e. a atenção do paciente para a respectiva região do chakra, é importante para a eficácia do tratamento. Após os pontos de acupuntura serem agulhados com a técnica habitual, ao paciente é pedido dirigir sua consciência para o chakra pertinente [por exemplo, para o centro de energia da coronário onde os pontos VG 20 (Baihui) e o ponto extra 6 (Sishencong) se foram agulhados].

Depois de pouco tempo os pacientes sentem uma sensação de formigamento leve ou de um fluxo discreto nesta área. O terapeuta, junto com o paciente, também focaliza sua atenção nesta região. Ele solicita repetidamente para o paciente abrir esta área e deixar que a energia flua de cima para baixo (flow from above and downwards). Assim a abertura do chakra como também o fluxo de energia vital (life force) no centro de energia coronário é intensificado.

Quando o fluxo através de um centro de energia é claramente perceptível ao paciente, a pessoa procede ao próximo centro de energia (por exemplo para o chakra do coração no meio do tórax), Aqui os pontos VC 17 (Shanzhong) e VC 15 (Jiuwei) devem ser agulhados. Ao paciente é solicitado então a respiração nesta área, segurar a consciência dele lá, e abrir o chakra de coração até que ele sente uma sensação de grandeza (wideness), densidade (carga / charge) e fluxo neste chakra.

No começo do tratamento de acupuntura de chakra é importante focalizar em 2-3 chakras (por exemplo coronário (crown) e o centro energético do coração (the heart energy centers)). Como o coração é o 4º chakra, situado no meio do sete chakras, sobre e abaixo dele estão três chakras. Assim o chakra de coração, por causa de sua posição central, tem uma importante função harmonizando para a energia inteira do corpo.

Também a qualidade da energia curativa do coração harmoniza os outros centros de energia. Depois de algumas poucas sessões de tratamento, quando o fluxo de energia em 2-3 chakras está bem estabelecido, a pessoa procede a chakras adicional, especialmente na região onde se localiza a doença (illness) do paciente. Não é recomendado começar com a região transtornada, mas abrir e ativar o chakras inicialmente os principais (o coronário e o do coração) estimular a manifestação quantidade (carga /charge) e o fluxo de energia na totalidade do sistema energético.

O primeiro passo é abrir os centros de energia e promover o fluxo de energia vital (life force - força de vida) neles, estabelecendo sua forte manifestação (carga / charge), simultaneamente despertando a consciência do paciente assim para os centros de energia vitalizando-os. O segundo passo é focalizar os bloqueios e estagnações que causam as doenças e os dissolver. Além de agulhar a área do bloqueio, novas diretrizes e métodos de "medicina vibracional (energy medicine), tal como a Arte (Técnica) de Libertação da Consciência (ART - Awareness Release Technique) de introduzido por Robert T. Jaffe.


DESPERTAR (ART - Awareness Release Technique) EM QUATRO PASSOS:

1. Consciência é focalizada pela paciente sobre seu problema, dor, região ansiogênica ou de tensão (nervousness) (i.e. o bloqueio de energia). Ele está comunicando seu problema ao terapeuta.

2. Identificação. O segundo passo é uma identificação mais precisa do problema. O terapeuta pede para o paciente que focalize mais profundamente sobre a região do bloqueio para visualizar e descrever seu local, tamanho, bordas, densidade, temperatura e cor. Depois a consciência também é dirigida sobre as emoções relacionadas ao bloqueio e os pensamentos que surgem disto. Durante a segunda passo de ART, e através de uma visualização precisa, a consciência se aprofunda mais no bloqueio.

3. Liberação ou Transformação de bloqueios ou energia estagnada. Durante este passo a consciência do paciente transforma a densidade do bloqueio de energia ou liberações completamente sua carga (densidade/qualidade - carga / charge). Isto é realizado pelo paciente aprofundando o foco e (& associado a) respiração consciente em seu bloqueio, O terapeuta também está dirigindo sua atenção sobre o problema do paciente e observa mudanças nos padrões de energia do bloqueio. Se o paciente está se cansando ou não está respirando intensamente ao focalizar área do bloqueio o terapeuta pede a este para aprofundar mais a respiração. Consequentemente o aprofundando persistente e focalizado da respiração no bloqueio o dissolve (libera - released) dentro de 10-20 minutos.

4. Integração. Durante este passo é restabelecido e harmonizado o fluxo de força de vida na área afetada. Isto geralmente é alcançado durante a sessão de tratamento, mas também depois pelo próprio paciente em casa trazendo sua consciência na área afetada e promovendo o fluxo.

DESPERTAR (ART - Awareness Release Technique) é um método excelente para dissolver bloqueios que são muito severos, especialmente para esses bloqueios onde tratamento de acupuntura isolada não alcança resultados satisfatórios.

MEDITAÇÃO NO FLUXO DO CHAKRA

Outro método em medicina vibracional (energy medicine) para promover o fluxo da energia vital (life force) em níveis mais profundos é a Meditação sobre o Fluxo do Chakra desenvolvida pelo autor. Este método é semelhante ao “Treinamento Autógeno" ou ao Relaxamento Progressivo. Com o paciente deitado ou sentando em uma posição confortável o terapeuta dá instruções. Primeiro, o terapeuta focaliza no centro coronário (crown) e diz para o paciente que o abra: abra o centro coronário (sahasrara chakra) desde o alto da cabeça, abra cada vez mais, mais amplo e mais amplo, deixe a energia fluir acima no centro coronário e abaixo no tórax, no centro do tórax, no centro do coração. Amplie esta área e deixe a energia fluir completamente em todo coração, mais fundo, profundamente mais fundo".

Depois de estabelecer o fluxo do coronário para o coração, são incluídos outro chakras no fluxo, primeiro os 3º, 2º e o chakra básico, depois também o 5º e 6º chakra. Depois de vários dias de exercício o fluxo é estabilizado em todos os centros de energia, então ampliados.

Meditação no Fluxo dos Chakra é uma forma de tratamento energético que efetivamente pode promover o fluxo da força em níveis mais fundos, aumentar a vitalidade e um estado estável de saúde. Que se inicia com a cooperação do terapeuta e depois é mantida pelo paciente em sua casa.
Estes dois métodos de medicina da energia, a Técnica de Liberação de Consciência por dissolver bloqueios, e a Meditação no Fluxo do Chakra para a promoção do fluxo nos centros de energia do corpo, são excelentes métodos adicionais para aumentar os efeitos da acupuntura de chakra.



DESCRIÇÃO DOS CHAKRAS E SUA RELAÇÃO COM PONTOS DE ACUPUNTURA E ÓRGÃOS CHINESES

1. Chakra Básico, Muladhara Chakra
Local: O primeiro chakra está localizado no perineum e abre-se para baixo. Corresponde a posição do ponto VC 1 (Huiyin, o ponto de reunião de todo Yin).
Funções: O Yin corresponde à Terra e assim o chakra básico provê a conexão enérgica do ser humano com esse elemento. A abertura do chakra básico e o fluxo enérgico através deste chakra é responsável pela conexão enérgetica do corpo com a terra que é chamada (grounding) firmando-se. Este chakra corresponde a energia Yin do Rim.
Ponto de acupuntura: VC 1 (Huiyin)

2. Chakra da Polaridade Svadhishthana Chakra
Local: O segundo chakra está situado na pélvis e tem duas aberturas, a primeira frontal (ventral) corresponde ao ponto de acupuntura VC 2 (Gugu) - VC 4 (Guanyuan) e outra para o dorso na região do sacrum VG 2 (Yaoshu) - VG 4 (Mingmen).
Funções: O chakra da polaridade equilibra o Yin e Yang dentro e do lado de fora, forma a base para uma sexualidade sem distúrbios, i.e. o Yin e Yang exterior equilibrado. O primeiro e segundo chakra correspondem ao Jiao inferior (pélvis) do Sanjiao. O chakra da polaridade corresponde ao Yang do rim, bexiga e intestino grosso.
Pontos de acupuntura:
Ventral - VC 2 (Qugu) até VC 4 (Guanyuan)
Dorsal - VG 2 (Yaoshu) até VG 4 (Mingmen)

3. Chakra do Plexo Solar Manipura Chakra
Local: O terceiro chakra é situado no abdômen. Abre diante e atrás do umbigo na região de VG 5 (Xuanshu) - VG 6 (Jizhong).
Funções: O chakra de Manipura regula na parte superior o temperamento (personal will) e a expressão emocional (emotional expression) na mais parte inferior. No caso de desequilíbrio é responsável por lutas pelo poder (striving for power) , raiva (rage), irritabilidade (anger) e drogadição (adiction). Os meridianos (órgãos chinês) do baço e fígado correspondem ao terceiro chakra. Também há uma relação com o Jiao médio do Sanjiao.
Pontos de acupuntura:
VC 8 (Senjue), VC 12 (Zhongwan)
VG 5 (Xuanshu), VG 6 (Jizhong)

4. Chakra do Coração, Anahata Chakra
Local: O quarto chakra situa-se no centro do tórax e abre diante do ponto VC 17 (Shanzhong) e no dorso diante do ponto VG 11 (Shendao)
Funções: As funções correspondentes são: amizade, compreensão, compaixão, equilíbrio de contrastes, busca de harmonia, paz interna e amor,. O chakra de coração, por ser o quarto chakra, representa o centro enérgico do ser humano é o chakra da importante integração entre os três superiores e o três chakras inferiores. O Anahata chakra corresponde ao coração e o Jiao superior.
Pontos de acupuntura:
VC 17 (Shanzhong), VG 11 (Shendao)

5. Chakra da Garganta Viahuddha Chakra
Local: O quinto chakra situa-se na garganta e abre diante da laringe e atrás no ponto VG 14 (Dazhui).
Funções: O chakra de garganta produz a força e expressividade (fluência) da fala. Outra função é criatividade. O chakra de garganta corresponde ao pulmão.
Pontos de acupuntura:
VC 22 (Tiantu), VG 14 (Dazhui)

6. Ajna Chakra, Terceiro Olho
Local: O sexto chakra é situado à base do crânio. Abre-se na frente no ponto Extra 1 (Yintang) e atrás no ponto VG 15 (Yamen).
Funções: As funções do Terceiro Olho são a habilidade para focalizar a mente, enquanto entendendo, o poder de discernimento, intuição e clarividência.
Pontos de acupuntura:
Ponto extra 1 (Yintang), VG 15 (Yamen)

7. Chakra Coronário, Sahasrara Chakra
Local: O sétimo chakra situa-se no crânio. Corresponde ao ponto VG 20 (Baihui) e ao ponto extra 6 (Sishencong) e abre acima do crânio como uma coroa.
Funções: O chakra de coronário representa o Yang mais alto no corpo, em contraste com o ponto de reunião de todo Yin no chakra básico. Considera-se que o chakra coronário é responsável pela compreensão dos aspectos mais altos de vida, proporcionando a conexão com mundo espiritual. O ponto VG 20 (Baihui) como também o Extra 6 (Sishencong) são pontos particularmente importantes na acupuntura e servem para harmonizar funções psíquicas e o equilíbrio de toda energia do corpo.
Pontos de acupuntura:
VG 20 (Baihui), Extra 6 (Sishencong)


BIBLIOGRAFIA
1. Jaffe, R.T. Energy Mastery Seminars, Advanced Energy Healing. Script. 1990.
2. Jung, C.G. Ueber Psychische Energie und das Wesen der Traume. Rascher. Zurich and Stuttgart, 1948.
3. Krieger, D. The Therapeutic Touch. How To Use Hands To Help To Heal. Prentice Hall Press. New York, London, Toronto, 1979.
4. Pomeranz, B. and Stux, G. Scientific Bases of Acupuncture. Springer Verlag. Berlin, Heidelberg, New York, 1989.
5. Stux, G. and Pomeranz, B. Basics of Acupuncture. Second Edition. Springer Verlag. Berlin, Heidelberg, New York, 1991.
6. Stux, G. and Pomeranz, B. Acupuncture - Textbook and Atlas. Springer Verlag. Berlin, Heidelberg, New York, 1987.
7. Stux, G. Akupunktur und ART. Therapeutikon. 1992. 6/1-2:42-43.
8. Stux, G. Was ist Energie Medizin? Therapeutikon. 1992. 6/4:171-172.
9. Stux, G. Chakra Flow Meditation. Therapeutikon (in preparation).


Publicação original
Medical Acupuncture
primavera / verão 1994 Volume6 / Número 1
AAMA - journal - http://www.medicalacupuncture.org


sexta-feira, 17 de maio de 2013

Cinnabaris 朱砂 (Zhusha)


Cinábrio, cinabre ou cinabarita (vermelhão nativo, vermilion) é o nome usado para o sulfeto de mercúrio (HgS), o minério de mercúrio comum. O nome vem do grego, usado por Teofrasto (em grego: Θεόφραστος; Eresos, 372 a.C. — 287 a.C.) e provavelmente foi aplicado a muitas substâncias diferentes. Acreditam que a palavra vem do persa زینجیفرح (zinjifrah), originalmente significando "sangue perdido de dragão".

Na medicina Tradicional Chinesa tudo indica ser esse medicamento o sulfeto de mercúrio (HgS), a parte utilizada é o pó do mineral, na concepção chinesa suas propriedades: doce (gan) , amornante ou levemente fria (wei han) e tóxico (du) seu local de ação o coração (xin). Sua principal função acalmar a mente, tranqüilizar o coração e remover toxinas. Na china tal substância é produzida principalmente nas áreas de Hunan, Sichuan e Yunnan.

Entre suas indicações na concepção oriental inclui-se sinais e sintomas tipo: palpitações, ansiedade, insônia, nervosismo, pesadelos, agitação e verborragia convulsões entre outros em síndromes descritas na medicina tradicional chinesa como: “ascensão do fogo do fígado afetando o coração” (“hiperatividade do fogo do coração”) ; “calor ascendendo e se transformando em vento”; “flegma no jiao superior”; “insuficiência de sangue do coração” e “síndrome do vento” (epilepsia). Também usado localmente em casos de furúnculos, carbúnculos, feridas purulentas e mordidas de animais peçonhentos, especialmente cobras. (Botsaris; Noleto & Ling)

As nossas conhecidas intoxicações por mercúrio (Hg) geralmente são provocadas por cloreto de mercúrio nas formas agudas e crônicas. Doses a partir de 100 mg já são suficientes para desencadear um quadro agudo (Botsaris). A intoxicação crônica (hidrargirismo) depende do período de exposição. Segundo Larini exposições ocupacionais ao mercúrio em concentrações iguais ou superiores a 0,1 mg/ m3 de ar já é suficiente para produzir intoxicações com tremores musculares e alterações do comportamento. Ainda segundo Botsaris o Cinnabaris (sulfito de mercúrio) é muito mais atóxico, e doses acima de 10 g são necessárias para desencadear sua toxicidade (Botsaris). Observe-se também que essa medicação é geralmente associada à diversas outras tipo Huang Lian; Shu Di Huang, Mai Dong e Tian Nan Ching (Rhizoma arisaematis) conforme o caso. (Noleto & Ling)

O Cinábrio era extraído pelo Império Romano por seu conteúdo de mercúrio e ainda é um das principais fontes desse metal ao longo dos séculos. É possível que se confunda esse mineral tóxico com a resina da Dracena “verdadeira” pela tendência de designar (especialmente os romanos) tinturas vermelho brilhantes como sangue de dragão. Segundo o verbete «Sangre de drago»" da Wikipédia Es (2013):

...La sangre de drago es una brillante resina roja que se obtiene de diferentes especies de cuatro distintos géneros botánicos: Croton, Dracaena, Daemonorops, Pterocarpus y Calamus rotang. La resina roja se usaba en tiempos antiguos como barniz, medicina, incienso, y tintura. Continua empleándose para los mismos propósitos....

Observe-se também que o Cinábrio é utilizado em homeopatia, possivelmente em diluições completamente isentas de riscos tóxico (elevadíssimas diluições). Em homeopatia o CINNABARIS (Cinábrio - Sulfuro de Mercúrio) é um antisifilítico e um antisicótico simultaneamente. Entre seus “sintomas mentais” inclui-se (1) Indolência, com indisposição para o trabalho mental. Sente plenitude na cabeça pelo trabalho; (2) Deseja estar só e irritabilidade; (3) esquecimento. Entre os sintomas gerais também encontram-se várias referências a distúrbios do sistema nervoso: dores (cefaléia, pressiva, perioculares, uretral, nevralgia ciliar) rubor, cansaço.


Referências

BOTSARIS, Alexandros S. Fitoterapia chinesa e plantas brasileiras. SP, ícone 1995
NOLETO, Paulo; LING, Xu. Fitoterapia chinesa, matéria médica. SP, Ícone, 2009
LARINI, Lourival. Toxicologia. SP, Manole, 1987

Fontes WEB

Zhusha Cinnabaris - TCM Discovery.com http://tcmdiscovery.com/2007/10-1/2007101145831.html (Maio de 2013)
Homeopatia e Terapia Holística (Blog) http://homeopatia-terapiaholistica.blogspot.com.br/2012/02/cinnabaris-cinabrio-sulfuro-de-mercurio.html (Maio de 2013)
Cinnabaris - Red Mercuric Sulfure http://www.avogel.ca/en/plant-encyclopedia/cinnabaris.php (Maio de 2013)
Cinábrio http://pt.wikipedia.org/wiki/Cin%C3%A1brio (Maio de 2013)

Imagem Wikimedia Commons: Cinnabar :: Locality: Tongren Mine, Wanshan District, Tongren Prefecture, Guizhou Province, China Privacy policy

Ver também

- Plantas calmantes história e composição

- Dian Kuang - 癫狂